Vitório Rosário Cardoso é um dos representantes dos militantes de Fora da Europa no Conselho Nacional do PSD.
Vitório Rosário Cardoso é um dos representantes dos militantes de Fora da Europa no Conselho Nacional do PSD.Foto: Joao Pedro Domingos/PSD

Crítico de Luís Neves quer convocar Conselho Nacional do PSD

Iniciativa teria de ser apoiada por um quinto dos membros, o que é improvável. Vitório Rosário Cardoso alega que manutenção do ministro põe em causa "regular funcionamento das instituições do Estado".
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O dirigente social-democrata Vitório Rosário Cardoso, que tem sido um dos maiores críticos do ministro da Administração Interna, Luís Neves, dentro do partido, apelou neste domingo à convocação extraordinária do Conselho Nacional do PSD, que só está previsto reunir-se em setembro.

"Face à atual situação política do país, o PPD/PSD deve convocar o seu Conselho Nacional, órgão máximo do partido entre congressos. O partido e os seus militantes eleitos têm de saber o que se está a passar com o Governo, assim como as vozes das bases têm de ser ouvidas. Está em causa o regular funcionamento das instituições do Estado", defende o conselheiro nacional, numa publicação partilhada nas suas redes sociais.

Para a convocação extraordinária do órgão máximo do partido entre congressos, que seria a primeira desde a eleição da sua atual composição, no Congresso do PSD na Anadia, é necessário um requerimento potestativo subscrito por um quinto dos membros do Conselho Nacional ou por dez comissões políticas distritais ou regionais, podendo o mesmo ser feito pela Comissão Política Nacional ou pela direção do grupo parlamentar.

Todos esses cenários são improváveis, mas Vitório Rosário Cardoso, que é conselheiro nacional em representação dos militantes de Fora da Europa, disse ao DN que espera convencer outros críticos de Luís Neves a apoiarem a sua iniciativa. Tendo em conta que há 70 membros efetivos eleitos em congresso, mais as lideranças de estruturas distritais e regionais, e ainda os representantes das estruturas autónomas Juventude Social Democrata e Trabalhadores Sociais Democratas, calcula que teria de assegurar cerca de 30 subscritores.

Fontes sociais-democratas contactadas põem em dúvida que seja possível tamanha mobilização de descontentes com a manutenção do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária no Governo. As listas mais próximas da atual liderança social-democrata reforçaram o seu peso no último Congresso e à liderança de Luís Montenegro convém manter o primeiro Conselho Nacional, agora liderado pela comissária europeia Maria Luís Albuquerque - sucedeu ao presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, que se tornou um dos vice-presidentes do partido -, no mês de setembro. Altura em que o primeiro-ministro espera já ter passado a crise no Governo, e em que estará em cima da mesa a preparação da proposta de Orçamento do Estado para 2027, cuja aprovação depende de pelo menos um dos principais partidos da oposição.

Apesar de muitos militantes do PSD questionarem as notícias sobre ligações de Luís Neves ao empreiteiro João Santos Carvalho, cuja empresa Construbarcelos teve vários contratos públicos com a Polícia Judiciária adjudicados quando a entidade era dirigida pelo atual ministro, Vitório Rosário Cardoso tem sido o crítico mais assumido da sua permanência no Executivo de Luís Montenegro.

Como o DN noticiou, o conselheiro nacional que representa os militantes de Fora da Europa, conotado com a ala mais conservadora do PSD, apelou "a todos os patriotas portugueses" para estarem atentos a movimentações de pessoas próximas do ministro da Administração Interna, escrevendo nas redes sociais que "não poderemos deixar que qualquer tipo de dinâmica de bando capture o Estado Português".

No último Congresso do PSD, Vitório Rosário Cardoso fez uma intervenção em que desafiou Luís Neves a tornar-se militante do partido, garantindo mais tarde ter consciência de que este nunca o faria, "devido à sua verticalidade socialista". E instou o PSD a "cortar imediatamente qualquer ligação ao polvo do PS, dinâmicas de avental e demais socialistas, para se assumir como líder federador do centro político às direitas em Portugal".

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