Ficou a pouco mais de 200 votos de ser eleito deputado quando tinha 19 anos, enquanto cabeça de lista do PSD ao círculo de Portalegre nas legislativas de 2022, mas ainda não ter conseguido um mandato na Assembleia da República não travou a ascensão de João Pedro Luís na Juventude Social Democrata (JSD). Depois de ter sido o secretário-geral da organização juvenil durante o mandato de João Pedro Louro, que deixa a liderança no congresso que decorre neste fim-de-semana, em Viseu, por atingir o limite de idade, o jovem de 24 anos defende que a organização responda "com a força da moderação e do equilíbrio" aos anseios da juventude portuguesa. Pela primeira vez desde 2020, quando Alexandre Poço derrotou Sofia Matos, há dois candidatos à liderança da JSD, com João Pedro Luís a enfrentar Clara de Sousa Alves, que foi deputada na anterior legislatura, pelo círculo de Bragança, e é agora adjunta da ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho.Mesmo sendo difícil ser juiz em causa própria, tendo em conta que é o atual secretário-geral da JSD, o que correu melhor neste mandato e o que precisa de ser alterado?Este mandato representou um grande aumento da relevância e da força política que temos nos centros de decisão. É um facto que tem de ser assinalado. A JSD tem hoje um grupo de deputados na Assembleia da República invejável, em quantidade e qualidade.Maior que o grupo parlamentar do Livre, por exemplo.Tal como tem um grupo de deputados na Assembleia Legislativa Regional da Madeira, um grupo de deputados na Assembleia Legislativa Regional dos Açores e cerca de sete centenas de autarcas espalhados pelo país. Entre presidentes de Junta de Freguesia, presidentes da Assembleia Municipal, membros de assembleia municipais, membros de assembleias de freguesia, tem vereadores que são líderes de oposição, vereadores com pelouros e inclusive uma presidente de câmara municipal..Clara de Sousa Alves: "Muitas vezes confunde-se silêncio com lealdade. A JSD não se deve silenciar" .Raquel Soares Lourenço, a presidente da Câmara de Sobral de Monte Agraço.De quem, já agora, me orgulho muito de poder contar com o apoio. A JSD conseguiu neste mandato ter mais força, mais representação e mais voz nos centros de decisão política. Isso representa uma grande oportunidade para que possa potenciar as vozes que tem no poder nacional, regional e local, e implementar uma nova agenda mobilizadora para as novas gerações. Uma agenda para a juventude portuguesa, que só é possível se tivermos convicções e posições firmes, se o país político - e os jovens em particular - percecionar com clareza o que pensamos, o que defendemos e as nossas prioridades. Este mandato deu-nos uma grande oportunidade, em virtude de termos aumentado a nossa representação, de dar um passo em frente. De, com outras condições, afirmarmos uma agenda mais forte na praça pública, em termos de prioridades, causas, bandeiras e posições muito firmes, que os jovens reconheçam. Mas reconhece que há coisas que precisam de ser alteradas?Uma organização com a história da JSD, com 52 anos, que nos orgulham a todos, e a mim em particular, tem de ter sempre a ambição de fazer mais e melhor. E acho que este é o tempo para a JSD iniciar um novo ciclo. Sem dúvida nenhuma. Com uma nova ambição, com uma nova equipa, com uma nova atitude e com uma nova agenda. Neste momento, quais são os principais argumentos para convencer um jovem interessado na política a inscrever-se na JSD e não em organizações à esquerda ou à direita? A primeira questão é que temos de conseguir motivar os jovens para se interessarem pela coisa pública. Esse interesse é inerente à juventude portuguesa, mas é importante que as organizações partidárias de juventude consigam ser atrativas e próximas da realidade dos jovens. Em comparação com os nossos competidores diretos, há uma grande diferença entre a JSD e as juventudes partidárias à sua esquerda e à sua direita, que é a força da moderação e do equilíbrio. Mas nunca confundiremos ser equilibrados e moderados com não ter posição. A JSD tem de ser uma estrutura cuja posição não se presume e não se adivinha - é afirmada e determinada por nós. A JSD ainda concorre pela atenção dos jovens com a Iniciativa Liberal, que não tem organização juvenil...No combate com as várias organizações políticas, as que têm juventude partidária formalizada e as que não a têm, a JSD conta com uma grande arma política na força da moderação e do equilíbrio. Continuo muito crente de que a maioria dos jovens portugueses acredita que é na moderação que está o futuro e o progresso do país. Mas a moderação não pode ser indefinição. Os jovens não podem ter dúvidas sobre as posições e convicções da JSD. Até que ponto a JSD pode fazer exigências ao Governo nas políticas que têm impacto nos jovens, a começar pelo Pacote Laboral? Num contexto em que o PSD lidera o Governo, a JSD tem uma responsabilidade acrescida. Neste momento, não se exige só que enumere problemas e tenha as melhores propostas e soluções. Exige-se mais. A JSD tem de ser ambiciosa com o Governo, e exigente consigo própria. À JSD exige-se, neste novo panorama, que seja capaz de influenciar as políticas públicas. Temos de conseguir ser quem melhor interpreta os anseios das juventudes portuguesas, mas exige-se resultados e temos de conseguir influenciar a decisão política. Isso faz-se com força política, naturalmente, mas com uma agenda que continua a ser a agenda da JSD, com propostas da JSD e objetivos da JSD, independentemente de quem está a liderar o Governo. Qual é o balanço das medidas já implementadas pelos executivos da AD e o que mais pode ser feito em matérias como a fiscalidade?