"Qual reconciliar? António Costa é um dos maiores do PS, foi primeiro-ministro e fui membro do seu Governo durante sete anos, trabalhei com ele sete anos, estive com ele desde o início na formação da solução de Governo muito importante para o país em 2015 [a geringonça], e portanto vamos recebê-lo na nossa Academia Socialista com muita saudade de o ter connosco, de ouvi-lo sobre a Europa e sobre o mundo, sobre aquilo que ele entender partilhar connosco e com os jovens socialistas.”.Do resumo de Pedro Nuno Santos, a 15 de agosto, ao anunciar o nome de António Costa, ficou de fora a demissão que pediu a 29 de dezembro de 2022 por causa do caso da indemnização concedida à ex-administradora da TAP, que tinha sido recentemente nomeada secretária de Estado do Tesouro, e do polémico anúncio sobre a localização do novo aeroporto de Lisboa que surpreendeu o então primeiro-ministro, que não fora avisado..Esta terceira edição da Academia Socialista que terá “como objetivo preparar as próximas Eleições Autárquicas” e que é a primeira rentrée de Pedro Nuno Santos enquanto líder do partido, tem sido marcada pelo aparente extremar de posições, por parte do PS, sobre a aprovação ou não do OE2025 - a ameaça repetida de não viabilizar um Orçamento se não houver um “mínimo de diálogo e o mínimo de negociação” - e pela entrada no discurso político de um tema fraturante anunciado pela líder parlamentar do partido: o alargamento do “prazo para a despenalização da IVG a pedido da mulher” [para 12 ou 14 semanas] e a regulamentação da “objeção de consciência” dos profissionais de saúde - o Governo e o PSD há dois dias que mantêm o silêncio sobre a proposta socialista..Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, que sublinhou o facto de ainda não ter sido dado a conhecer qualquer detalhe sobre o conteúdo do Orçamento do Estado para 2025, tirou já uma conclusão: “Uns saem, outros entram, outros enchem o peito, outros mandam cartas, outros escrevem respostas, outros dizem que vão sair de coisas onde nunca estiveram... É uma novela. E pronto, nós entretemo-nos com a novela”..O anunciado “momento alto” de ontem à noite, ao jantar, o discurso do em breve presidente do Conselho Europeu António Costa, resultou, na primeira parte, numa aula sobre a Europa, “uma marca identitária” do PS, e em elogios aos Governos de Soares, Guterres, Sócrates e à eleição, em 2017, de Mário Centeno - nome apontado como candidato do PS às Presidenciais - como presidente do Eurogrupo..António Costa, para quem a “Europa é um fator de progresso”, e que falou dos vários e novos desafios europeus - do alargamento à guerra na Ucrânia, avisou os empresários portugueses que o próximo “choque de competitividade” vai obrigar à “convergência salarial” com a UE. Outro aviso: “Precisamos de uma política comercial, de uma política industrial” na Europa, de ter “maior autonomia”, porque nos “deixámos atrasar” em relação “à China e aos Estados Unidos”. E sobre política nacional? “Eu agora só ouço”..No PSD, na Universidade de Verão que já vai na 21ª edição, para além da indignação de Hugo Soares, líder parlamentar, por causa das comparações entre Costa e Montenegro - “Já ouvi até dizer que o Luís Montenegro até é muito parecido com António Costa e o PSD com o PS que governou nos últimos oito anos” -, a narrativa tem assentado na ideia de um “Governo que veio para transformar (…) que veio para resolver o problema da vida das pessoas” e, por força dos prazos europeus, na defesa da escolha anunciada há cinco dias, e contestada pela esquerda, de Maria Luís Albuquerque para comissária portuguesa..Marques Mendes, um dos convidados, até aproveitou o momento público da Universidade de Verão, fora do espaço de comentário televisivo, para reafirmar uma eventual candidatura presidencial, prometendo falar “daqui a uns meses, seja para avançar ou não”..A expectativa criada estava no “convidado-surpresa”, Maria Luís Albuquerque, comissária europeia no próximo mandato (2024-2029), que, à semelhança de Costa, também elencou os “desafios da Europa”. A social-democrata centrou-se na “competitividade”, no “envelhecimento da população”, na necessidade de um “mercado de capitais europeu”, no pilar essencial “da união económica europeia”e, sublinhou, na habitação que deve ser uma prioridade. Em síntese: “Ainda há muito que fazer na União Económica e Monetária.”.Sobre as migrações, a futura comissária defende que a Europa deve acolher, mas sem que “os valores europeus com a liberdade e a dignidade humana” sejam colocados em causa.