Rui Rio e Isaltino Morais apareceram ao lado de Gouveia e Melo na campanha pelo norte do país.
Rui Rio e Isaltino Morais apareceram ao lado de Gouveia e Melo na campanha pelo norte do país. FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/ LUSA

Presidenciais. Carneiro, Pureza, Raimundo, Rangel e Rui Rio entram em cena numa campanha com a Saúde como tema de fundo

A campanha eleitoral para as eleições à Presidência da República de 18 de janeiro prepara-se para entrar na última semana. Os candidatos começaram este sábado a apresentar alguns dos seus trunfos.
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Saúde continua a dominar e líderes partidários entram em cena

Os problemas no setor da saúde continuaram a dominar a campanha eleitoral para as presidenciais, no dia em que entraram em cena os líderes e outras figuras de vários partidos políticos.

No final de uma visita ao mercado de Braga, António José Seguro pediu “coragem política” para dar prioridade à saúde, inclusive em detrimento de outras áreas, porque "não pode faltar dinheiro” neste setor.

“Pode faltar dinheiro para muita coisa no nosso país. Não pode faltar dinheiro para cuidar da saúde dos portugueses. Essa é uma prioridade e a coragem política de que eu falo é dizer se esta é a prioridade, porventura, outras áreas, não são prioridade. O país não pode ter 100 prioridades”, defendeu o candidato apoiado pelo PS.

Por sua vez, Marques Mendes disse compreender as críticas “perfeitamente legítimas” que tem ouvido sobre saúde, mas defendeu que o problema só se resolve com mudanças estruturais, considerando que um chefe de Estado não tem de avaliar ministros.

“Eu compreendo as críticas das pessoas, as pessoas dirigiram-se a mim com preocupações mais do que legítimas (…) Enquanto não forem introduzidas algumas mudanças estruturais na organização e na gestão do Serviço Nacional de Saúde, eu acho que, infelizmente, vários destes problemas vão manter-se”, disse o candidato apoiado pelo PSD/CDS em Viana do Castelo.

Nas Caldas da Rainha, o candidato presidencial Cotrim Figueiredo disse não querer ser injusto com Marcelo Rebelo de Sousa, mas considerou que a pressão que exerce sobre o Governo em matéria de saúde é insuficiente.

Henrique Gouveia e Melo voltou hoje a atacar Seguro, criticando o “casamentos de conveniência” no PS, num discurso em que lembrou que o candidato apoiado pelo Partido Socialista falou sobre “interesses escondidos” no seu partido.

“Sou um homem ideologicamente ao centro, mas não sou do centrão dos interesses”, declarou Gouveia e Melo, atacando a seguir António José Seguro, embora sem o mencionar.

Já André Ventura remeteu para “a consciência” do presidente do PSD e primeiro-ministro uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura, num cenário de segunda volta que o oponha a António José Seguro.

“Eu não quero socialistas em lugar nenhum do país. Vai ter a consciência de Montenegro que decidir se numa segunda volta prefere ter alguém que não é do partido dele, mas que conseguiu trabalhar com ele em muitos diplomas fundamentais em prol do país, ou se quer ter um socialista que nós combatemos, que nós tentámos derrotar e que nós tentámos evitar que fosse Governo. Vai ser uma questão de consciência”, defendeu o presidente do Chega em Portalegre.

Em Lisboa, Catarina Martins, para quem os candidatos da direita parecem competir numa espécie de “Montenegrómetro”, apelou ao voto “em quem faz este país” nas eleições presidenciais, referindo-se à sua própria candidatura, e criticou os opositores à direita, afirmando que, sem esquerda, a campanha seria de “selvajaria e lama”.

António Filipe considerou que não pode ser acusado de impedir a convergência à esquerda e que essa responsabilidade pode ser atribuída a outras candidaturas que apareceram posteriormente.

“Não posso ser acusado de ter qualquer iniciativa no sentido da divisão, no sentido de impedir a unidade, impedir a convergência e, portanto, se essa responsabilidade pode ser assacada, será a candidatura que apareceram posteriormente”, afirmou o candidato apoiado pelo PCP em Ermesinde.

