Cláudia Reis Duarte e Carlos Abreu Amorim representaram o Governo no debate parlamentar.
Cláudia Reis Duarte e Carlos Abreu Amorim representaram o Governo no debate parlamentar.Gerardo Santos

Desconto no ISP aprovado por unanimidade apesar das críticas da oposição

Proposta de lei do Governo para desconto temporário no ISP até 30 de junho recebeu críticas generalizadas no hemiciclo, mas todos a aprovaram. Só Fabian Figueiredo disse que faria declaração de voto.
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A proposta de lei do Governo que mantém um desconto temporário e extraordinário no imposto sobre produtos petrolíferos (ISP) a vigorar até 30 de junho, justificada com o impacto nos preços dos combustíveis do "quadro de elevada incerteza" gerado pela crise geopolítica no Irão, foi aprovada por unanimidade nesta quarta-feira, 8 de abril.

O desfecho da votação, em que apenas o deputado bloquista Fabian Figueiredo anunciou ir fazer uma declaração de voto, acabou por ser uma surpresa, tendo em conta as críticas de várias bancadas da oposição à iniciativa do Governo. A aprovação estava garantida desde que o deputado socialista António Mendonça Mendes, antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, anunciou o voto favorável, mesmo perguntando ao Executivo de Luís Montenegro "de que está à espera para baixar dez pontos percentuais no IVA" dos combustíveis.

Por seu lado, o Chega, através do deputado Eduardo Teixeira, defendeu que o aumento do preço dos combustíveis "é um assunto sério e não vai com medidas avulsas", insistindo na proposta do partido de aplicar temporariamente a taxa intermédia de 13% de IVA aos combustíveis, que foi uma das que foram recusadas a debate e votação pelo presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, por contrariarem a norma-travão da Constituição da República Portuguesa.

A proposta fora defendida pela secretária de Estado dos Assuntos Fiscais, Cláudia Reis Duarte, como "uma resposta proporcional a uma situação extraordinária", sem contrariar as regras da União Europeia. A governante apelou ao "sentido de responsabilidade de todos os partidos" para a aprovação de um mecanismo que "tem o objetivo muito claro de proteger os rendimentos das famílias e a competitividade das empresas, sem pôr em causa o equilíbrio das contas públicas".

O desconto temporário é aplicado sempre que o aumento de preço dos combustíveis exceda um valor de dez cêntimos, na gasolina sem chumbo e no gasóleo rodoviário, em relação aos que foram praticados na semana de 2 a 6 de março.

A solução foi criticada por Rui Afonso, também deputado do Chega, que desafiou o Governo a reduzir carga fiscal direta sobre os combustíveis e descreveu o mecanismo de compensar a maior arrecadação de IVA com o desconto no ISP como "um labirinto fiscal" e uma "engenharia para proteger excedentes orçamentais".

Também não faltaram comparações com outros governos europeus, como o de Espanha, que também foi citado pelo Chega, o que motivou referências irónicas da esquerda à sua "nova paixão pelo governo socialista de Pedro Sánchez". Pelo Livre, Patrícia Gonçalves deixou a certeza de que o seu partido "faria diferente", nomeadamente através da criação de um passe de mobilidade nacional que permitisse "acelerar a mobilidade coletiva".

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