Dique no Mondego rompeu com a força das águas e um tabuleiro da A1 ruiu.
Dique no Mondego rompeu com a força das águas e um tabuleiro da A1 ruiu. Foto: Miguel A. Lopes/Lusa

Derrocada na A1. Presidente da Brisa garante que obra fica pronta amanhã e não vai pedir compensação ao Estado

Pires de Lima revelou no parlamento que os danos financeiros para a empresa são superiores a três milhões de euros, mas não irá pedir compensações: "Não queremos penalizar os contribuintes"
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O presidente da comissão executiva da Brisa, Pires de Lima, garantiu esta quarta-feira, 25 de fevereiro, no Parlamento, que a obra de reparação do troço da A1 afetado pelo abatimento da plataforma junto a Coimbra ficará concluída já amanhã, menos de três semanas depois do incidente provocado pelo mau tempo que assolou o país.

Ouvido com caráter de urgência numa comissão parlamentar da Assembleia da República, a pedido do Chega, Pires de Lima disse que a concessionária não assume responsabilidades pelo abatimento ocorrido na A1, junto a Coimbra, sublinhando que a origem do incidente esteve no dique do Mondego, que é alheio à concessão rodoviária.

"A Brisa não gere diques, ou canais de rega, nem projetos de aproveitamento hidráulico. E embora a Brisa não se possa pronunciar sobre a adoção de medidas em infraestruturas que são externas à sua concessão, não pode também assumir responsabilidades que não são suas", disse.

Pires de Lima foi claro ao afirmar que a Brisa “gere infraestruturas rodoviárias” e não diques ou sistemas de aproveitamento hidráulico, pelo que não dispunha de informação que permitisse antecipar a rutura no local onde passa o viaduto. "A Brisa gere infraestruturas rodoviárias. Gere o viaduto C, do Mondego que, aliás, entre 2023 e 2024, foi alvo de obras de requalificação, parte de uma empreitada que no total representou um investimento de quase 5 milhões de euros. O viaduto que a Brisa gere não sofreu qualquer dano estrutural", disse perante os deputados.

O gestor revelou que os danos financeiros para a empresa são superiores a três milhões de euros, valor que inclui os trabalhos de emergência e a reconstrução da plataforma da autoestrada. Ainda assim, garantiu que a concessionária não irá pedir compensações ao Estado, numa decisão que classificou como um gesto de responsabilidade social. “Não queremos penalizar os contribuintes portugueses”, afirmou.

Pires de Lima confirmou ainda que a obra de reparação ficará concluída amanhã, quinta-feira (26 de fevereiro), apenas 15 dias após o abatimento, salientando o esforço excecional desenvolvido pela empresa e pelos seus parceiros. “Por fatores absolutamente externos à Brisa, abriu-se uma cratera de grandes dimensões, mas a ligação entre Lisboa e Porto foi reerguida em tempo recorde”, disse, assumindo “orgulho” no trabalho realizado.

O responsável reiterou que a prioridade da empresa foi sempre garantir a segurança dos utilizadores e restabelecer a circulação o mais rapidamente possível, sem “calculismos” sobre responsabilidades ou custos. Após a conclusão da obra, a Brisa irá solicitar ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes a verificação das condições de segurança, com vista à reabertura total do sublanço entre Coimbra Sul e Coimbra Norte nos próximos dias.

"Para situações extraordinárias, mobilizámos meios extraordinários. Em poucos dias, mais de 9 mil toneladas de material pétreo foram depositadas para impedir a erosão do aterro e proteger a área afetada. Todos os dias estiveram no local mais de 70 trabalhadores e técnicos. Foram mobilizados mais de 50 meios – entre equipamento técnico e transporte –, e 35 camiões percorreram mais de 80 mil quilómetros para transporte das rochas que compuseram este enrocamento. Seguiram-se depois os trabalhos de estabilização da laje de transição e, finalmente, a reconstrução da plataforma no sentido Sul-Norte. 24 horas por dia, sete dias por semana", descreveu.

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