Para o PCP há razões para censurar o Governo, mas recusa alimentar "agenda mentirosa" do Chega
O secretário-geral do PCP considerou esta sexta-feira (4 de setembro) que existem várias razões para censurar o Governo, mas recusou alimentar a “agenda demagógica e mentirosa” do Chega, sem precisar como votará o partido a moção na terça-feira.
“Há razões fundas para o Governo ser censurado”, afirmou Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas depois da abertura da Festa do Avante!, que marca a rentrée comunista.
Na Quinta da Atalaia, no Seixal (distrito de Setúbal), o secretário-geral do PCP afirmou que, “independentemente do conteúdo”, não se pode esquecer a forma e considerou que “há razões fundas para o Governo ser censurado”, mas “não é nenhuma daquelas que o Chega avança”.
Paulo Raimundo disse também que o partido não quer “alimentar a agenda demagógica, mentirosa e aldrabona do Chega”, mas não adiantou como é que o PCP vai votar a moção na terça-feira.
“Isso connosco não há. Nós não alimentamos agendas reacionárias, demagógicas, mentiras, golpadas e tudo o que quiser acrescentar de adjetivos nessa estrutura. Connosco não. Agora, que há razões fundas para o Governo ser censurado e que o Governo e, acima de tudo, a sua política, deviam ser travadas do mais depressa possível, isso não há nenhuma dúvida”, salientou.
O secretário-geral do PCP deu como exemplo o aumento do preço dos combustíveis previsto para a próxima semana como uma das razões para o Governo ser censurado.
“Há muitas, e cada dia que passa ainda mais. A partir de segunda-feira existem mais 14 cêntimos de razões para que o Governo seja censurado”, referiu.
Paulo Raimundo considerou também que “há sempre alturas boas para o país ir a eleições, desde que isso tenha um significado melhor na vida das pessoas”.
O comunista defendeu que “não há alturas boas nem alturas más” para o país ir novamente a votos e sustentou que “esta é uma altura má” para os portugueses pelas dificuldades que atravessam mas é “extraordinariamente boa” para aqueles que” concentram riqueza como nunca e têm lucros como nunca vistos”.
“Se for para que a vida da maioria melhore e responda às necessidades da vida de cada um e do país, então venham as eleições ontem”, afirmou.
O líder comunista considerou que o documento que o Chega apresentou esta semana na Assembleia da República, e que será discutido e votado na terça-feira, não constitui uma verdadeira censura ao Governo.
“Se todos lerem o texto vão chegar à conclusão de que aquilo pode ser um currículo um bocadinho manhoso do ministro da Administração Interna, mas não tem nenhuma censura ao Governo. Aquilo é um objeto dirigido ao ministro, que não faz uma única crítica a nenhuma política do Governo e se quisermos ainda é mais grave, porque não tem um único questionamento, uma única reflexão sobre aquilo que o ministro também é responsável”, nomeadamente “sobre as dificuldades dos polícias”, sobre “a situação em que os GNR trabalham” ou sobre os bombeiros, sustentou.
Raimundo disse que o partido de André Ventura apresentou uma moção de censura com aquele conteúdo porque “está comprometido até ao pescoço com a política em curso, não tem nenhumas condições para criticar uma política com a qual o Chega está de acordo”.
Na quarta-feira, o Chega entregou no Parlamento uma moção de censura ao Governo centrada nas polémicas em torno do ministro da Administração Interna, defendendo o afastamento de Luís Neves.
