O Governo indicou esta quinta-feira, 30 de abril, que o antigo autarca e governante Macário Correia vai liderar a empresa Aqua SA que vai gerir e executar os projetos da estratégia “Água que Une”, anunciou o primeiro-ministro.Luís Montenegro falava no final da reunião do Conselho de Ministros, que se realizou na Ovibeja, em Beja.A criação da empresa para gerir os projetos neste setor já tinha sido anunciada no início de outubro pela ministra do Ambiente e Energia.Montenegro destacou “a confiança na capacidade executiva de realização e conhecimento” do antigo secretário de Estado do Ambiente, que foi também presidente das Câmaras de Tavira e de Faro, no Algarve.“Basta conhecê-lo para saber que, a partir de hoje, os senhores ministros vão ter que se haver para responder rapidamente a todas as solicitações e todos os outros departamentos com os quais se vai cruzar. Faz parte da idiossincrasia dele e faz parte do espírito que nós queremos de resolver, de acelerar”, disse.Montenegro comparou a aposta do atual Governo na estratégia “Água que une” – com mais de 1.500 milhões de euros a serem executados atualmente – com a visão do antigo primeiro-ministro Aníbal Cavaco Silva quando avançou para a construção da barragem do Alqueva.“O Alqueva é um magnífico projeto que está em desenvolvimento e que corresponde a esta visão estratégica. Esteve várias vezes bloqueado, adiado, até que em 1995 o professor Cavaco Silva teve precisamente a visão e a coragem de, por assim dizer, rematar a baliza e criar a comissão instaladora da empresa do Alqueva e a partir daí colocar em funcionamento todo este perímetro de desenvolvimento”, recordou.Segundo o primeiro-ministro, o atual executivo PSD/CDS-PP está “exatamente nessa senda”, com a estratégia “Água que Une”, de gestão de todos os recursos hídricos de norte a sul do país, direcionada “para garantir que a água não falta nos sítios onde tradicionalmente há mais possibilidade de isso acontecer”.Montenegro explicou que a empresa Aqua SA, agora criada no perímetro do grupo Águas de Portugal, irá “coordenar a implementação, a construção e o financiamento das infraestruturas previstas neste domínio e que já estão neste momento no terreno”.“Nós temos mais de 1.500 milhões de euros, neste momento, a serem executados no âmbito do projeto ‘Água que Une’, quer na sua vertente mais ligada à parte ambiental, à parte de garantia de investimentos de barragens, de sistemas de abastecimento, quer na parte diretamente ligada à agricultura”, disse.No âmbito do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR), o Governo já anunciou a construção de quatro barragens: Girabolhos, Alportel, Foupana e Ocreza.O primeiro-ministro aproveitou este Conselho de Ministros temático e descentralizado – que quer tornar uma iniciativa mensal – para reiterar a importância que o Governo atribui ao setor primário como estratégico para a economia. .Tempestades. Moratórias de crédito prolongadas por mais 12 meses. O chefe do Governo afirmou também que o Conselho de Ministros aprovou o prolongamento por mais 12 meses das moratórias de crédito atribuídas a empresas, instituições sociais e famílias.A medida, já anunciada na quarta-feira por Luís Montenegro, durante o debate quinzenal no parlamento, destina-se a permitir que empresas, instituições sociais e famílias "possam usufruir de um período maior isento do pagamento de capital e de juros dos seus empréstimos", caso necessitem.Na sequência das tempestades que afetaram o país em janeiro e fevereiro, o Governo anunciou inicialmente a criação de moratórias de créditos nos empréstimos às empresas e no crédito à habitação própria e permanente dos particulares, durante um período de três meses, que é agora prolongado por mais 12 meses, até final de abril de 2027..Governo apoia regadio com 60 milhões de euros e fertilizantes com 20 milhões de euros.Ainda no Conselho de Ministros desta quinta-feira, o Governo aprovou apoios de 60 milhões de euros para reabilitar infraestruturas agrícolas afetadas pelo mau tempo e de 20 milhões de euros para os agricultores expostos ao aumento de preço da energia e fertilizantes, anunciou o primeiro-ministro.O "apoio financeiro excecional" de 60 milhões de euros, destinado a reabilitar infraestruturas agrícolas afetadas pelo mau tempo, foi descrito por Luís Montenegro como sendo "um apoio ao regadio".Já a criação de um incentivo de 20 milhões de euros é orientado para compensar os sistemas produtivos agrícolas mais expostos ao aumento dos custos com energia e com fertilizantes por causa do conflito no Médio Oriente.O chefe do Governo disse ainda que os apoios, apesar de serem ações conjunturais, são fundamentais para que os setores agrícola e de agropecuária possam enfrentar "com maior robustez os desafios" criados pelo mau tempo e pela guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.A reunião do executivo foi focada "em questões estruturais e conjunturais da agricultura e pecuária", atividades que Luís Montenegro designou como "estratégicas para a segurança e autonomia alimentares e o aproveitamento de recursos naturais".No início de abril, o ministro da Agricultura e Mar tinha já anunciado a atribuição de apoios aos agricultores para fazer face à escalada do preço dos fertilizantes, provocada pelo conflito no Médio Oriente, admitindo que a subida dos custos estava a deixar o setor numa situação difícil.“Estou em negociação com o ministro das Finanças para novas medidas e há aumentos, como o dos fertilizantes, que temos de procurar ajudar a diminuir estes custos de produção para os agricultores”, segundo adiantou, na altura.Para o setor agrícola, o Governo lançou já um apoio extraordinário de 10 cêntimos por litro de gasóleo colorido, um reforço do rendimento ao agricultor na reprogramação do Plano Estratégico da Política Agrícola Comum (PEPAC) e uma antecipação de pagamentos, entre outras medidas.O executivo pagou 3,3 milhões de euros a 431 agricultores afetados pelo mau tempo, no âmbito do apoio simplificado de 10 milhões de euros de dotação para os concelhos em situação de calamidade e alargou os apoios às explorações agrícolas, aprovados na sequência das tempestades, a todas as áreas com “prejuízos relevantes”, mesmo que fora dos concelhos abrangidos pela situação de calamidade.Na segunda-feira, o ministro da Agricultura apelou à Comissão Europeia que adotasse um plano para os fertilizantes e o respetivo financiamento.“Abordámos também a questão dos fertilizantes, é essencial que a Comissão Europeia avance não só com um plano, como também com financiamento para este objetivo”, declarou José Manuel Fernandes, à margem da reunião do Conselho de Ministros da Agricultura da União Europeia (UE), no Luxemburgo.Recordando que Portugal foi atingido por um conjunto de tempestades entre 22 de janeiro e 15 de fevereiro, que afetou sobretudo os distritos de Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa, o ministro acrescentou que a guerra no Médio Oriente, “aumenta os custos de produção e os custos dos fertilizantes e é essencial que haja um quadro comum europeu, que as ajudas de Estado - que são importantes - não distorçam esse mesmo mercado interno e que haja uma concorrência leal e portanto que o orçamento da União Europeia possa intervir”..Subida da inflação e do custo de vida é preocupante, mas “não é ainda motivo para alarme”, diz Montenegro