O presidente da Assembleia da República afirmou-se este sábado, 25 de abril, defensor da transparência na vida política, mas rejeitou confusões entre este princípio e os populismos baseados em “reality shows” que afastam as pessoas de participarem na atividade democrática.Aguiar-Branco falava à imprensa após ter aberto a porta principal do parlamento aos cidadãos e de ter assistido a uma atuação da Escola de Dança do Conservatório Nacional, no átrio principal da Assembleia da República.Confrontado com as críticas formuladas pelo PS ao teor do seu discurso na sessão solene do 25 de Abril, José Pedro Aguiar-Branco rejeitou que tivesse a intenção de fazer “caricatura” sobre o conjunto de leis aplicadas aos políticos e, sobretudo, recusou que desvalorize o princípio da transparência na vida política.O presidente da Assembleia da República começou por apontar que, quando se evoca o 25 de Abril, “mas também aquilo que é o presente e o futuro, até é saudável se resultar debate dessa intervenção, porque que “é um sinal de que foram tocados temas importantes”.“A reputação dos políticos e da política é algo que uns reconhecem, outros não reconhecem, mas considero que é um elemento importante também para nós termos uma democracia com mais qualidade”, defendeu.Já sobre o facto de o vice-presidente da bancada do PS Pedro Delgado Alves ter virado as costas no final do seu discurso, em sinal de protesto, José Pedro Aguiar-Branco respondeu que a sua intervenção “não foi dirigida - acho que isso ficou claro - nem a nenhum grupo parlamentar, nem a nenhum político ou deputado em particular”.“Foi dirigido a toda a classe política e também àqueles que fazem discursos fáceis contra a política e contra o sistema” democrático, apontou.Neste contexto, o presidente da Assembleia da República reiterou a sua tese de que é importante atrair talento para a atividade política.“É voz corrente dizer-se que há dificuldade em atrair talento, que há dificuldade em mobilizar as pessoas e o meu alerta foi nesse sentido”, justificou, antes de salientar que defende a transparência na vida política.“Todos somos pela transparência, eu sou pela transparência, acho que até deixei muito claro aquilo que é a diferença entre o que é necessário para haver transparência e o que são os reality shows. Acho que deixei muito clara essa diferença e que isso merece ser tratado e ponderado”, acentuou.José Pedro Aguiar-Branco realçou depois que, na sua intervenção, procurou advertir para a circunstância de haver “um excesso de incompatibilidades - e esse excesso de incompatibilidades é também um elemento que impede que haja uma maior capacidade de recrutamento daqueles que na sociedade podem e devem e desejam participar na política”.“A transparência na vida política é essencial. Eu sou para a transparência e, aliás, há vinte e tal anos que faço política e sempre defendi e defendo essa realidade como sendo importante para quem exerce um cargo público e um cargo político. Mas não podemos confundir isso com reality shows”, insistiu.O presidente da Assembleia da República advogou que deve ser feito um amplo debate sobre o conjunto de leis aplicáveis aos titulares dos cargos políticos, designadamente em matéria de incompatibilidades e conflito de interesses.“É um debate que se deve fazer com normalidade e com naturalidade. Não há temas de tabus em democracia. É importante que se fale, é importante que se escuta e é importante que se tente melhorar aquilo que deve ser melhorado”, acrescentou..Discurso de Seguro elogiado por... Ventura. Esquerda aproveita para criticar pacote laboral .Pedro Delgado Alves explica porque virou as costas a Aguiar-Branco na sessão solene do 25 de Abril