Moção de censura: Ventura acusa PS de "estar tão agarrado" a Luís Neves quanto o Governo

Iniciativa do Chega tem chumbo garantido, mas prevê-se que outros partidos critiquem a manutenção de Luís Neves enquanto ministro. Luís Montenegro enfrenta terceira moção de censura aos seus governos.
Luís Montenegro enfrenta moção de censura ao seu Governo
Luís Montenegro enfrenta moção de censura ao seu GovernoLeonardo Negrão

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Montenegro diz que "vivemos em realidades diferentes"

O primeiro-ministro Luís Montenegro desvaloriza a iniciativa do Chega, dizendo aos deputados do principal partido da oposição que "vivemos em realidades diferentes". E enumera dados acerca da sua governação, "enquanto alguns se entretêm com moções", incluindo a ausência de aumentos de impostos ou o "maior crescimento de emprego na Europa".

Montenegro também refere o "grande desafio da digitalização dos exames", passando ao lado dos problemas que geraram neste verão, investimentos na saúde e a escolha do novo aeroporto.

"Enquanto alguns vivem de insinuações", refere o primeiro-ministro, realçando feitos do Ministério da Administração Interna no policiamento, no controlo de fronteiras nos aeroportos ou no combate aos incêndios.

Numa alusão a polémicas ligadas a Luís Neves, Montenegro recebe aplausos da bancada do PSD ao dizer que "alguns andam atrelados a tanques de insinuações".

E promete "continuar a privilegiar o aumento dos rendimentos", com aumento de salários e contenção de impostos, dizendo que "ao contrário do que dizem os mais distraídos ou intelectualmente desonestos" o Estado não estar a ganhar dinheiro com o preço dos combustíveis.

Entre ataques a Carneiro e Montenegro, Ventura pede "por amor de Deus" a saída de Neves

André Ventura recorre a Pedro Nuno Santos, recordando que afastou um candidato autárquico por suspeitas de violência doméstica, para se dirigir a José Luís Carneiro. "O senhor deputado só não pede a demissão de Luís Neves se estiver tão agarrado a Luís Neves quanto o primeiro-ministro", diz o líder do Chega.

E, de seguida, pergunta a Luís Montenegro "porque é que mantém Luís Neves", dizendo que a área ardida aumentou - alegação que gera burburinho nas bancadas -, o SIRESP é mal gerido, os "crimes com arma branca aumentaram e o número de violações é o maior da década".

Ventura termina, pedindo "em nome de Deus", a saída do ministro da Administração Interna.

Ventura arranca debate: "Os portugueses têm a certeza de que o PS está capturado por Luís Neves"

O líder do Chega, André Ventura, arranca a intervenção inicial com ataques ao "novo xerife da República", a ideia de que "o que nos trouxe aqui foi uma degradação sem precedentes das instituições democráticas", mas também um dedo apontado ao outro dos principais partidos da oposição, que garantiria o seu sucesso da moção de censura apresentada pelo seu grupo parlamentar.

"Os portugueses têm a certeza de que o PS está capturado por Luís Neves", disse Ventura, aplaudido pela sua bancada, seguindo para uma descrição dos casos que envolvem o ministro da Administração Interna, nomeadamente enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. E pergunta porque é que essa polícia "foi a correr" recuperar o atrelado que tinha sido entregue à Construbarcelos, realçando que essa empresa não tem contratos públicos com outras entidades.

Falando de "um conluio inadmissível" entre membros do Governo, juntando Rita Júdice e Luís Neves, Ventura pergunta ao ministro da Administração Interna "como é que tem a falta de vergonha para ainda aí estar sentado", voltando a ser aplaudido de pé pelos deputados do Chega. Enquanto isso, o primeiro-ministro mantém-se, impávido e sereno, sem esboçar qualquer reação.

Chega vai abrir e fechar a sessão

José Pedro Aguiar-Branco anuncia que o grupo parlamentar terá direito à intervenção de abertura e de encerramento, com o Governo a intervir imediatamente a seguir e antes, respetivamente. No final será votada a moção de censura.

Aguiar-Branco refere-se a moção de censura como "pré-época da próxima sessão legislativa"

O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, refere-se à sessão plenária desta terça-feira como a "pré-época da próxima sessão legislativa". Enquanto pede para que os deputados tomem os lugares e façam silêncio, entra na Sala de Sessões o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que esteve até há poucos minutos numa audição regimental que durou mais de três horas.

Luís Montenegro é o primeiro na tribuna do Governo

O primeiro-ministro Luís Montenegro é o primeiro membro do Governo a tomar o seu lugar, seguido pela ministra do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, e pelos restantes ministros.

Quase tudo a postos para o início da sessão

Cerca de metade dos deputados já estão no hemiciclo, enquanto toca a campainha que assinala a chamada para o arranque dos trabalhos. O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco tomoa a palavra pela primeira vez, apelando a todos para tomarem os seus lugares.

Deputados começam a ocupar lugares no hemiciclo

Primeiros deputados a entrar na Sala de Sessões da Assembleia da República foram sociais-democratas. Entre eles, Paulo Moniz, Alexandre Poço, Hugo Carneiro e Gonçalo Capitão, que tem protagonizado debates intensos com a bancada parlamentar do Chega nesta legislatura.

Ministros começam a chegar ao Parlamento

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, foi naturalmente um dos primeiros membros do Governo na Assembleia da República, muito antes da hora marcada para o arranque da discussão da moção de censura do Chega.

Leia o que foi dito na audição regimental a Luís Neves

Horas antes da sessão plenária convocada para debater e votar a moção de confiança, Luís Neves foi à Comissão dos Assuntos Constitucionais, para uma audição regimental que rapidamente abrangeu a sua atuação enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. Pode ler aqui o liveblog.

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PS e PCP vão optar pela abstenção

Os deputados do PS e do PCP irão abster-se na votação da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, tal como já tinha sido anunciado pelo Juntos pelo Povo e pelo Bloco de Esquerda, enquanto o Livre anunciou que votará contra, juntando-se à Iniciativa Liberal e ao PAN.

Ventura quer pressionar Montenegro e o resto da oposição

A moção de censura do Chega deverá ser aprovada apenas pelo grupo parlamentar que a apresenta, mas André Ventura conta pressionar o primeiro-ministro e os restantes partidos da oposição, dos quais diz esperar "consistência e coerência" quanto à permanência de Luís Neves no Ministério da Administração Interna.

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Moção de censura do Chega é a 37.ª, mas só uma teve sucesso

Cavaco Silva foi o único primeiro-ministro que viu cair o seu executivo devido à aprovação de uma moção de censura na Assembleia da República, acabando por conseguir duas maiorias absolutas consecutivas. Apesar de também não serem muito letais, as moções de confiança revelaram-se mais perigosas nas últimas décadas.

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Moções de confiança são mais letais para governos
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