Uma das últimas decisões de Luís Montenegro no final do primeiro dia do 43.º Congresso do PSD, que decorre este fim de semana (20 e 21 de junho) no Velódromo Nacional de Sangalhos, em Anadia, foi apresentar as listas para os órgãos nacionais do partido, num discurso em que procurou transmitir uma imagem de unidade, renovação e equilíbrio entre a governação e a vida interna do PSD. O líder do PSD defendeu no sábado ao final da tarde que as equipas escolhidas refletem “capacidade e vontade” do partido, conciliando titulares de cargos institucionais com militantes de base.Antes de revelar os nomes, Montenegro dedicou uma parte significativa da intervenção a agradecer o trabalho desenvolvido por Miguel Albuquerque, que deixará a presidência da Mesa do Congresso, por decisão pessoal e afastando "atrito" com a direção. Luís Montenegro destacou a forma “exigente” e por vezes “peculiar” com que Albuquerque conduziu os trabalhos ao longo dos últimos quatro anos, considerando que o PSD lhe deve “uma palavra de reconhecimento” e “de gratidão pelo serviço que cumpriu”.Sobre os órgãos nacionais, Montenegro anunciou o ministro adjunto e da Reforma do Estado, Gonçalo Matias, para presidir ao Conselho de Jurisdição Nacional, e a ministra da Saúde, Ana Paula Martins para liderar a Comissão Nacional de Auditoria Financeira. A lista ao Conselho Nacional será encabeçada pela atual comissária europeia Maria Luís Albuquerque, acompanhada, entre outros, por Teresa Morais, Luís Campos Ferreira, Pedro Reis e Sofia Ribeiro.Para a Mesa do Congresso Nacional, Luís Montenegro escolheu José Manuel Bolieiro para presidente e Rubina Leal para vice-presidente, mantendo a estratégia de apostar nas regiões autónomas na estrutura nacional do partido.Na Comissão Política Nacional, o líder social-democrata integrou vários dos principais rostos do Executivo, entre eles o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, o ministro da Presidência, António Leitão Amaro, e o ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento.Porém, a principal mensagem política surgiu na composição da Comissão Política Permanente, com o presidente do PSD a sublinhar que mantém “intacta e firme” a sua opção de reservar o órgão de condução diária do partido para dirigentes sem funções governativas. Nesse quadro, propôs o eurodeputado Sebastião Bugalho como vice-presidente e porta-voz, além do presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, Alexandre Poço e Inês Palma Ramalho. Leonor Beleza mantém-se como a primeira vice-presidente do partido, explicou.O primeiro-ministro justificou esta escolha com a necessidade de garantir ao PSD uma reflexão própria e independente da atividade governativa. Segundo afirmou, é importante que no órgão permanente do partido exista “a capacidade militante, que pode ter também o distanciamento da governação do país”, permitindo trazer “o seu contributo, o seu conhecimento, a sua experiência” e uma análise da realidade que “pode e deve ser observada de fora para dentro”.A proposta contempla ainda a recondução de Hugo Soares como secretário-geral, depois de Montenegro ter brincado com o facto de se ter esquecido inicialmente de o mencionar: “Não mudou, é o Hugo Soares”..Congresso do PSD: "Não alinhados" com Luís Montenegro apresentam lista conjunta ao Conselho Nacional.Leitão Amaro acusa André Ventura de ser "um travão do progresso e um adversário da juventude".Ana Paula Martins admite ser a "ministra menos popular", mas desvaloriza "barómetros de quem comenta".Luís Montenegro: "As oposições vibram com a politiquice e destratam a mudança"