O primeiro-ministro Luís Montenegro lançou o desafio a quem tiver um “caminho alternativo e diferente” a candidatar-se à liderança do PSD, anunciando no Conselho Nacional, na noite de quarta-feira, eleições diretas para maio e o congresso do partido logo a seguir, em datas que terão de ser aprovadas numa próxima reunião do órgão. Foi uma resposta às intervenções públicas de Passos Coelho, que nos últimos dias criticou a escolha de Luís Neves para o Ministério da Administração Interna e sugeriu que o Governo procure eleições antecipadas se a oposição se juntar contra as alterações à legislação laboral, mas nunca mencionou o nome do antigo presidente do partido, de quem foi líder parlamentar, ouvindo acusações de incoerência vindas de um dos poucos conselheiros nacionais críticos que se fizeram ouvir no Centro de Congressos de Lisboa.Na intervenção inicial, Montenegro apresentou como “contributo para a estabilidade” antecipar o que deveria acontecer em setembro ou outubro, dois anos após o 42.º Congresso do PSD, já com o partido no poder. E defendeu-o como “oportunidade de clarificação”, pois o primeiro-ministro diz que “será um equívoco gigante” haver dúvidas no partido sobre o “caminho reformista”.Afastado do Governo no final de 2015, pela “Geringonça” liderada pelo socialista António Costa, e tendo deixado a liderança do PSD há quase oito anos, Passos Coelho não exclui voltar à política ativa, mas diz “não ser candidato a coisa nenhuma” e adverte que o regresso não seria pelos melhores motivos. “Se tudo correr bem, por que razão irão buscar-me ao baú da História?”, inquiriu, numa conferência do Instituto Mais Liberdade. E voltará a fazer-se ouvir hoje, encerrando a cimeira da Associação de Estudantes da Faculdade de Economia do Porto, com o prometedor tema da “Instabilidade e Volatilidade Política”,."Incoerência" e "escolhas incompreensíveis".No Conselho Nacional, com o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, e o eurodeputado Sebastião Bugalho a destacarem-se no respaldo aos argumentos de Montenegro, o nome do alvo das críticas só foi referido explicitamente no final. Coube ao antigo líder da concelhia de Lisboa, Paulo Ribeiro, defender que o PSD “deve saber ouvir e valorizar as intervenções de Passos Coelho”. Apontou incoerência ao primeiro-ministro por defender clareza sem nomear alguém que “todos sabiam a quem se estava a dirigir” e advogar estabilidade quando antecipa eleições sem que “ninguém esteja a pôr em causa a sua legitimidade”. Ao DN, Ribeiro realçou que assim fez Montenegro em 2019, ao tentar derrubar Rui Rio num Conselho Nacional extraordinário.Também crítico de Montenegro, o ex-deputado André Pardal instou a liderança do PSD e o Governo “a unir e não fraturar” as tendências do partido e da sociedade civil, “e não só os amigos ou os que concordam consigo”. Mas antes não esqueceu as “escolhas incompreensíveis” para a Administração Interna, e criticou que Luís Neves, de quem pediu a demissão, tenha ido da PJ para o Governo “sem qualquer período de nojo ou escrutínio eleitoral”. Pardal fez ainda questão de dizer que Marques Mendes foi um candidato “que não só uniu o PSD, como separou”, dividindo o partido entre “quatro ou mesmo cinco” candidaturas, com o conselheiro nacional a apoiar Gouveia e Melo. As eleições presidenciais tinham sido esquecidas na intervenção do líder do partido..Ministros e líderes distritais ausentes do Conselho Nacional.A reunião do Conselho Nacional teve o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, como um dos principais intervenientes, pedindo força para o Governo em “tempos de grande instabilidade”, mas foi notada a ausência de elementos do núcleo político do Executivo. Foi o caso de Leitão Amaro, ministro da Presidência, que teve uma reação mais moderada às palavras de Passos Coelho do que o secretário-geral e líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. E também não foram ao Centro de Congressos de Lisboa os ministros das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, e da Cultura, Margarida Balseiro Lopes.Também ausente esteve o antigo ministro Pedro Duarte, que não só é presidente da Câmara do Porto como lidera a distrital. Ou o novo líder da distrital de Braga, Carlos Eduardo Reis. .Passos Coelho fala, muita gente sonha e a dor de cabeça de Montenegro nasce.PSD-Braga dá vitória a Carlos Eduardo Reis contra lista próxima de Hugo Soares