Nas Caldas das Rainha, Jorge Pinto também apelou ao voto dos eleitores de direita e do PAN para recompensar quem faz campanha de forma "séria e informada" e disse ter “muita certeza” de que terá um "bom resultado”.

O sétimo dia de campanha ficou também marcado pela entrada em cena de líderes partidários, como o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, o coordenador do BE, José Manuel Pureza e o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, além do número dois do Governo, Paulo Rangel e do ex-presidente do PSD Rui Rio.

Lusa

Seguro defende que próximo Presidente não pode ser “um cata-vento”

O candidato António José Seguro defendeu hoje que o próximo Presidente da República tem que ser coerente e não “um cata-vento”, referindo, onde Marcelo Rebelo de Sousa tem raízes familiares, que espera receber dele um abraço como seu sucessor.

A caravana do candidato presidencial apoiado pelo PS chegou esta tarde a Celorico de Basto, distrito de Braga, e foi de um auditório do Centro Cultural com o nome de Marcelo Rebelo de Sousa que Seguro traçou o perfil que entende que deve ser o futuro chefe de Estado.

“É por isso que o próximo Presidente da República tem que ser uma pessoa com coerência, não um cata-vento que diz o que quer em cada circunstância e que é útil aos auditórios”, apontou.

Para Seguro, o vencedor das eleições presidenciais de 18 de janeiro tem que ter “experiência, saber “ao que vá e que não aprenda no cargo”.

“Seja um Presidente da República moderado na ação, no sentido de compreender, mas firme nos valores, com capacidade de decisão, com capacidade de liderança, que aponte um rumo”, enfatizou.

Na perspetiva do candidato presidencial apoiado pelo PS, o próximo Presidente da República “tem que ser esse líder, que é capaz de apontar um caminho, um desígnio, que exija aos governos e aos partidos que eles façam o que devem”, comprometendo-se a ser esse Presidente.

“Tenho muito gosto em estar aqui nesta sala que tem o nome do atual Presidente da República e espero no dia 09 de março receber um abraço dele na transição de poderes como Presidente da República de Portugal”, disse.

Seguro leu ainda o discurso que tinha feito há quase um ano em Celorico de Basto quando um grupo de amigos lhe organizou um jantar “quando eles queriam muito, muito, muito” que fosse candidato à Presidência, mudando apenas os verbos que estavam então no condicional.

Para o candidato presidencial apoiado pelo PS, o facto de poder ler esta intervenção ”é um exercício de coerência”.

Lusa

Gouveia e Melo critica candidatos com atitude “miss mundo” e promessas de amizade com o Governo

O candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo criticou hoje os seus adversários com atitude “miss mundo” e que prometem que, se forem eleitos, vão ser amigos do Governo, contrapondo que é preciso exigência num país com baixas reformas e problemas sociais.

Gouveia e Melo falava durante a sua visita a Santo Tirso, num café, em que tinha na sua mesa o ex-presidente do PSD Rui Rio, também mandatário nacional da sua candidatura, e o presidente da Câmara de Oeiras, Isaltino Morais.

Antes de visar indiretamente alguns dos seus opositores na corrida a Belém, falou sobre os idosos cujas pensões não lhes permitem viver com dignidade.

“Temos de olhar para isso. Todos devemos acabar as nossas vidas com dignidade. Há uma coisa que não é feita: pressão constante sobre um determinado tipo de problemas, exigência, responsabilização – uma atitude que é muitas vezes esquecida, até mesmo pelos candidatos”, criticou.

De acordo com o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, alguns dos seus adversários “adotam muito uma posição tipo miss mundo”, segundo a qual “é tudo uma maravilha”.

“Já há candidatos a dizer que se chegarem em Belém vão ser amigos do Governo, porque têm medo, eventualmente, que alguém pense que vão criar instabilidade”, declarou, numa farpa que, aparentemente, foi dirigida a Cotrim Figueiredo, que escreveu recentemente uma carta ao primeiro-ministro, Luís Montenegro.

