Luís Neves demite secretário-geral do MAI e nomeia Nuno Parreira da Silva
O ministro da Administração Interna, Luís Neves, demitiu o secretário-geral do mesmo ministério, Ricardo Carrilho, e anunciou a nomeação do major-general Nuno Parreira da Silva, até agora da GNR, para o cargo.
Em comunicado, o MAI diz que a nova nomeação surge "num momento de transformação do serviço, com a preparação de uma nova estrutura orgânica e de procedimentos adequados às responsabilidades desta área governativa"
"Este processo visa adaptar a Secretaria-Geral à reforma funcional e orgânica da Administração Pública, reforçar a sua capacidade de gestão e assegurar o cumprimento das suas atribuições, em articulação com as demais entidades públicas", lê-se.
O currículo de Nuno Parreira da Silva, aos 54 anos, envolve uma longa experiência na GNR de mais de 36 anos de serviço, incluindo o cargo de Comandante da Escola da Guarda, que ocupava desde 2024. Foi dirigente do Departamento de Recursos Financeiros da GNR e diretor de Recursos Financeiros e de Recursos Logísticos no Comando da Administração dos Recursos Internos.
A nomeação de Parreira da Silva e decisão da demissão de Ricardo Carrilho surgiram no mesmo dia em que o Expresso tinha noticiado um conflito aberto entre o ministro e o secretário-geral da sua tutela, citando documentos internos que mostravam "divergências totais" sobre a gestão a rede SIRESP.
No comunicado emitido pelo Ministério, o ministro justifica a sua decisão de demissão com razões em tudo semelhantes à da nomeação de Parreira da Silva, citando "a reorganização da Secretaria-Geral" e "a preparação de uma nova estrutura orgânica e de procedimentos adequados às responsabilidades do Ministério".
"Este processo visa adaptar o funcionamento da Secretaria-Geral à reforma funcional e orgânica da Administração Pública e assegurar a continuidade das suas atribuições, em articulação com as demais entidades públicas", lê-se nesse primeiro comunicado.
Demissão surgiu após uma série de ofícios e uma queixa na PGR
Na notícia do Expresso, lê-se que o secretário-geral do MAI terá enviado vários ofícios e despachos ao ministro entre junho e setembro deste ano com reclamações e a pedir esclarecimentos sobre quem controla o SIRESP, e o papel do Estado na sociedade anónima do sistema -- tudo para "pressionar Luís Neves a clarificar os poderes de coordenação e vigilância do SIRESP", lê-se ainda.
Todas estas solicitações terão ficado sem resposta, algo que o gabinete do ministro negou, após ter sido questionado pelo Expresso.
Porém, a falta de resposta terá resultado numa denúncia feita pela Secretaria-Geral à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI), relativamente à execução do contrato do SIRESP financiado pelo PRR. Estas práticas, terão lesado "o Estado, de acordo com dados objetivos, em mais de € 62 600,00, tendo, por acréscimo, impedido a execução de procedimentos contratuais".
Ricardo Carrilho sai agora de um posto que ocupava há cerca de um ano e meio, tendo subido ao posto em fevereiro em regime de substituição.
