Nuno Melo foi reeleito neste domingo para o terceiro mandato enquanto presidente do CDS-PP, com 89,74% dos votos dos congressistas reunidos em Alcobaça, e sem que nenhumas outras listas além daquelas que apresentou se tenham apresentado a votos. Ausente da sessão de encerramento, depois de a sua moção de estratégia global ter obtido apenas oito votos no final da noite anterior, esteve Nuno Correia da Silva, que se apresentara aos centristas como a alternativa à liderança que considera estar a diluir o partido na coligação com o PSD.A quase unanimidade interna alcançada pelo ministro da Defesa Nacional, que teve 525 votos favoráveis, 41 brancos e 19 nulos na lista para a Comissão Política Nacional que encabeçou, contrastou com os receios de alguns dirigentes centristas, que nos últimos dias se mobilizaram em contactos e sessões de esclarecimento. Além da candidatura à presidência anunciada duas semanas antes do congresso por Nuno Correia da Silva, ex-deputado e ex-vereador da Câmara de Lisboa, havia a moção da Juventude Popular, com reparos à “falta de agenda partidária estruturada” e à “diluição” do CDS-PP no seio da coligação com o PSD que o devolveu à Assembleia da República, permitiu integrar o Governo de Portugal e das regiões autónomas dos Açores e da Madeira, bem como governar meia centena de autarquias, nomeadamente Lisboa, Porto, Vila Nova de Gaia, Cascais, Braga e Aveiro. Certo é que também a moção de estratégia global da Juventude Popular acabou por ser retirada da votação realizada ao final da noite de sábado, numa decisão justificada ao DN pela presidente dessa organização, Catarina Marinho, com “a abertura para enquadrar algumas das nossas propostas” que a liderança em vias de recondução garantiu. Desse modo, a moção “Tempo de Futuro” acabou por ser aprovada por 97,5% dos congressistas, abrindo caminho para que Nuno Melo tivesse pela frente um domingo de consagração. Com novidades na Comissão Executiva, como a subida da eurodeputada Ana Miguel Pedro e da vereadora da Câmara do Porto, Catarina Araújo, ao núcleo de vice-presidentes do CDS-PP - ao lado dos reconduzidos Álvaro Castello Branco, Telmo Correia, Paulo Núncio, Ana Clara Birrento e Maria Luísa Aldim - e a junção de coordenadores executivos em diversas áreas, naquilo que o líder centrista descrevera, em entrevista ao DN, como “um Governo-parceiro”, Nuno Melo ficou com a casa arrumada e dedicou-se a falar para fora. Com mensagens claras “para os amigos do PSD”, representados a nível partidário pelo vice-presidente Alexandre Poço, e a nível governativo por Carlos Abreu Amorim, ministro dos Assuntos Parlamentares.“Com toda a legitimidade, o CDS-PP quer ser maior no futuro”, disse o líder centrista no discurso que encerrou o Congresso de Alcobaça. Defendendo que o seu partido “não é uma tendência, não se funde e não se dilui”, numa resposta a vários adversários internos, Melo disse que o seu partido “não está por favor” numa AD que “é património em comum”. E na qual os centristas contribuem “com trabalho, com ideias, com pessoas e com votos”.Como sinal da autonomia no âmbito da coligação, anunciou que o CDS-PP “vai a jogo” no processo de revisão constitucional, cuja urgência tem sido protelada pelo PSD, cujo líder parlamentar, Hugo Soares, tem repetido que o tema deve ser reservado para a segunda metade desta legislatura, ao contrário do que é desejado pelo Chega e pela Iniciativa Liberal. Procurando contribuir para um “documento neutro e representativo de todas as sensibilidades”, o presidente do CDS-PP anunciou a constituição de um grupo de trabalho, para o qual serão convidados “constitucionalistas conhecidos”. E mencionou a inconstitucionalidade da pena acessória de perda de nacionalidade, decretada pelo Tribunal Constitucional, como a demonstração de que rever o texto fundamental é “um tema prioritário”.Numa sessão de encerramento iniciada com mensagens em vídeo de personalidades como a presidentes da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e a presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola - mas não do líder histórico Paulo Portas, contrariando as expectativas de Nuno Melo -, o líder reeleito contrapôs “o braço lúcido da direita portuguesa” a partidos como o Chega e a Iniciativa Liberal.Para o líder centrista, o partido liderado por André Ventura, “dizendo-se de direita, em muitos momentos tem sido o maior aliado da esquerda em Portugal”. Na medida em que já contribuiu para que executivos de centro-direita não pudessem levar legislaturas até ao fim, tanto na República como nas regiões autónomas, e também porque “defende aumentos de impostos e o Estado a dar tudo a todos, com o dinheiro dos contribuintes”.À Iniciativa Liberal, Melo voltou a criticar um “dogmatismo” capaz de esquecer que “aquilo que o mercado tem de sobra em números lhe falta em solidariedade”..Ana Miguel Pedro: “É um grande sinal termos mais duas mulheres vice-presidentes no CDS-PP”.CDS-PP: Ana Miguel Pedro e Catarina Araújo são as novas vice-presidentes de Nuno Melo.Presidente do Congresso do CDS apela à retirada de moções em nome da união em torno do líder Nuno Melo