 Gouveia e Melo referiu a seguir que “ninguém quer criar instabilidade” em Portugal.

“Porém, temos de ser exigentes, exigentes connosco próprios e com os outros que servem a causa pública, porque é isso que é verdadeiramente servir a causa pública”, sustentou.

Gouveia e Melo em campanha no norte do país.
Gouveia e Melo em campanha no norte do país.FOTO: JOSE SENA GOULAO/LUSA

André Ventura diz que tudo fará para evitar que um socialista seja eleito

O candidato presidencial André Ventura afirmou hoje que, caso não passe à segunda volta, tudo fará para evitar que um socialista seja Presidente da República, renovando o repto a Montenegro para se posicionar sobre quem irá apoiar.

“Tudo farei para evitar que um socialista, um comunista, um extremista, alguém que queira destruir a nossa economia ou destruir a nossa liberdade ganhe as eleições”, disse o candidato apoiado pelo Chega, que falava aos jornalistas antes de uma arruada na Guarda.

Apesar de recusar um cenário em que não passe à segunda volta, o também presidente do Chega vincou que não quer permitir que um candidato apoiado pelo PS “volte a ter assento no Palácio de Belém”.

“Tudo farei para o derrotar. E isso significa que, podendo não gostar tanto de outros [candidatos], preferirei do que um candidato do Partido Socialista”, vincou, apelando aos restantes candidatos do seu espetro político para se pronunciarem sobre o que farão caso António José Seguro passe à segunda volta.

André Ventura renovou o repto que já lançou ao PSD e a Luís Montenegro para que esclareçam quem apoiarão numa hipotética segunda volta entre Seguro e o candidato apoiado pelo Chega.

“O socialismo em Portugal tem que acabar e temos que virar a página do socialismo. É isso que temos que fazer. Quando virarmos a página do socialismo, nós podemos começar a pensar em crescer”, disse.

Recordando que há um candidato (Gouveia e Melo) que diz que anda com as duas pernas – a direita e a esquerda –, Ventura sublinhou que Luís Montenegro tem de decidir se “quer andar com a perda direita para a frente ou com a perda direita para trás”.

“As diferenças entre o PSD e o Chega são muitas e entre mim e o Luís Montenegro também são gigantescas, mas acho que é justo dizer isto: os dois queremos – ou devíamos querer – acabar com o socialismo e com o predomínio do Partido Socialista”, acrescentou, pedindo uma clarificação de Montenegro no caso de Ventura disputar a segunda volta.

Lusa

Jorge Pinto homenageia Salgueiro Maia para pedir firmeza na proteção da democracia

O candidato presidencial Jorge Pinto homenageou hoje o capitão de Abril Salgueiro Maia, lembrando o “legado de alguém que arriscou muito” pela democracia e para dar um sinal de “que é preciso ser firme na defesa do regime”.

O final da tarde do sétimo dia de campanha oficial de Jorge Pinto ficou marcado por uma visita ao monumento de homenagem a Salgueiro Maia, em Santarém, onde depositou uma coroa de 50 cravos, símbolo dos 50 anos da aprovação da Constituição Portuguesa, uma das principais bandeiras do candidato apoiado pelo Livre.

Aos jornalistas, Jorge Pinto lembrou o capitão de Abril, figura central da Revolução dos Cravos, pela “coragem e firmeza de alguém que, quando não tinha sequer 30 anos, arriscou mesmo tudo, num clima de ditadura que se vivia, para libertar o país”.

“A ele muito devemos, porque foi precisamente por essa coragem, foi por essa vontade de ter um Portugal diferente, que hoje vivemos na segunda República e que hoje temos um país incomparavelmente melhor do que aquele que tínhamos antes de 74”, enalteceu.

O candidato a Belém explicou também que esta homenagem teve como propósito “dar um sinal ao futuro” e um “sinal de que realmente é preciso ser corajoso e firme na defesa do regime, da democracia e da liberdade”.

