Carrilho acusa Luís Neves de pressão e classifica exoneração como “purga política”
Ricardo Carrilho já reagiu à sua exoneração do cargo de secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI). Em declarações à SIC Notícias, acusou o ministro Luís Neves de o ter pressionado a avançar com procedimentos que considerava irregulares e disse que se recusou por "diversas vezes" a fazer um pagamento de 26 milhões de euros à SIRESP SA, que considerava ilegal, mas que acabou por ser autorizado.
“Eu não tenho dúvida de que houve aqui uma intenção do ministro Luís Neves em afastar a direção da secretaria-geral”, afirmou Carrilho, que classificou como “manifestamente ilegais, sem qualquer fundamento” os pagamentos à SIRESP, alegando que estes resultavam apenas de pretensões apresentadas pela própria empresa.
“Tive que explicar ao senhor ministro muitas vezes que não era possível levar a cabo estes procedimentos da forma como eles eram realizados na Polícia Judiciária”, declarou.
Num artigo publicado no Expresso, o ex-secretário-geral - substituído já esta segunda-feira pelo major-general Nuno Parreira da Silva, até agora da GNR - classificou a sua saída como “uma purga política” e afirmou ainda que, nos seus cerca de 20 anos de serviço na Administração Pública, nunca tinha vivido uma situação semelhante. "Em duas décadas de serviço público de primeira linha, nunca fui alvo de tantas pressões ilegítimas e de uma interferência política tão asfixiante como no período em que exerci as funções de Secretário-Geral, sob a atual tutela de Luís Neves".
Carrilho confirmou ainda ter pedido uma audiência ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, por considerar que os acontecimentos são “por demais graves”.

