José Luís Carneiro tomou a opção de não concorrer ao cargo de Conselheiro de Estado na lista do PS para as nomeações da Assembleia da República para aquele órgão de aconselhamento do Presidente da República.Carneiro preferiu entregar ao recentemente reeleito presidente do partido, Carlos César, a vaga que, à partida, estará reservada ao PS (de um total de cinco que cabem ao parlamento). Segundo o DN apurou, a decisão foi comunicada em reunião do Secretariado Nacional e Carneiro justificou que a experiência de César garante uma linha de unidade e coerência na visão do PS para o país, que é transmitida ao Presidente da República nos encontros do Conselho de Estado. A escolha de Carlos César, que já fazia parte deste órgão, foi vista como uma forma de garantir uma continuidade no posicionamento do partido nestas reuniões, mas também de assegurar uma visão que aglomere várias sensibilidades internas dos socialistas.Pelo que o DN apurou, Carneiro considera também que o Conselho de Estado não é o local para medir forças de oposição, nomeadamente com André Ventura, que será reeleito nessa função face aos votos do Chega para o efeito. Segundo fontes do PS ouvidas pelo DN, Carlos César só aceitou a atribuição por vir, diretamente, de Carneiro. Outro ponto não menos importante é Carneiro ter a convicção de que existe abertura direta, próxima, com o Presidente da República, e que António José Seguro acolherá, em reuniões oficiais, os contributos e preocupações do PS sobre a governação de Luís Montenegro.Recorde-se que Pedro Nuno Santos foi eleito Conselheiro de Estado e, como tal, esperava-se que o secretário-geral nomeado em 2025 fosse seu sucessor. Carlos César ocupava a outra vaga socialista que decorria da anterior relação de forças parlamentar. O PS avança desta vez com uma lista própria, composta por Francisca Van Dunem, Alexandre Quintanilha, Edite Estrela e Alberto Arons de Carvalho, para além do presidente do partido, que é o cabeça-de-lista, mas só deve conseguir eleger um nome.Isto porque a lista conjunta apresentada por PSD e Chega, os dois partidos mais representados no hemiciclo, deve eleger quatro das cinco figuras que representarão a Assembleia da República no órgão consultivo do Presidente da República. Leonor Beleza, já anteriomente indicada por Marcelo Rebelo de Sousa, permanece, tal como André Ventura e Carlos Moedas, acrescentando-se, dessa lista, Pedro Duarte, presidente da Câmara Municipal do Porto, que surge no quarto lugar. Pacheco Amorim, do Chega, na quinta posição da lista conjunta, não deverá conseguir a eleição, que respeita o método de Hondt.Carneiro abre porta a várias vontades no PSComo o DN noticiou, a grande novidade no Secretariado Nacional será a inclusão da ex-ministra do Trabalho Ana Mendes Godinho. Na Comissão Política há a vontade por parte do secretário-geral do PS de contar com os contributos dos ex-ministros Duarte Cordeiro, Alexandra Leitão e Fernando Medina. Esses convites vão sendo, de forma faseada, endereçados, de modo a abrir a porta à discussão interna no partido. É forma de convencer os socialistas em questão a participarem num projeto político unificado. Carneiro tem a meta de se munir de visões diferenciadas para encontrar uma proposta política alternativa e que reúna várias vontades dos vários flancos do PS. Por isso também acolhe com conforto o eventual regresso de Pedro Nuno Santos ao Parlamento, decisão que só o próprio antigo secretário-geral poderá avançar nas próximas semanas. .Ana Mendes Godinho no Secretariado Nacional de José Luís Carneiro .José Luís Carneiro nomeia Duarte Cordeiro, Fernando Medina e Alexandra Leitão para a Comissão Política