Luís Montenegro: "As oposições vibram com a politiquice e destratam a mudança"
"Chegamos aqui unidos e, tenho a certeza, sairemos daqui mais coesos", disse Luís Montenegro este sábado, 20 de junho, na abertura do Congresso do PSD, que decorre este fim de semana na Anadia. O presidente do partido apelou a uma "discussão livre, aberta e com sentido crítico", garantindo: "Teremos o foco no futuro, sem intrigas e sem politiquice, com verdade, com reformismo e com coragem de ação. Estamos a governar para todos, pensando em cada um".
"Este Portugal não está igual ao que encontrámos há dois anos atrás. Estamos a trabalhar para fazer Portugal maior, moderno, arrojado e arejado, solidário entre regiões e gerações. Esta transformação, este reformismo está a acontecer”, defendeu, dizendo que “são tantos os que reclamam que mude tudo, mas que verdadeiramente desejam que tudo continue na mesma". E garantiu que responde com trabalho ao imobilismo e falta de coragem.
“Como ainda ontem se viu com especial nitidez, as oposições vibram com a politiquice e destratam a mudança. Falta-lhes a coragem, a firmeza e o sentido de responsabilidade”, atacou, numa referência à votação da reforma laboral, na sexta-feira, que foi chumbada com votos da Esquerda e do Chega. "Falta-lhes a coragem, falta-lhes a firmeza e o sentido de responsabilidade”, acusou.
Montenegro considerou que “não é preciso grande coragem” para bloquear soluções ou “ser teleguiado por comentadores-mentores ou pelas tendências das redes sociais”. “Mas para ousar, mudar, para convergir, para negociar, para saber ceder, para isso é preciso ter verdadeira coragem”, considerou.
Para o presidente do PSD e primeiro-ministro, a mensagem dos portugueses nas últimas eleições foi dar ao PS e ao Chega “igual nível de responsabilidade” para “dialogar e colaborar” com o Governo.
Luís Montenegro acusou o PS de uma "estratégia política manhosa" quando se posiciona de uma forma em que parece querer “obrigar a AD e o Governo a negociar exclusivamente com o Chega”. “Com esta atitude pretende depois dizer: eles estão juntos, eles são uma linha conjunta e nós somos a alternativa”, defendeu.
Quanto ao Chega, sem o citar diretamente, disse que está a ter um comportamento que “se inspira na agitação permanente, na irresponsabilidade, quando não, muitas vezes, na imaturidade”.
“Em ambas as circunstâncias, o que nós temos visto é permeabilidade aos interesses pessoais, aos interesses de determinados segmentos e não a preocupação com o interesse nacional”, criticou.
“Nós temos cumprido os nosso compromissos”, defendeu neste discurso em que garantiu não estar preocupado com o seu futuro político e em que referiu que o caminho até ao final da legislatura será de “humildade, resistência, persistência, proximidade, com muita ambição para Portugal”.
"Nós não governamos por causa das eleições, mas a causa de ganharmos eleições é governarmos bem", considerou.
Antes, à chegada ao Congresso, no Velódromo de Sangalhos, o presidente do PSD afastou um cenário de crise política a prazo em Portugal, defendendo que não tem nenhuma correspondência com a realidade do país, embora a comunicação social “tenha sempre muitas razões para dissertar”.
Luís Montenegro não quis falar aos jornalistas à entrada para o congresso, alegando que o faria numa intervenção de fundo.
“Já falo convosco a partir do púlpito do congresso. Depois, saberão o que tenho a dizer ao congresso e ao país. Farei então a minha análise da situação política”, declarou.
Interrogado pelos jornalistas se o chumbo da proposta do Governo de revisão das leis laborais, na sexta-feira, no parlamento, coloca a prazo um cenário de crise política, o primeiro-ministro sorriu e comentou: “Os senhores têm sempre muitas razões para dissertar sobre muitas coisas que não têm nenhuma correspondência com a realidade”, reagiu.
Luís Montenegro foi também por várias vezes questionado se Pedro Passos Coelho, antigo primeiro-ministro e presidente social-democrata “faz falta” ao congresso do PSD, mas o atual líder do executivo nada disse.
*Com Lusa

