Raimundo acusa Governo de “assalto em curso” à Segurança Social e desafia país a uma alternativa de rutura
No dia em que faz 50 anos, enquanto celebra o mesmo número de anos que passaram desde a primeira Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou que os comunistas aqui estão "a fazer frente à besta da guerra e ao sistema capitalista que a promove e dela se alimenta".
Apesar de não ter deixado uma única palavra sobre a moção de censura contra o Governo, avançada pelo Chega a propósito das polémicas em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, Paulo Raimundo considerou que "o problema que enfrentamos não advém de incompetência, da chico-espertice ou de casos que envolvem ministros, cujas explicações deixam muito a desejar. O problema é mesmo a política de Governo que merece censura".
A luta prometida contra o capitalismo, assumida por Paulo Raimundo, passou por críticas aos "grupos económicos a quem o Governo serve", para os quais, observou, "o País nunca esteve tão bem".
"Pudera, os seus lucros e riqueza crescem como nunca e contam com um Governo que faz de cada problema estrutural um pretexto para a transferência de recursos públicos para os seus cofres", lançou o líder comunista, acusando ainda o Governo de ser um "mestre da propaganda e da ilusão", justificando o epíteto como o facto de o dizerem "as vítimas das intempéries a quem os apoios ou chegaram tarde ou, sete meses depois, ainda estão por chegar".
Recuperando uma crítica que o PCP tem vincado na fase final da anterior sessão legislativa, Paulo Raimundo lançou farpas a "um Governo que jura a pés juntos que não o fará mas, caso tenha espaço para isso, tudo vai fazer para que o capital ponha a mão no dinheiro dos trabalhadores e assaltar a Segurança Social".
"Que ninguém se iluda, só não avançarão se os trabalhadores, os reformados e a juventude derem, como estão a dar, um forte sinal de rejeição face a este assalto que está em marcha", apelou o secretário-geral do PCP, enquanto falava num "Governo que pela voz do primeiro-ministro, numa negociata ainda por explicar, afirma que com a entrada do Estado no capital da REN os preços da eletricidade vão baixar".
"Se é assim, porque razão o Estado, que hoje detém 8% da Galp, não faz baixar os combustíveis e o gás de botija?", questionou de forma retórica, lembrando que "todos pagamos, e amanhã ainda mais, pagam os pequenos e médios empresários, os agricultores, os pescadores".
Com estas ideias cimentadas, Paulo Raimundo desafiou "todos os que não se resignam" a apoiar "este projeto de ruptura e mudança, patriótico e de esquerda".
"Há força e há forças para resistir e vencer", afirmou, enquanto apelou: "Provoquem o sobressalto, lutem pelas vossas vidas."
No plano internacional, com palavras para a resistência do povo venezuelano e do povo sarauí, o líder comunista rejeitou "as pressões dos que tentam proibir e criminalizar a solidariedade", enquanto deixou uma palavra de condenação contra aqueles que considerou serem "os porta-vozes do horror", em defesa da Palestina, "pelo seu povo e pelo seu Estado soberano e independente".
Paulo Raimundo denunciou a política dos EUA, da NATO e da União Europeia, acusando‑os de alimentar conflitos, desde o Leste Europeu ao Médio Oriente. Reafirmou a solidariedade do PCP à Palestina, ao povo sarauí e à Venezuela, e dedicou uma parte significativa da intervenção ao bloqueio imposto a Cuba, que classificou como “uma autêntica declaração de guerra”. “Cuba não está só, Cuba vencerá”, afirmou, enquanto os milhares de pessoas que assistiam ao comício gritavam: "Cuba vencerá."

