Paulo Raimundo: "Já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo"
Foto: Manuel de Almeida/Lusa

Paulo Raimundo: "Já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo"

Secretário-geral do PCP considera que o Governo deixou-se arrastar pelo processo Luís Neves e que tem de assumir a responsabilidade. “Algo tem que ser feito”, afirmou na Festa do Avante.
Publicado a
Atualizado a

O secretário-geral do PCP disse este sábado, 5 de setembro, que o Governo “deixou-se arrastar” pelas polémicas em torno do ministro da Administração Interna e considera que Luís Neves tem muitas explicações para dar.

“Nós há muito tempo que dizemos que o problema hoje já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo, o Governo deixou-se arrastar para este processo, e portanto a responsabilidade deixou de ser do ministro Luís Neves, passou a ser de todo o Governo, e portanto precisará de conclusões desse processo”, afirmou, considerando que “algo tem que ser feito”.

Paulo Raimundo falava aos jornalistas durante o segundo dia da Festa do Avante!, que marca a rentrée do PCP e decorre até domingo na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal).

Na ocasião, o secretário-geral do PCP foi questionado novamente como é que o partido vai votar na terça-feira a moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, e disse que a decisão está tomada, mas recusou avançar essa informação durante a Festa do Avante!.

“Era só o que faltava a Festa do Avante!, com esta dimensão solidária, com esta capacidade de mobilização, com esta energia, com esta confiança, com este empenho num novo rumo para Portugal, ser condicionada à agenda de outros”, salientou.

Paulo Raimundo voltou a criticar a iniciativa do Chega por ser centrada nas polémicas que envolvem Luís Neves e não a política do Governo.

“Independentemente das explicações que o ministro tem que dar e tem que dar, e muitas, convenhamos que o problema do Governo e o problema das nossas vidas não é apenas aquele ministro […] Portanto, nós temos que avaliar o conteúdo, mas também temos que avaliar a forma”, afirmou.

Raimundo disse que “o Governo, a sua política, merece censura” mas recusou alimentar “a demagogia, o folclore do Chega”.

O líder comunista voltou a dizer que o PCP admite apresentar também uma moção de censura ao Governo porque “é preciso travar a política que está em curso o mais depressa possível, e para isso é preciso travar o Governo”.

“É preciso travar o Governo e a sua política, e temos vários instrumentos ao nosso dispor, desde logo, a força, a ação, a mobilização, a luta de massas, para dar dimensão social a essa exigência. E depois temos os instrumentos legislativos, nomeadamente a moção de censura, do qual não vamos abdicar, e do qual vamos recorrer se entendermos, quando entendermos e quando acharmos que é o tempo mais conveniente”, indicou.

Paulo Raimundo: "Já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo"
Para o PCP há razões para censurar o Governo, mas recusa alimentar "agenda mentirosa" do Chega
Paulo Raimundo: "Já não é um problema do ministro Luís Neves, é um problema do Governo"
Moção do Chega apanha Parlamento em férias e obriga Aguiar-Branco a chamar líderes esta quinta-feira
Diário de Notícias
www.dn.pt