É justo reconhecermos que o Governo tem dado uma centralidade indiscutível às novas gerações portuguesas. A JSD reconhece-o, esta candidatura reconhece-o, e vê como um grande avanço a centralidade política que o Governo do primeiro-ministro Luís Montenegro, liderado pelo PSD, tem dado à juventude portuguesa. Sou novo, como se sabe, mas não sei se na história da democracia portuguesa houve algum Governo que lhe desse esta centralidade política palpável e concreta do ponto de vista das iniciativas legislativas. Reconhecendo aquilo que tem sido feito, no IRS jovem, nos apoios à Habitação Jovem e noutras temáticas, temos de ter uma mensagem de ambição e exigência. Continuamos a ter caminho para fazer, e a JSD cá estará para influenciar publicamente as políticas públicas do Governo que o PSD lidera, nas mais variadas áreas, reconhecendo que estamos melhor. Até porque continua a haver muitos jovens a emigrar e há todos aqueles que saíram de Portugal e não voltaram.Naturalmente. Estamos substancialmente melhor do que estávamos no tempo do PS, a centralidade política que o Governo deu às novas gerações é inquestionável, e a JSD aplaude-a, mas há caminho para fazer e a JSD tem de ser ambiciosa e exigente consigo própria, com o partido e com o Governo, procurando ser quem melhor representa e interpreta os anseios das novas gerações.O que é que a JSD considera necessário para que a educação prepare os jovens portugueses para um futuro tão incerto quanto aquele que temos pela frente?Nesta candidatura tem uma centralidade indiscutível. Quando falamos de educação estamos a falar de dar aos jovens portugueses competências para a vida. Temos de ver a questão de forma transversal e procurar que a escola seja uma experiência de crescimento que não se limita a promover o armazenamento de conteúdos. A literacia financeira, política e digital tem de ter uma maior preponderância nos programas curriculares. E temos de percecionar que o sistema educativo português foi concebido para uma realidade, mas que hoje está drasticamente diferente e assim vai continuar. A inteligência artificial está a mudar o mundo como o conhecemos. Será a grande área de transformação da nossa vida coletiva, que mais influenciará nos próximos largos anos e naturalmente que a educação tem de se adaptar. Não podemos conceber um sistema educativo que não veja na inteligência artificial um parceiro e uma área de intervenção que precisa de ter maior participação nos programas curriculares. Uma das novas preocupações que a sua lista traz para a JSD é o tema da segurança. Isso pode ser encarado como uma concessão ao Chega?Claramente que não. O Chega não é, nem pode ser, dono de nenhum tema, muito menos do tema da segurança, que nesta candidatura tem um papel central, sendo até uma das prioridades, porque é, no nosso entendimento, uma das prioridades da população portuguesa e das novas gerações. Conosco não haverá temas que são do Chega. Uma JSD com convicções e posições firmes tem de ter coragem para as defender, independentemente da interpretação se são mais próximas do PS ou mais próximas do Chega. O que pode fazer em concreto a JSD para garantir que o PSD se renova e mantém a posição que os estudos de opinião atribuem à AD no eleitorado jovem? A JSD teve sempre uma grande responsabilidade na renovação dos quadros do partido. Tem uma dimensão de formação política com um ex-líbris, a Universidade de Verão, que ocorre todos os anos em agosto, em Castelo de Vide. Formar politicamente os quadros da JSD é prepará-los para melhor poderem servir as suas comunidades nas mais diversas formas. A JSD é a maior escola de formação política em Portugal e assim tem de continuar. Só com essa capacidade formativa interna, em que a JSD consegue ter uma panóplia de quadros preparados para ser parte ativa da renovação do PSD. Só com mais jovens capacitados para servir o partido, as suas comunidades e o país, é que conseguimos continuar a fazer um caminho, que temos vindo a fazer, de grande identificação entre as novas gerações e o projeto político que lideramos no país.Quando alguém se candidata à JSD é possível não ter em conta que entre os anteriores líderes há um antigo primeiro-ministro, um atual secretário-geral e dois atuais vice-presidentes do PSD, o atual presidente da Câmara do Porto e uma atual ministra? É impossível ignorar esse facto. A JSD tem uma história de 52 anos, é uma grande organização da democracia portuguesa, e tenho muito orgulho na história da JSD. Não concorro à JSD a criticar a sua história nem a criticar as anteriores lideranças. Naturalmente que ser líder da JSD é uma grande responsabilidade. E ser candidato à liderança é uma decisão que foi muito ponderada e refletida, que resulta da avaliação de dois fatores: vontade pessoal e condições políticas.