António José Seguro teve perto de 2 mil pessoas ao final da noite nas Caldas da Rainha.
António José Seguro teve perto de 2 mil pessoas ao final da noite nas Caldas da Rainha.Gerardo Santos

Mesmo sem apoio de Montenegro, Seguro promete relação institucional intacta em caso de eleição

Candidato mais votado na primeira volta não revelou se recebeu parabéns de António Costa e não reagiu à pouca presença do PS, reafirmando ser "suprapartidário". Vê "oceano de diferenças" para Ventura.
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Perto de duas mil pessoas acorreram ao Centro Cultural das Caldas da Rainha para aplaudir os 31% que António José Seguro contava ter de votação às 23h30, que lhe encaminhavam a ida à segunda volta das Presidenciais.

A jogar em casa, junto aos vizinhos com quem vai tomar o pequeno-almoço ao Café Central, Seguro entrou e ouviu cânticos de vitória, parando, a cada passo, para cumprimentar calorosamente quem lhe dirigia um sorriso. “Portugal presente, Seguro a presidente”, foi esse o mote antes do discurso de uma plateia que tinha, certamente, um quarto da população abaixo dos 30 anos, que foi chegando, a conta gotas, vistos os resultados eleitorais a serem mais favoráveis a Seguro. “Obrigado por esta receção magnífica e pelo apoio. Quero cumprimentar todos os eleitores, todos os que votaram, independentemente em quem votaram. Cumprimento quem não se quis deslocar às mesas de voto. Somos todos Portugal, um só povo, plural e inclusivo, respeitador das liberdades de cada um”, principiou, declarando o “respeito a todos os candidatos que não passaram à segunda volta”, vincando “querer manter a cordialidade com todos na segunda volta.”

Sem declarar alterações ao discurso, Seguro prometeu querer unir e apelou até a quem não votou na primeira volta.
Sem declarar alterações ao discurso, Seguro prometeu querer unir e apelou até a quem não votou na primeira volta.Gerardo Santos

Prometeu ser equidistante partidariamente. “Semeámos esperança, recolhemos confiança. Agradeço a cada português que votou em mim. Saberei honrar o voto, recebi votos de cada campo político. O que reforça a candidatura independente que levámos a cabo. Reafirmo com total clareza: sou livre, vivo sem amarras”, disse, prometendo “ambição, esperança como bandeira na Presidência, para valorizar o mérito, cuidar dos idosos e investir nos jovens”, garantindo que vai “pensar no ambiente a tomar as decisões”, pedindo um “sentido de comunidade.” “Façamos das próximas três semanas a festa da democracia”, desafiou.

Direcionou depois o discurso para o próximo dia 8 de fevereiro, para o adversário. “Hoje venceu a democracia e no dia 8 vai voltar a ganhar. Unidos, queremos derrotar o extremismo, quem semeia o ódio. Aos democratas, aos progressistas, esta é uma candidatura de todos os democratas. Todos são bem-vindos, não há reserva de admissão, não há portugueses de primeira ou de segunda. Portugal só prospera se tivermos convivência digna entre seres humanos, jamais serei um Presidente de uma parte dos portugueses contra a outra parte. Voltei para unir. Faço o juramento diante de vós, serei o Presidente de todos os portugueses, leal à Constituição da República, para cuidar e melhorar o que está bem, mudar o que está mal”, declarou, elencando a mudança na Saúde e na Pobreza.

Candidato apoiado pelo PS não revelou se recebeu parabéns de António Costa.
Candidato apoiado pelo PS não revelou se recebeu parabéns de António Costa.Gerardo Santos

Nas respostas aos jornalistas, que tiveram de se dividir para fazer três grupos de questões, Seguro descartou achar que tem a eleição encaminhada. “Nada está garantido, muito menos as vitórias. Temos de trabalhar muito para vencer”, acrescentando o “bom caminho” face a ter “mais de um milhão e 700 mil portugueses” a votarem.

Depois, o socialista nega uma possível crispação com Luís Montenegro pelo primeiro-ministro não declarar o apoio à segunda volta. “Os apoios estão a surgir, tenho as caixas de mensagens cheias, com muitos apoios e parabenizações. Estou convicto de que recolheremos apoios à direita ou esquerda porque somos suprapartidários, fomos buscar muitas pessoas que não estão na política. Posso garantir que tudo farei para que as relações institucionais não sejam afetadas quando, assim espero, tomar posse dia 9 de março”, expressou, sem revelar se António Costa, presidente do Conselho Europeu, lhe dirigira parabéns.

Não detalhou o que fará de diferente em termos de discurso na segunda volta, mas adiantou que “existe um oceano de diferenças para o deputado André Ventura.” Também desvalorizou que José Luís Carneiro ficasse pelo Largo do Rato, sem se deslocar às Caldas da Rainha. “Teve a simpatia de me telefonar e de me cumprimentar. Há uma coisa que não perguntei a ninguém, qual o cartão partidário que tem. A maioria não tem cartão partidário, vêm aqui pela mesma razão que me candidatei, por amor a Portugal”, disse.

Seguro terminou o discurso pouco depois da meia-noite e cantou o hino.
Seguro terminou o discurso pouco depois da meia-noite e cantou o hino.Gerardo Santos

Preferiu, igualmente, não usar o momento celebratório para atirar ao Partido Socialista e à sua demora em apoiá-lo na corrida a Belém, deixando a ideia de que não se verão muitas novas figuras do partido: “Esta é uma vitória da democracia. Não rejeito nenhum apoio e tenho gosto no apoio que o PS me deu. Mas sou eu que defino o meu caminho. Determinarei quem usará da palavra nos atos de campanha.”

Mesmo quando foi chamado a ler os resultados, que deixam o candidato do PS e do Chega, oposição de Montenegro e da AD no Parlamento, na luta pela eleição, Seguro jogou à defesa e recusa ser mais interventivo do que prometeu ser. “Vou manter a linha que defendi no dia 15 de junho. A nossa Constituição é clara. Os partidos devem ser respeitados, mas também devem respeitar os candidatos que decidem avançar à Presidência da República. Não há contaminação alguma. Expressam os seus apoios e cabe aos políticos definir a sua intervenção política. É isso que continuarei a fazer. Os portugueses sabem o meu percurso político. Quero é ser o Presidente da República de todos os portugueses”, destacou antes de terminar, dois minutos depois da meia-noite, com uma mensagem de agradecimento aos delegados, mandatários. Concluiu-se a noite com o hino de Portugal cantado a plenos pulmões.

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Seguro: "Todos são bem-vindos, não há reserva de admissão"
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