António José Seguro, Presidente da República
António José Seguro, Presidente da RepúblicaJOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Dia da Criança: Seguro destaca pobreza infantil e apela à proteção da infância para "manter acesa a chama da esperança"

Chefe de Estado realçou "estatísticas alarmantes", referindo-se a um estudo, segundo o qual, em 2024, existiam cerca de 301 mil crianças pobres em Portugal.
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O Presidente da República assinalou o Dia Mundial da Criança, celebrado esta segunda-feira, 1 de junho, com apelos à proteção da infância, destacando "estatísticas alarmantes" sobre a pobreza infantil.

O Dia Mundial da Criança é de celebração, mas a data deve igualmente convocar "para uma responsabilidade maior: refletir sobre o país que construímos diariamente para o futuro das novas gerações", defende António José Seguro, em comunicado divulgado no site da Presidência da República.

Nesta mensagem, o chefe de Estado referiu-se a um estudo da Nova School of Business & Economics (Nova SBE), divulgado recentemente e segundo o qual, em 2024, existiam cerca de 301 mil crianças pobres em Portugal. São "estatísticas alarmantes sobre a realidade das crianças em Portugal", assume Seguro.

"Sabemos que há crianças que passam fome; crianças privadas de atividades escolares, culturais ou desportivas por falta de recursos; crianças que crescem em contextos de pobreza, negligência, violência ou exclusão; crianças vítimas de abuso sexual e de violência doméstica", afirma Seguro, indicando que "por detrás de cada um destes casos há um rosto, uma infância que é forçada a enfrentar demasiado cedo o peso da adversidade". "Há sonhos que se vão apagando, talentos que ficam por revelar e caminhos que se estreitam quando deveriam abrir-se ao mundo", lamentou.

Para o Presidente da República, "a forma como protegemos as nossas crianças constitui uma das mais exigentes provas da nossa humanidade e da nossa maturidade democrática". Até porque, "quando uma criança vê o seu futuro limitado pelas circunstâncias em que nasceu, é o próprio país que falha no dever de lhe garantir dignidade, igualdade de oportunidades e esperança", considera.

Referindo que vivemos num tempo marcado "pelo agravamento das desigualdades e pela crescente exposição das crianças a novos riscos, António José Seguro faz um apelo: "Precisamos de instituições mais articuladas, de comunidades mais próximas, de escolas mais inclusivas, de famílias mais acompanhadas e de uma sociedade mais consciente do dever coletivo de proteger a infância".

Proteger a infância é "alimentar os sonhos que darão forma ao país de amanhã"

Paralelamente, refere, é também necessário "garantir a todas as crianças o direito de continuarem a sonhar, sem esquecer aquelas que vivem em situações de maior vulnerabilidade: as crianças em situação de pobreza, com deficiência ou doenças crónicas, pertencentes a minorias ou expostas à violência, ao abandono e aos riscos do ambiente digital".

"Porque proteger a infância não é apenas responder às fragilidades do presente. É manter acesa a chama da esperança. É garantir que cada criança encontra espaço para crescer livre, descobrir os seus talentos e alimentar os sonhos que darão forma ao país de amanhã", defende.

Diz, no entanto, que o país conheceu "avanços significativos na promoção dos direitos das crianças", referindo que está em curso a implementação da Estratégia Única dos Direitos das Crianças e Jovens 2025-2035. Trata-se de "um instrumento importante para uma resposta pública mais integrada e eficaz". Seguro alerta, porém, para a importância do "compromisso ativo de toda a sociedade", no âmbito das políticas públicas destinadas às crianças.

O Presidente da República destaca ainda que as crianças aprendem com o exemplo que lhes é dado, apelando a que os adultos se deixem inspirar por elas, "a olhar o outro com mais humanidade, a reconhecer na diferença uma riqueza e não uma ameaça, e a construir uma sociedade mais justa, mais livre, mais humana e mais solidária".

"Nenhuma criança nasce a odiar, a discriminar ou a excluir. Todas nascem com a capacidade de acolher, de respeitar e de acreditar", salienta o chefe de Estado.

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