José Luís Carneiro definiu no 25.º Congresso do PS o objetivo de "reconquistar a confiança das portuguesas e dos portugueses e unir o partido".
José Luís Carneiro definiu no 25.º Congresso do PS o objetivo de "reconquistar a confiança das portuguesas e dos portugueses e unir o partido".Foto: Leonardo Negrão

Carneiro foi a Viseu deixar uma mensagem para o exterior: "Estamos vivos"

A ausência mais presente nas intervenções dos militantes na reunião magna socialista foi o PSD, que, como acusou Alexandra Leitão, está a "queimar pontes com o PS e fazer pontes com o Chega".
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Viseu acolheu o 25.º Congresso do PS, que decorreu entre 27 e 29 de março com um mote: "Avançamos todos." A prova de vida do partido surgiu quando o líder socialista, José Luís Carneiro, lembrou que assumiu a liderança do PS num "momento difícil", em que "muitos questionavam" o "futuro" e determinavam a entrada do PS "em declínio". Referia-se ao resultado eleitoral de maio de 2025, nas legislativas, quando, pela primeira vez em democracia, a bancada socialista ficou relegada para um terceiro lugar no hemiciclo, com uma representação de 58 deputados. O segundo lugar viria a ser do Chega, com 60 deputados, que têm influenciado a condução dos destinos do país. E isso foi lembrado ao longo da reunião magna do PS. 

"Hoje podemos afirmar com serenidade que o Partido Socialista respondeu com unidade, com responsabilidade e com trabalho. E é dessa unidade que nasce a esperança", garantiu, acrescentando que os seus "objetivos foram reconquistar a confiança das portuguesas e dos portugueses e unir o partido", até porque, acrescentou, o PS é "um partido que quer governar o país", o que implica, para que isso aconteça, que saiba "unir-se a si próprio".

Esta ideias seriam replicadas ao longo de todo o Congresso por vários militantes, que muitas vezes assumiam a aparência de ex-governantes.

Com a defesa da ideia de que o partido que lidera é a "grande expressão da pluralidade, da diversidade", que é o lhe dá força, Carneiro, enquanto continuava a dar provas de vida do PS, lembrou que, na últimas eleições autárquicas, em outubro de 2025,os socialistas confirmaram "essa grande força das nossas ideias do poder local". esta foi outra das ideias recordadas em várias intervenções.

Resumidamente, o Congresso cumpriu os objetivos para os quais foi criado, como eleger os órgãos internos do partido, como a Comissão Nacional, que acabou por ser eleita com 88,9% de votos favoráveis e uma taxa de renovação de 50,2% entre 251 membros que a compõem.

Mas as sombras do PSD e do Chega continuaram a ser afastadas e evocadas ao mesmo. Carneiro, logo na abertura, não deixou que ficasse esquecido o bloqueio na eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional, que até aqui, tinha sido decidida entre PS e PSD. No entanto, com o chega em segundo lugar na aritmética parlamentar, a negociação é diferente e esteve presente no Congrsso.

"Cabe ao Governo decidir se quer a via da moderação, em que poderá contar connosco, ou se prefere capitular perante a demagogia e o populismo", alertou o líder socialista, não evitando o tema.

"É altura de exigirmos à AD que se decida", rematou. "Se quer continuar o muro de silêncio com que recebe os nossos contributos enquanto chega a acordos com a extrema-direita ou abrir-se a convergências moderadas connosco", descreveu, concluindo que "o PS é responsável e é firme".

"Há linhas que não se negoceiam, a Constituição não se relativiza e a democracia não se instrumentaliza", defendeu, antes de lançar mais um aviso: "Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não." 

"Não por cálculo partidário, mas por dever democrático" concluiu.

A primeira noite do Congresso Nacional do PS foi encerrada com um concerto intimista de Bárbara Tinoco, que cantou para uma sala quase vazia, depois de grande parte dos militantes socialistas abandonarem o local depois de ouvirem o discurso do líder do partido.

"Queimar pontes" no bipartidarismo

Num segundo dia de Congresso marcado por repetições de preocupações, porque era o que pairava, a vereadora na Câmara de Lisboa e antiga líder parlamentar do PS Alexandra Leitão fez um diagnóstico à estratégia da direita, que passa por "acantonar o PS na extrema-esquerda e condicionar a sua atuação".

Por outro lado, em modo de ataque, a também antiga ministra da Modernização do Estado e da Administração acusou o PSD de "queimar pontes com o PS e fazer pontes com o Chega", esquecendo que os resultados das últimas legislativas mostram que uma larga maioria de eleitores defendem a Constituição.

O Congresso também reafirmou Carlos César como presidente do PS, que, na intervenção que assinalou esse momento, sustentou que "o PS é o partido de oposição mais atido pelos portugueses nas últimas eleições autárquicas, confinando a extrema-direita a uma representação irrisória na administração local".

Para reforçar esta ideia de esperança, César também lembrou que, nas eleições presidenciais, apoiaram, "no tempo e no modo adequados, o candidato que se apresentou vindo da esquerda democrática, cuja vitória pessoal é também uma vitória dos democratas e uma vitória" para os socialistas.

A ideia de justificar o equilíbrio dos resultados das legislativas com os resultados das autárquicas e das presidenciais, para além de ter sido vincada no arranque do Congresso por José Luís Carneiro, tinha sido notado, antes da intervenção de Carlos César, por Armando Mourisca, o líder da Federação Distrital de Viseu do PS, a anfitriã da reunião magna do partido.

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