O grupo municipal do CDS-PP na Assembleia Municipal de Lisboa anunciou nesta segunda-feira que irá apresentar uma recomendação para que o militar Marcelino da Mata, nascido na Guiné-Bissau e falecido em 2021, tenha o seu nome atribuído a uma rua da capital, acrescentando que o partido tomará igual iniciativa na Assembleia Municipal do Porto. Isto sucede depois de uma recomendação do PSD no mesmo sentido ter sido chumbada na semana passada pelos deputados municipais dos partidos de esquerda, da Iniciativa Liberal e da eleita centrista Helena Ferro de Gouveia.O "voto individual, não respeitando a orientação do partido, nem do grupo municipal", da antiga jornalista Helena Ferro de Gouveia foi criticado no comunicado do grupo municipal, na medida em que "o posicionamento individual de qualquer representante do CDS-PP não pode comprometer o entendimento estrutural do partido quanto a figuras maiores da nossa história coletiva".Os centristas destacam que o tenente-coronel Marcelino da Mata é o militar mais condecorado do Exército Português e um dos fundadores dos comandos na Guiné-Bissau, durante a Guerra do Ultramar, "destacando-se pela sua coragem, liderança e dedicação em teatro de operações, num dos períodos mais exigentes da História de Portugal".Na sua declaração de voto, que partilhou nas redes sociais, Helena Ferro de Gouveia, que nasceu em Bissau, no ano de 1971, disse que o seu voto contrário à proposta do PSD foi ditado por "motivos de consciência", referindo-se à sua experiência de filha de ex-combatente na então província ultramarina, que conhece "relatos na primeira pessoa dos que passaram por lá". Sobre Marcelino da Mata, a deputada municipal centrista disse que "obedecia a ordens e cumpria objetivos políticos, a manutenção do império e da ditadura salazarista, e fê-lo da forma mais cruel e desumana".. Pelo contrário, o comunicado do grupo municipal a que pertence refere-se a Marcelino da Mata como "símbolo maior de coragem, serviço e entrega a Portugal, amplamente reconhecido ao mais alto nível do Estado".Durante a discussão da proposta do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa, as controvérsias quanto à figura de Marcelino da Mata foram recordadas pela esquerda. A deputada municipal comunista Sofia Lisboa descreveu o militar como "alguém que optou por trair o seu próprio povo e servir os interesses do chamado império português", acrescentando que "cometeu crimes de guerra e se vangloriava disso". Por seu lado, o bloquista Rodrigo Machado acusou os social-democratas de omitirem que quase todas as suas condecorações foram atribuídas "na época do Portugal fascista" e João Monteiro, eleito pelo Livre, criticou as "práticas sangrentas" do comando no combate ao PAIGC. Por seu lado, o socialista Miguel Coelho argumentou que a proposta pretendia uma "reabilitação do colonialismo português" e não homenagear o luso-guineense..Marcelo e várias patentes militares no funeral de Marcelino da Mata.Marcelino da Mata. "As memórias foram enterradas vivas e nunca foi feito o funeral"