Mariana Leitão e João Cotrim de Figueiredo apontam demissão como a única saída para Luís Neves.
Mariana Leitão e João Cotrim de Figueiredo apontam demissão como a única saída para Luís Neves.Luís Forra / Lusa

Liberais convergem nos apelos à saída de Luís Neves do Governo

Mariana Leitão diz que ministro "alimenta o populismo" e lamenta que falte coragem a Montenegro para o demitir, "por razões que só ele saberá". Amorim Lopes, Cotrim de Figueiredo e Rocha querem saída.
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A presidente da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, reafirmou nesta terça-feira que Luís Neves "não tem condições para continuar ministro da República Portuguesa", acusando-o de alimentar o populismo, em vez de o combater, como o titular da pasta da Administração Interna garantiu estar empenhado em fazer.

Numa reação às declarações de Luís Neves, numa cerimónia da PSP na Madeira, Mariana Leitão recorreu às redes sociais para defender que a sua permanência no Governo "destrói a imagem da Polícia Judiciária, arrasta o Governo e impede-o de se concentrar em governar, colocando-o em crise permanente". E acrescentou que "reforça de forma grave a narrativa populista" em Portugal, patente na forma como o Chega tem aproveitado aquilo que André Ventura descreve como "uma sucessão de casos mal explicados e ligações perigosas".

Dirigindo-se a Luís Montenegro, a líder da Iniciativa Liberal disse ser "absolutamente irresponsável deixar que Luís Neves continue no Governo". E acrescentou que, "se o primeiro-ministro não tem coragem para o demitir, por razões que só ele saberá", cabe ao ministro da Administração Interna "colocar a nação à frente da sua lamentável circunstância pessoal e demitir-se".

Idêntica posição teve o vice-presidente e líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, para quem Luís Neves "não tem quaisquer condições políticas para continuar a ser ministro da Administração Interna". Referindo-se ao discurso do governante nesta terça-feira, no qual este disse que "a mim não me intimidam, jamais me intimidarão", e que "podem continuar a gritar, eu vou continuar a governar", Amorim Lopes comparou o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária a José Sócrates, fazendo notar que "este estilo animal feroz tem precedentes e não augura nada de bom". Sobretudo por "estar tão agarrado ao poder".

Também o antigo líder do partido, atual eurodeputado e candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo, aproveitou o seu espaço de comentário na SIC Notícias para defender que, "pela defesa da ética democrática e da Polícia Judiciária", a demissão é a única saída possível para Luís Neves.

Rocha acusa Neves de tratar Montenegro e Seguro como "bananas"

Mais cáustico, o deputado Rui Rocha, outro antigo líder da Iniciativa Liberal, partilhou nas redes sociais um vídeo a dizer que "Luís Neves tem o regime nas mãos e faz o que quer", pelo que se negou a dar quaisquer explicações sobre as polémicas em torno dos seus mandatos enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária.

"Ele falou hoje para mandar um recado ao primeiro-ministro e, já agora, ao Presidente da República. Ele marcou estas declarações para dizer: 'Vocês são uns bananas, eu tenho-vos na mão. A mim, Luís Neves, que sou o dono disto tudo, ninguém me demite.'", disse Rocha, prevendo que Luís Montenegro e António José Seguro "vão engolir", pois o titular da pasta da Administração Interna "tem o regime na mão".

Ainda segundo o antecessor de Mariana Leitão na liderança da Iniciativa Liberal, apesar de tudo houve "muita sorte" por Neves "não ter demitido Luís Montenegro, porque é isso que ele está a fazer, dia a dia", numa sucessão de desautorizações que prevê levar a que "vá chegar o dia em que ele diga ao primeiro-ministro para ir para casa".

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