Jorge Pinto, lembrando as cincos décadas da Constituição Portuguesa, alertou que a lei fundamental “”está a ser seriamente ameaçada” e precisa de ser defendida pelo Presidente da República.

“E por isso tenho insistido muito na necessidade de termos alguém à frente do país que vai fazer da defesa da Constituição a sua prioridade. Porque é ela que garante a liberdade aos portugueses, é ela que traduz em coisas palpáveis e concretas tudo aquilo que foram as conquistas do 25 de Abril”, argumentou.

Jorge Pinto recordou, referindo os “grandes republicanos da antiguidade clássica, que as “democracias são todas elas, por definição finitas”, mas frisou que o fim dos regimes democráticos por chegar em milénios mas também em “apenas alguns anos”.

O candidato salientou também a “retidão e o caráter à prova de qualquer tipo de corrupção” de Salgueiro Maia para acrescentar que esse tipo de postura “garante que as repúblicas resistem”.

Questionado sobre a participação de militares, em particular de Henrique Gouveia e Melo na vida política, uma vez que Salgueiro Maia foi um membro do Exército que recusou esse percurso, Jorge Pinto disse não ter qualquer “julgamento negativo” sobre a ida de um militar para a política, considerando que é uma opção legítima desde que respeitadas as obrigações constitucionais.

Sobre que características partilha com o capitão de Abril, Jorge Pinto enumerou a defesa da liberdade, igualdade e democracia, mas também uma postura de coragem e firmeza.

“Eu tenho dito muitas vezes que o próximo Presidente da República (...) vai ter muitos desafios, que se calhar nenhum outro Presidente da República ao longo da nossa Segunda República teve pela frente. E é por isso que é preciso ter coragem e ser firme, como foi Salgueiro Maia, e reto nos seus princípios e corajoso na tomada de decisões”, concluiu.

Lusa

Paulo Raimundo diz que com António Filipe a Constituição “cumpre-se mesmo”

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, fez hoje um forte apelo ao voto no candidato presidencial Antonio Filipe, garantindo que com ele “cumpre-se a Constituição”.

“Mas é que se cumpre mesmo”, afirmou Paulo Raimundo, que discursava num comício em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, onde hoje se juntou, pela primeira vez desde que começou a campanha oficial, a António Filipe.

O secretário-geral do PCP exortou a que, no dia 18 de janeiro, “cada um leve ao voto o respeito e a dignidade que merece, que cada um leve ao voto a sua própria força, a força de quem trabalha, e se assim for, com António Filipe, a Constituição cumpre-se, mas é que se cumpre mesmo”.

“Obrigado por trazeres à campanha eleitoral a realidade da vida, da vida da maioria, das dificuldades, mas também por seres o rosto da esperança, o rosto do projeto de mudança que se impõe e que a tua candidatura transporta todos os dias a ganhar cada vez mais força, mais convicção, mais determinação para o futuro”, salientou.

E acrescentou ainda: “Obrigado por dares a possibilidade a tanta gente e a gente tão diferente de terem em quem confiar, de terem com alegria e confiança quem apoiar e em quem votar”.

Paulo Raimundo disse é na candidatura do ex-deputado comunista “que está a expressão do programa político dos trabalhadores, do povo e da juventude”.

“É aqui que está a certeza e a garantia de cumprir e fazer cumprir todos os dias, todos os dias na vida de todos, todos os direitos inscritos na Constituição da República Portuguesa”, garantiu.

E concretizou que António Filipe é o candidato do artigo 64.º, do direito à saúde do Serviço Nacional de Saúde, mas é também o candidato do artigo 65.º, do direito a uma habitação digna para todos e para cada um, e ainda o candidato do artigo 7.º , o artigo da paz.

“E fazer cumprir a Constituição e o seu artigo 7.º exige a coragem, essa coragem que só o António Filipe tem, a coragem de dar voz à paz, a coragem de dizer não à guerra, não à loucura da corrida aos armamentos”, frisou.

