O PS de Cascais anunciou na noite de segunda-feira, 23 de fevereiro, que devolveu os pelouros que exercia na autarquia do distrito de Lisboa, após a decisão do PSD de integrar o Chega na governação e de lhe atribuir "responsabilidades executivas"."Esta decisão resulta de um princípio político claro e publicamente assumido: o PS não integrará um executivo municipal em que o Chega tenha pelouros", pode ler-se, num comunicado da Concelhia de Cascais do PS.Os socialistas referem que perante a opção do PSD em Cascais, que lidera a autarquia por Nuno Piteira Lopes, não podem "por coerência e responsabilidade, contribuir para um modelo de governação que normalize a presença de uma força política cujas posições são incompatíveis com os valores democráticos e humanistas que o PS sempre defendeu".A coligação PSD/CDS-PP perdeu, após seis mandatos seguidos, a maioria absoluta em Cascais nas eleições autárquicas de outubro, com a candidatura Viva Cascais, liderada por Nuno Piteira Lopes, a conseguir para a câmara municipal 30.258 votos (33,84%), com cinco eleitos.A candidatura do PS obteve 14.460 votos (16,17%), elegendo João Ruivo e Alexandra Carvalho, e em terceiro lugar ficou o independente João Maria Jonet, que conseguiu 13.203 votos (14,77%), com António Castro Henriques, à frente do Chega, com 12.954 votos (14,49%) e dois eleitos, Pedro Teodoro dos Santos e João Rodrigues dos Santos.O PS tinha um acordo com a coligação PSD/CDS-PP.João Ruivo, presidente do PS/Cascais e vereador eleito, defendeu ainda, citado na nota de imprensa, que "Cascais precisa de uma governação que devolva sentido ao concelho"."O PSD escolheu integrar o Chega no executivo. O PS não acompanha essa escolha e não assumirá pelouros num executivo onde o Chega tenha responsabilidades governativas", frisou.A Concelhia de Cascais do PS garantiu também que irá continuar a "cumprir o seu dever de representação e serviço público, assumindo uma oposição firme, construtiva e próxima das pessoas, e apresentando soluções para os problemas reais do concelho"."Cascais não precisa de espetáculo nem de propaganda, e não pode resignar-se a ver o poder municipal normalizado com a entrada do Chega no governo. Precisa de respostas, planeamento e seriedade", concluiu..Capitais de distrito conseguem orçamento e estabilidade ao desviar vereadores