O presidente social-democrata da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes, vai passar a ter o vereador João Rodrigues dos Santos, eleito pelo Chega, no seu Executivo, atribuindo-lhe os pelouros da Transparência e Anticorrupção e da Atividade Física e Desporto. O acordo escrito, que teve a aprovação da Direção Nacional do Chega, foi revelado na reunião da Assembleia Municipal, na noite de segunda-feira, por Carlos Reis, deputado municipal do partido de André Ventura, apanhando de surpresa os vereadores do PS, que optaram por romper o entendimento com a coligação PSD-CDS.Depois de vencer as autárquicas de 2025, mas sem a maioria absoluta de que o seu antecessor Carlos Carreiras dispunha, Piteira Lopes fez um acordo com o PS, atribuindo pelouros aos seus vereadores. João Ruivo ficou com o Desenvolvimento, Promoção Económica e Licenciamento de Atividades Económicas, e Alexandra Carvalho com a Captação de Recursos, Projetos Comparticipados, Fundos Comunitários, Emprego e Estratégia de Smart Cities.Garantindo que “concorda a 100%” com a indicação do secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, de que os socialistas não podem integrar Executivos autárquicos com membros do Chega, João Ruivo disse ao DN que “desde o primeiro dia ficou claro que não poderiam participar” numa solução não-totalmente surpreendente, pois Piteira Lopes sempre disse estar “disponível a dar pelouros a quem estivesse disponível para trabalhar”..“Acaba por ser a cereja no topo do bolo. Há quatro anos corremos com os comunistas da vereação e agora corremos com os socialistas da vereação”João Rodrigues dos Santos, vereador do Chega.Contactado pelo DN, João Rodrigues dos Santos admitiu não ter ficado surpreendido com a reação do PS à sua integração. “Acaba por ser a cereja no topo do bolo. Há quatro anos corremos com os comunistas da vereação e agora corremos com os socialistas da vereação”, disse o irmão do jornalista José Rodrigues dos Santos, eleito pela primeira vez em 2021 e disponível para o seu partido ter mais pelouros - o outro vereador do Chega, Pedro Teodoro dos Santos, líder da concelhia, passa a estar na Comissão de Acompanhamento do Contrato de Concessão das Águas de Cascais -, se Piteira Lopes assim entender.Rodrigues dos Santos diz estar “alinhado na maior parte das questões” com o presidente da Câmara de Cascais, elogiando-o por “não ter agenda woke, como alguns sociais-democratas”.Por seu lado, o vereador João Maria Jonet, que se desfiliou do PSD para encabeçar um movimento independente, admitiu ao DN estar “pouco surpreendido” com uma mudança que “vai desorganizar” a autarquia. “Nós avisámos. Continuamos a única oposição sem ilusões.”A defesa de Piteira Lopes, que “cumpriu a sua palavra, assumida antes, durante e após as eleições”, de querer trabalhar com todos, coube à Concelhia do PSD, num comunicado em que critica os vereadores do PS por colocarem “os interesses políticos acima dos interesses de Cascais”..Detalhes.Sem maioria absolutaNuno Piteira Lopes conduziu a coligação PSD-CDS à vitória nas autárquicas de 2025, mas sem maioria absoluta. Além de si, elegeu quatro vereadores, com o PS, o Chega e o movimento liderado por João Maria Jonet a dividirem os restantes seis. Precedente de SintraApesar de fazer um acordo com o PS, integrando vereadores desse partido no Executivo, Piteira Lopes viu Marco Almeida, também social-democrata, atribuir pelouros a dois dos três vereadores do Chega na Câmara de Sintra. Alinhado com VenturaJoão Rodrigues dos Santos disse ao DN que tinha sido convidado a assumir pelouros no mandato anterior, tendo recusado porque o Chega decidiu que “não era oportuno”. Desta vez houve uma aprovação de André Ventura.