O Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais (DECIR) para a Região de Leiria, afetada pela depressão Kristin, vai ser reforçado este ano, garantiu esta sexta-feira, 8 de maio, o ministro da Administração Interna.“Sim, há mais meios aqui alocados”, declarou aos jornalistas Luís Neves, numa conferência de imprensa, em Leiria, para fazer um ponto de situação sobre o trabalho desenvolvido pelo Comando Integrado de Prevenção e Operações (CIPO).O CIPO, inicialmente instalado numa viatura da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) nos Bombeiros Sapadores de Leiria e agora numa sala da mesma corporação, tem como finalidade a remoção do material combustível acumulado pelas tempestades, a limpeza de áreas críticas, a reabertura de caminhos e a melhoria de acessos.A redução do risco de incêndio rural antes do verão, num ano em que há milhares de árvores caídas devido às tempestades, é o que Governo pretende com esta estrutura, que envolve os ministérios da Administração Interna, Defesa Nacional e Agricultura e Mar.Integram o CIPO, além da ANEPC, o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, Agência de Gestão Integrada de Fogos Rurais, Guarda Nacional Republicana, Liga dos Bombeiros Portugueses e Estado-Maior-General das Forças Armadas.Ao ser questionado sobre a eventualidade do reforço do DECIR para a região, Luís Neves salientou que, “para situações de exceção, [há] respostas de exceção”, precisamente o que esteve “na génese da criação deste Comando Integrado”.Segundo Luís Neves, se o Governo “identificou, a partir de Leiria, um epicentro para o Norte, para o Sul e para o interior do país, 22 concelhos como sendo prioritários, a priorização não é só agora para o momento da limpeza, da desobstrução [de caminhos florestais], mas é, também, para a afetação de meios”.Na conferência de imprensa, que sucedeu a uma reunião de trabalho com as entidades envolvidas no CIPO, onde estiveram também os ministros da Defesa Nacional, Nuno Melo, e da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, Luís Neves adiantou que foi discutida “a posição da Base Aérea mais próxima [Monte Real, no concelho de Leiria]”, referindo que “já estão pré-posicionados nos centros de meios aéreos aeronaves que cobrem este perímetro”.Na quinta-feira, o presidente da Câmara de Leiria, Gonçalo Lopes, defendeu mais meios no DECIR para a região, na sequência da destruição da floresta devido à depressão Kristin.“Tem de haver uma preocupação acrescida, tendo em conta aquilo que foi a destruição da floresta nesta Região de Leiria, onde temos zonas muito afetadas e vai ser muito difícil limpar todo o território”, afirmou à agência Lusa Gonçalo Lopes.O presidente do município frisou que “o reforço e o pré-posicionamento dos meios junto do território mais perigoso, com risco mais elevado [de incêndio]”, devem ser acautelados, não só com meios aéreos, “mas também o reforço na prevenção”, através da presença da Guarda Nacional Republicana e “pré-posicionamento de outros meios a nível nacional, para que esta zona Centro possa estar mais protegida”.Referindo-se aos concelhos mais afetados pela depressão Kristin, em 28 de janeiro, como Leiria, Marinha Grande, Pombal e Ourém, o autarca alertou que esta região “hoje está muito exposta”.“No passado, sem árvores derrubadas, já éramos uma das zonas com maior número de ignições. Este ano, se as ignições existirem, podem ser explosivas”, avisou, reiterando ser importante a presença de mais operacionais na prevenção, na vigilância e no pré-posicionamento, para eventual combate.Em 2025, o DECIR para a Região de Leiria contou com 471 operacionais, 113 viaturas e três meios aéreos no período crítico, que compreende os meses de julho, agosto e setembro.A Região de Leiria integra Alvaiázere, Ansião, Batalha, Castanheira de Pera, Figueiró dos Vinhos, Leiria, Marinha Grande, Pedrógão Grande, Pombal e Porto de Mós..Com carga combustível excecional e sem capacidade para a remover a tempo, Leiria pede mais vigilância, prevenção e combate a incêndios