António Filipe e Paulo Raimundo em Gaia.
António Filipe e Paulo Raimundo em Gaia.FOTO: MANUEL FERNANDO ARAUJO/LUSA

E é, segundo Paulo Raimundo, pela “clareza da opção de António Filipe que os trabalhadores devem também eles, sem hesitações, optar pela sua candidatura, que é o mesmo dizer, optar, apoiar e votar no António Filipe”, lembrando que o candidato presidencial esteve junto dos trabalhadores na greve geral de dezembro e vai estar, na terça-feira, em mais uma iniciativa da CGTP contra o pacote laboral.

“E os trabalhadores não esquecem quem lá esteve. Não esquecem quem desde sempre disse não ao pacote laboral. Não esquecem com quem, com eles, rejeitou este caminho de retrocesso”, frisou Paulo Raimundo.

E, em causa no dia 18, segundo acrescentou, o que está em causa é manter ou agravar a injustiça e a exploração ou se dá força ao caminho que está inscrito na Constituição.

“Porque amanhã, aqui mesmo, em Gaia, no Porto, em Gondomar, em Matosinhos, em cada terra, em cada empresa, em cada escola, em cada serviço, em cada local de trabalho, aqui estão os construtores da tua, nossa candidatura. Amanhã, tal como hoje, somos todos, António Filipe”, realçou, por fim, o líder comunista.

Lusa

Isabel Moreira expressa apoio a Catarina Martins, “única candidata de esquerda”

A deputada do PS Isabel Moreira manifestou hoje o seu apoio à candidatura presidencial de Catarina Martins, que classificou como a “única candidata de esquerda” e rejeitou dispensar convicções em prol de apelos ao voto útil.

“Estou cansada e não estou disposta a não tomar partido pela única candidata de esquerda”, escreveu Isabel Moreira.

O texto era para ter sido lido pela própria, mas impossibilitada de estar presente no almoço de apoio a Catarina Martins, que decorreu hoje na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, as palavras da deputada socialista foram lidas pela atriz Joana Manuel, que foi candidata pela CDU às eleições europeias de 2024.

Duas “mulheres de caminhos diferentes da esquerda”, com quem Catarina Martins diz ter-se cruzado “sempre por fazer lutas”.

Justificando o seu apoio à candidata apoiada pelo BE, Isabel Moreira defendeu que “é preciso tomar partido” e “saber de que lado se está”.

“Foi isto que a Catarina Martins afirmou mais do que uma vez, desde que é candidata à Presidência da República. Depois concretiza e afirma-se de esquerda e não pede desculpas pelo seu percurso partidário”, acrescentou, em referência ao candidato apoiado pelo PS.

Ao longo do texto, as referências a António José Seguro, mais ou menos implícitas, foram várias, com Isabel Moreira a distanciar-se do candidato apoiado pelo seu partido.

Já com Catarina Martins, em comparação com as divergências políticas de ambas, a socialista diz haver muito mais que a aproxima “da urgência da afirmação dos valores elementares da esquerda”.

“E há uma história comum de luta pela devolução de cortes inconstitucionais, de subsídios de férias e de Natal a pensionistas e funcionários públicos a partir de pouco mais de 600 euros por mês. E isso não é passado, lamento. Isso é presente”, recordou, referindo-se mais uma vez a António José Seguro, sem o mencionar, e ao seu papel no período da 'troika', quando era secretário-geral do PS.

Por outro lado, rejeitou também os sucessivos apelos ao voto útil do candidato presidencial socialista que chegou a afirmar que o voto noutros candidatos de esquerda não conta.

“Parece um tiroteio que nos quer fazer convencer que afinal há apenas uma volta e que o nosso voto só tem um destino. São demasiados homens a dizer-nos para não estarmos numa mulher”, criticou.

Recordando o cenário durante o debate televisivo entre os 11 candidatos, transmitido pela RTP na terça-feira, em que Catarina Martins era a única mulher ao lado de 10 homens, Isabel Moreira estranhou que “há quem tenha por útil que algum ou alguma de nós dispense a Catarina Martins”.

