Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.FOTO: FILIPE AMORIM/LUSA

PCP e Bloco defendem fixação dos preços dos bens essenciais durante manifestação em Lisboa

Paulo Raimundo e José Manuel Pureza marcaram presença num protesto que exigia o fim das ameaças e agressões dos EUA e de Israel contra o Irão.
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Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, e José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, defenderam este sábado, 14 de março, a fixação dos preços dos bens essenciais durante a manifestação organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação, que decorreu em Lisboa.

Os dois líderes políticos marcaram presença neste protesto que exigia o fim das ameaças e agressões dos EUA e de Israel contra o Irão.

“Há uma medida concreta, que é regular e fixar os preços. Nós estamos perante uma operação de especulação com efeito na vida de cada um de nós”, afirmou Paulo Raimindo, que liderou a comitiva do PCP e começou por dar como exemplo o caso dos combustíveis.

Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP.
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“Estamos confrontados com o aumento dos combustíveis, vamos ser confrontados com um novo aumento na próxima semana, [mas] o combustível que estamos a comprar agora foi comprado e pago há três ou quatro meses. É um ato de especulação, portanto fixar o preço é fundamental”, justificou.

E considerou que “é assim nos combustíveis, nos alimentos, nas prestações, é assim em tudo” “Nós pagamos cada vez mais, o Estado abdica de receitas com a redução de impostos, e aqueles que têm milhões e milhões e milhões de euros, como a Galp, a banca, a grande distribuição, qual o contributo que dão para enfrentar este problema? Zero”, criticou.

Raimundo considerou que "baixar impostos é importante mas não chega, não é suficiente", insistindo que a solução para o aumento do custo de vida decorrente de mais um conflito passa por "fixar preços, regular preços".

"Não há nenhuma dificuldade em o Governo decretar, perante a situação de emergência que estamos a enfrentar, a fixação e regular os preços das comissões bancárias, das prestações, dos alimentos e dos combustíveis e da energia", defendeu.

O comunista criticou a posição do Governo, considerando que Portugal “vergonhosamente se associou” à “agressão ao Irão por parte dos Estados Unidos e Israel”.

O Governo devia “simplesmente cumprir a Constituição” e dizer que não pode ser “cúmplice de um ato de agressão a um país soberano”, defendeu.

“E não fez, fez o contrário. Não só escancarou as portas da Base das Lajes para esta operação, como se associou politicamente a ela, o que ainda é mais grave”, criticou, apelando ao Governo que “condene esta agressão” em todos os fóruns internacionais em que participa e “faça tudo para que ela acabe”.

BE quer fixação dos preços dos bens essenciais

José Manuel Pureza defendeu por sua vez a fixação dos preços dos bens essenciais, além de uma taxa extraordinária dos “lucros obscenos” das empresas, na sequência do conflito no Médio Oriente.

“Era necessário que o Governo controlasse assumidamente os preços dos combustíveis e que tabelasse os preços dos bens essenciais, porque quem está a pagar esta guerra é quem está a ter na inflação sobre bens essenciais e sobre combustíveis uma espécie de imposto de guerra. As pessoas que já tinham uma vida aflita, mais aflita vai ficar”, afirmou.

O antigo deputado considerou que “basta haver vontade política de o fazer e haver a capacidade, no parlamento, de criar as maiorias para este efeito”, indicando que o BE estará disponível para aprovar medidas nesse sentido.

Em declarações à Lusa e à SIC antes da saída dos manifestantes, José Manuel Pureza defendeu também que seja adotada “uma forma de taxação adicional” aos lucros “obscenos, excessivos” das empresas e que “decorrem da especulação resultante desta guerra”, considerando que “é uma medida de justiça para o resto da sociedade portuguesa”.

“Veremos quanto tempo é que demora esta situação, veremos quanto tempo é que demora este efeito absolutamente devastador sobre a sociedade portuguesa. Um Governo responsável já devia estar a tomar estas medidas”, salientou.

O coordenador do BE criticou também o Governo pela posição que tomou quanto ao ataque militar de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão e desafiou o executivo de Luís Montenegro a “sair determinadamente de todo aquele conjunto de países que patrocina esta guerra, que a apoia”.

“Está em causa algo fundamental que é uma guerra contra o direito internacional, uma guerra contra as Nações Unidas, uma guerra que está a ter efeitos devastadores sobre o mundo inteiro e que está a ter efeitos devastadores sobre o nosso país, desde logo nos preços dos combustíveis e, por arrasto, nos preços dos bens essenciais. Ou seja, esta guerra está a ser paga por quem já tem vidas de aflição em tempo de não guerra, em vez de ela ser paga por aquelas empresas e aqueles setores que estão a ter lucros obscenos com a guerra”, defendeu.

Pureza acusou ainda o primeiro-ministro de ter “sempre os braços cruzados, exceto quando os usa para aplaudir Donald Trump e os aliados da guerra”.

Pela paz e contra a guerra no Médio Oriente

Várias centenas de pessoas manifestam-se exigindo o fim das ameaças e agressões dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel contra o Irão, numa iniciativa organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Com início na Cidade Universitária, o protesto seguiu minutos depois das 15h00 em direção à Embaixada dos Estados Unidos da América, terminando em Sete Rios.

"Paz sim, guerra não" eram as palavras de ordem dominantes entoadas pelos participantes na manifestação que, numa tarde cinzenta e debaixo de uma chuva miudinha, prosseguiam em direção à Avenida das Forças Armadas gritando "Com mais armas só andamos para trás".

Nos cartazes de alguns manifestantes e nas faixas das organizações participantes vislumbravam-se apelos ao desarmamento, à independência da Palestina e ao fim da ingerência na Venezuela e do bloqueio a Cuba, entre outros.

A manifestação, apoiada por mais de 70 organizações sob o mote “Paz, Soberania e Solidariedade! Fim às ameaças e às agressões dos EUA!”, visava igualmente contestar o alinhamento do Governo português "com a confrontação, o militarismo e a guerra”, segundo os organizadores.

Isabel, 79 anos, disse à Lusa que decidiu participar no protesto porque "é preciso fazer alguma coisa". Depois de Gaza, agora "querem destruir o Irão" perante a atitude dos Governos que, à exceção de Espanha, "se ajoelham perante Trump", afirmou.

Luan, 29 anos, veio para "denunciar os ataques fascistas de Donald Trump contra a América latina e o clima de guerra" na Europa, no Médio Oriente e no mundo.

"Já foi a Palestina, agora querem metade do Líbano, não sei onde é que isto vai parar. Israel quer mandar no Médio Oriente todo mas não pode ser", afirmou Conceição, 78 anos, manifestando a sua indignação sobre o ataque contra o Irão.

No Porto, à mesma hora, estava previsto que a manifestação organizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação partisse da Batalha em direção à Trindade.

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