O Partido Socialista acusou esta sexta-feira (22 de maio) Luís Montenegro de apresentar uma “terceira versão das mesmas promessas por cumprir” na moção estratégica “Portugal Maior” com que se recandidata à liderança do PSD, defendendo que o documento evidencia “falhanço governativo”, ausência de estratégia e uma aproximação preocupante à extrema-direita.Num texto assinado por Filipe Santos Costa, secretário nacional do PS para Economia, Empresas, Energia e Digital e pessoa influente no aconselhamento a José Luís Carneiro, os socialistas sustentam que a moção social-democrata recicla propostas já inscritas nos programas eleitorais da AD para as legislativas de 2024 e 2025, sem que tenham sido concretizadas no exercício governativo.“O problema não é a proclamação, é o fosso entre a torrente de power points e a incapacidade de execução”, refere o dirigente socialista, anunciando que o PSD repete promessas em áreas como habitação, Saúde, Educação, fiscalidade e infraestruturas, sem apresentar “instrumentos, calendário, financiamento, métricas de avaliação e responsabilidade política”.O PS considera que a Proposta de Estratégia Global apresentada pelo líder social-democrata - e coordenada pelo ministro da Educação, Fernando Alexandre - funciona mais como um programa de "oposição" do que como "balanço de um Governo" em funções. “Depois de dois programas eleitorais, um Governo em funções e apresentações públicas a cada duas semanas, nesta moção o PSD continua a falar como oposição”, lê-se no texto que o DN teve acesso.Os socialistas criticam particularmente a passagem da moção em que o PSD equipara o “não é não” ao Chega ao “não ao bloco central” com o PS. Para Filipe Santos Costa, essa posição representa “um branqueamento da extrema-direita” e sinaliza uma deriva do PSD liderado por Luís Montenegro, comparando-o ao antigo regime húngaro de Orbán.“O PSD deixa cair a defesa da democracia-liberal ocidental ao colocar no mesmo plano o centro-esquerda democrático e a extrema-direita”, afirma o dirigente socialista.Na área da saúde, o PS acusa o Governo de ter falhado os compromissos assumidos para o SNS, alegando que as promessas de reforço dos cuidados primários, médicos de família e redução dos tempos de espera continuam sem execução prática. Já na educação, os socialistas argumentam que a AD reapresenta medidas já anunciadas anteriormente sobre creches, pré-escolar e valorização dos professores, sem concretização efetiva.No plano económico, o PS critica a ausência de uma política industrial estruturada e acusa o Executivo de falhar a promessa de crescimento económico acima dos 3%. Segundo os socialistas, o crescimento do PIB caiu de 2,5% em 2023 para 1,9% em 2024 e 2025, enquanto a carga fiscal terá aumentado.O documento socialista rejeita igualmente a estratégia fiscal da AD, nomeadamente a proposta de redução transversal do IRC, defendendo antes incentivos fiscais dirigidos ao investimento produtivo, inovação, capitalização empresarial e valorização salarial.O texto termina com uma crítica global à governação da AD, acusando o PSD de substituir governação por comunicação política. “Portugal merece mais do que esta moção; merece um Governo competente, estratégia, execução, responsabilidade e futuro”, conclui Filipe Santos Costa.."Insensibilidade" do Governo. PS vai votar contra o Pacote Laboral na generalidade.Barómetro DN/Aximage: PS abre dez pontos de vantagem e AD cai para terceira força