“Eu não dispenso, nem empresto o meu voto, porque eu tenho o direito a não dispensar convicções, isto é, a não me dispensar”, assegurou, defendendo que “é particularmente importante votar numa mulher de esquerda feminista numa era de triunfo horripilante de homens que fazem da violência machista um produto ‘pop’”.

Além do facto de ser a única mulher candidata, Isabel Moreira justificou ainda o seu apoio a Catarina Martins, destacando o seu papel na defesa do Serviço Nacional de Saúde, da habitação, do trabalho, da igualdade, e contra a extrema-direita.

Lusa

Carneiro pede ao PS “entrega e compromisso” para garantir Seguro na segunda volta

O secretário-geral do PS pediu hoje aos socialistas “empenhamento, entrega e compromisso” para garantir a passagem de António José Seguro à segunda volta das presidenciais, elogiando a proposta de um pacto para a saúde apresentada pelo candidato.

José Luís Carneiro, que já tinha estado com António José Seguro no primeiro dia oficial de campanha, voltou hoje a juntar-se à caravana do candidato presidencial apoiado pelo PS e, pela primeira vez, teve uma intervenção no púlpito.

O líder do PS elogiou a proposta do candidato presidencial para um pacto para a saúde, que disse ver “com muito bons olhos, uma medida na qual António José Seguro tem insistido ao longo de toda a sua candidatura.

“Quero pedir-vos um especial empenhamento, entrega, compromisso nestes oito dias de campanha para garantirmos a passagem de António José Seguro à segunda volta e termos um Presidente da República que honre o legado de Mário Soares e Jorge Sampaio”, pediu, na reta final da sua intervenção.

Neste apelo à mobilização, Carneiro disse que o PS está com Seguro para que ele seja o “Presidente da República de todos os portugueses e de todas as portuguesas”.

“Este grande partido decidiu apoiar a candidatura de António José Seguro, ele não é um candidato partidário, mas tem o apoio de todo o PS na sua candidatura”, assegurou.

O líder do PS elogiou o “equilíbrio e o bom senso” de Seguro.

“O perfil humano e cívico de Seguro dá-nos essas garantias da defesa da Constituição”, defendeu ainda.

Para Carneiro, há quem divida a sociedade, mas a candidatura de Seguro “procura criar um campo comum da democracia, dos humanistas, dos sociais-democratas, dos democratas-cristãos”.

Lusa

António José Seguro e José Luís Carneiro em campanha na Póvoa de Lanhoso.
António José Seguro e José Luís Carneiro em campanha na Póvoa de Lanhoso.FOTO: JOSÉ COELHO/LUSA

Pureza diz que voto em Catarina Martins é “o mais seguro que existe”

O coordenador do BE, José Manuel Pureza, defendeu hoje que o voto em Catarina Martins é “o mais seguro que existe”, uma referência ao candidato socialista António José Seguro, que tem repetido os apelos ao voto útil da esquerda.

“Por tudo o que Catarina fez, por tudo o que a Catarina fará, o voto na Catarina é o voto mais seguro que existe”, afirmou José Manuel Pureza, durante o discurso num almoço-comício que juntou, na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, perto de 400 pessoas.

Na primeira intervenção em campanha ao lado da candidata apoiada pelo BE nas eleições presidenciais de 18 de janeiro, o coordenador do partido afirmou que na corrida a Belém “há candidatos que não sabemos o que fariam no futuro e há candidatos que preferíamos nem saber o que fizeram no passado”.

Catarina Martins, continuou o líder bloquista, não encaixa em nenhuma das opções e, para José Manuel Pureza, quem vota em Catarina Martins sabe com o que contar.

“Quem vota na Catarina sabe que confia o seu voto a uma proposta firma que cuida da democracia e da maioria que constrói Portugal. Sabe que o seu voto é útil para abrir os diálogos que tornam essa proposta possível. E sabe-o porque essa firmeza e esses diálogos são o percurso, o trabalho e a vida da Catarina”, sublinhou.

