Em conferência de imprensa após uma reunião do comité central do PCP, em Lisboa, Paulo Raimundo, questionado sobre se valida os apelos para a demissão da ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral, afirmou que o "problema não é o ministro A, B ou C". Pediu ao primeiro-ministro para assumir as responsabilidades, como fez no passado quando "deu a cara" pela ministra da Saúde. "Fez bem em dar a cara, terá de assumir também as responsabilidades em nome do Governo, das consequências. Eu registo positivamente", salientou.Paulo Raimundo considerou, contudo, que se a avaliação do executivo fosse feita pelo trabalho das últimas semanas não seria só Maria Lúcia Amaral a sair do Governo. "Se fôssemos olhar para este processo de 15 dias, e se nós fôssemos avaliar as declarações e as prestações infelizes de cada um dos ministros, tínhamos de concluir que uma parte substancial estava em condições de ir com as cheias", atirou.O líder do PCP criticou o Governo pela lentidão da resposta "quando a situação exigia opções claras e rápidas, a mobilização de todo os meios necessários e a tomada de medidas urgentes" como a reposição da eletricidade, água e telecomunicações.Raimundo afirmou que "não tem um gosto particular" em levar isto a debate, mas que o assunto "dificilmente passará ao lado" da discussão com o primeiro-ministro, confirmando o que a maioria dos líderes políticos disse ao DN, de que Maria Lúcia Amaral estará sob fogo.Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.Por isso, o PCP anunciou medidas para um "plano de emergência" no Parlamento que garanta o "pagamento a 100% dos salários" dos trabalhadores e dos "rendimentos dos pequenos e médios agricultores e empresários". Pede "recursos necessários à reconstrução de casas, escolas, equipamentos públicos e sociais, estradas e ferrovia" e acusam responsabilidades anteriores por "privatização de setores estratégicos, como na energia e nas telecomunicações" ou o "desmantelamento de estruturas do Estado e a degradação dos serviços públicos". Foi ainda feito um balanço das Presidenciais, no qual festejou a "derrota expressiva de André Ventura" e no qual lembrou compromissos de António José Seguro para "defender a Constituição" e rejeitar o pacote laboral..Paulo Muacho (Livre): "Ministra da Administração Interna não pode ser bode expiatório".José Manuel Pureza: "A ministra da Administração Interna já não o devia ser".Paulo Raimundo vê resultado "aquém do valor" da candidatura de António Filipe