Abstenções do PS e do Livre permitem aprovação de ciclovias pela Assembleia Municipal de Lisboa
Sara Matos / Global Imagens

Abstenções do PS e do Livre permitem aprovação de ciclovias pela Assembleia Municipal de Lisboa

Vice-presidente da Câmara de Lisboa considera "positivo" que "tenham corrigido a posição inicial", pois os seus vereadores votaram contra. Proposta prevê construção de oito quilómetros já este ano.
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A aprovação pela Assembleia Municipal de Lisboa do contrato para a construção de oito quilómetros de ciclovias durante este ano, avançando ainda com projetos para mais 23 quilómetros, foi conseguida devido à abstenção dos eleitos do PS e do Livre, ao contrário do que acontecera quando o contrato de mandato entre a Câmara de Lisboa e a EMEL foi à reunião de Câmara. Nessa altura, os vereadores do PS e do Livre juntaram-se aos do Chega e do Bloco de Esquerda no voto contra, enquanto o PCP se absteve.

A proposta foi aprovada pelo executivo municipal, onde Carlos Moedas conta com maioria absoluta desde que integrou a vereadora Ana Simões Silva, eleita nas listas do Chega. Mas o mesmo não seria possível na Assembleia Municipal de Lisboa, onde os partidos da Coligação Por Ti, Lisboa (PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal) não dispõem de maioria absoluta e a abstenção dos comunistas não seria suficiente.

"Acho positivo que o PS e o Livre tenham corrigido a sua posição inicial e queiram fazer parte da solução", disse ao DN o vice-presidente da Câmara de Lisboa, Gonçalo Reis, que detém o pelouro da Mobilidade, realçando que foi ultrapassado o risco de uma quebra num tipo de investimento que "convém ter previsibilidade e continuidade".

Entre os oito quilómetros que serão concretizados, no âmbito do contrato agora aprovado, que envolve um investimento de 5,5 milhões de euros, incluem-se "soluções para pontos de descontinuidade". Gonçalo Reis destaca o caso da Rotunda do Relógio, que permitirá ligar as ciclovias da Avenida do Brasil e da Avenida Marechal Gomes da Costa, ou de Pedrouços, assegurando a passagem entre a zona de Belém e a marginal. Tal com ligações da rede a estabelecimentos de ensino da capital.

Também contemplados no Contrato de Mandato Ciclovias CML-EMEL 2026-2027 estão projetos de mais 23 quilómetros de vias cicláveis, "muitos dos quais já em fase final", num investimento de 800 mil euros, que o vice-presidente da Câmara de Lisboa antecipa virem a ser reforçados, cumprindo "a aposta do executivo camarário na mobilidade suave, na diminuição da emissões de carbono e na promoção da saúde, na redução do tráfego de automóveis, na diminuição das emissões de carbono e na promoção da saúde dos lisboetas".

PS quer monitorização trimestral de contrato com a EMEL

Pelo lado do PS, que na Assembleia Municipal de Lisboa defendeu a opção pela abstenção como uma forma de evitar a paralisação na expansão da rede de vias cicláveis na cidade, defendeu-se que a proposta apresentada é um mal menor, apesar de ser considerado insuficiente. Tal como o Livre, com o partido a realçar que "mais vale um investimento pífio do que nenhum". 

A bancada socialista também fez aprovar uma recomendação para que haja monitorizações trimestrais do contrato com a EMEL, bem como a obrigação de a Câmara de Lisboa apresentar um Plano Integrado de Ciclovias 2027-2030, "em vez de continuar a fazer quilómetros avulsos".

Contra o contrato celebrado com a EMEL votaram os deputados municipais do Chega, que vê na aposta em ciclovias uma cedência do executivo de Carlos Moedas à esquerda, e do Bloco de Esquerda, com a Assembleia Municipal de Lisboa a registar abstenções do PS, do Livre e do PCP.

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