Num discurso elogioso, José Manuel Pureza não poupou nas características atribuídas à única mulher na corrida a Belém.

Catarina Martins, segundo o líder partidário, é o nome da cumplicidade com as vidas e as lutas das mulheres, da defesa das pensões, da energia e da alegria, ao lado dos jovens, na luta pelo clima, do combate pela paz e pela autodeterminação dos povos.

“Sabemos que em todas as disputas pela esperança contra a brutalidade precisamos de gente que faça do cuidado de todos com todos o seu combate de todos os momentos. Sabemos o nome de gente assim: Catarina”, resumiu.

Lusa

Catarina Martins e José Manuel Pureza.
Catarina Martins e José Manuel Pureza.FOTO: MARCOS BORGA/LUSA

Seguro trava euforia de apoiantes e diz que "nada está ganho"

O candidato António José Seguro alertou hoje que "nada está ganho" nas presidenciais e travou uma eventual euforia entre os apoiantes, dizendo que a 'corrida' só termina depois de o país "dizer não" aos extremistos e à aventura.

"Nada está ganho. Eu sei que as sondagens podem criar alguma euforia nalgumas pessoas. Nada está ganho. Só está ganho quando se contarem os votos e quando pudermos dormir descansados", disse hoje António José Seguro num almoço com apoiantes na Póvoa de Lanhoso (distrito de Braga), a maior mobilização nesta campanha eleitoral, que juntou cerca de 700 pessoas.

Para o candidato apoiado pelo PS, para dormir descansado é necessário ter a certeza que o país, "no próximo dia 18 de janeiro, vai dizer não aos extremismos, não à concentração de poder, vai dizer não ao poder absoluto, vai dizer não à aventura, mas vai dizer sim à nossa Constituição".

Seguro saudou ainda "com muita alegria e sentido de responsabilidade a disponibilidade do secretário-geral do Partido Socialista", José Luís Carneiro, para estender a "cultura de compromisso" que defende no seu pacto para a saúde "a outras áreas da vida política nacional".

"Os partidos políticos têm as suas posições, as suas ideologias, as suas propostas, mas entre eleições há compromissos que têm que falar mais alto, porque o que está em causa é o futuro do nosso país", frisou António José Seguro.

O candidato apoiado pelo PS voltou ainda a referir a questão da legislação laboral, reiterando a sua intenção de veto político caso o anteprojeto do Governo chegasse a Belém e sustentando a sua posição na ausência de qualquer "mudança que pudesse introduzir mais competitividade" na economia, mais produtividade nas empresas, que "combatesse a desigualdade salarial entre mulheres e homens, que conciliasse a vida familiar com a vida profissional".

"Os trabalhadores têm todo o direito na defesa dos seus direitos e das suas reivindicações. E não podem ser sempre eles a cederem todo o campo em matéria de legislação laboral", disse.

Porém, também defendeu que "muitas das vezes não é necessário os governos para que empresários e representantes dos trabalhadores se possam sentar à mesma mesa", pois falou "quer com o líder da UGT [Mário Mourão], quer com o líder da principal confederação de empresários em Portugal", Armindo Monteiro, da CIP.

"Para se concertar, para unir, para mobilizar, é preciso conhecer, é preciso falar com as pessoas, é preciso dialogar. Muita gente diz que eu dialogo demais. Pois bem, eu acredito que o diálogo é aquilo que é fundamental neste momento em Portugal", defendeu.

Entre os apoiantes no almoço de hoje estavam "três amigos moderados" de Seguro, Francisco Assis, Sérgio Sousa Pinto e Álvaro Beleza, e o candidato aproveitou para agradecer o apoio do PS, afirmando-se sentir-se orgulhoso e até abençoado.

"Claro que tenho orgulho no apoio do Partido Socialista", referiu Seguro, lembrando que o PS "só manifestou apoio a candidatos presidenciais em quatro ocasiões": a Mário Soares, Jorge Sampaio e Manuel Alegre, considerando-se "abençoado" por ser o quarto.

Porém, salvaguardou que a sua candidatura "não é, nem nunca poderia ser, uma candidatura partidária", defendendo que é "suprapartidária".

Lusa

Catarina Martins diz que candidatos da direita parecem competir numa espécie de “Montenegrómetro”

Catarina Martins considerou hoje que os candidatos presidenciais da direita e centro parecem estar a competir numa espécie de “Montenegrómetro” pelo “carinho do primeiro-ministro” e defendeu que o futuro do país “não está em conversas de palácio”.

“Em vez de explicarem porque é que merecem os votos, os candidatos passaram a explicar porque é que merecem o carinho do senhor primeiro-ministro. Nesta campanha, a competição é um Montenegrómetro”, considerou.

Enquanto discursava durante um almoço-comício na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, perante cerca de 400 apoiantes, Catarina Martins considerou que, nos últimos dias, a campanha assumiu “um tom estranho”.

Na mira da candidata apoiada pelo BE estiveram cinco candidatos, que Catarina Martins fez questão de nomear, justificando: João Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL, Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD e pelo CDS-PP, Henrique Gouveia e Melo, André Ventura, apoiado pelo Chega, e António José Seguro, apoiado pelo PS.   

“Cotrim manda uma carta – “Vossa excelência pode contar comigo” –, Marques Mendes manda o recado – “Luís, sabes que sou do teu partido” –, Gouveia e Melo faz-se fotografar ao lado de uma estátua do fundador do partido de Montenegro e Ventura garante que esse fundador (Francisco Sá Carneiro), se fosse vivo, estaria a carregar uma bandeira do Chega”, ironizou.

Sobre Seguro, Catarina Martins referiu o seu papel no período da 'troika', acusando Seguro de, enquanto secretário-geral do PS, ter cooperado com o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

“Aquele contra o qual Mário Soares se levantou, ontem foi receber a bênção de Santana Lopes, o ex-primeiro-ministro que Jorge Sampaio demitiu”, apontou.

No dia em que recebeu o apoio da socialista Isabel Moreira, que não esteve presente, mas escreveu um texto que foi lido durante o almoço, Catarina Martins citou outros socialistas como exemplo daquilo que quer ser enquanto chefe de Estado.

Em Mário Soares elogiou as Presidências Abertas, e sobre Jorge Sampaio destacou a capacidade de “fazer ouvir o país, aprender, exigir, desbloquear”, enquanto Maria de Lurdes Pintassilgo – uma figura que tem sido, em várias momentos, recordada por Catarina Martins – “fez uma campanha presidencial para uma democracia forte e participada”, em 1986.

“Ser presidente não é pôr uma medalha ao peito, é trabalhar por Portugal”, defendeu, sublinhando que “há lá mais questão de regime do que como vive o nosso povo”.

E nas questões de regime, acrescentou a candidata a Belém, “a Presidente conta e quando o Governo falha ao país, a Presidente tem de fazer ouvir a exigência da democracia”.

Voltando aos candidatos da direita e do centro, Catarina Martins considerou que a ambição comum entre os cinco parece ser “ter uma conversinha com o primeiro-ministro na quinta-feira de manhã”, referindo-se aos habituais encontros semanais entre os chefes de Governo e de Estado.

“Votar em alguém para ter uma conversa nas quintas-feiras é desistir de Portugal. Votar em alguém para ter a certeza que não fará nada é desistir de si próprio”, alertou, defendo que “o futuro do país não está em conversas de palácio”.

O futuro do país está, por outro lado, no “país que saiu à rua” durante a greve geral, nos profissionais de saúde, nos professores e “em gente que fala mais claro do que qualquer candidato das conversas”.

“É por isso preciso uma Presidente à altura deste país, que leve essa força a Belém, que faça ouvir esta voz em todas as instituições, que mostre ao país as lutas que os candidatos do costume querem esconder. E é esse o futuro que eu quero representar”, concluiu.

Lusa

Na véspera do voto antecipado, Mendes pede a eleitores que escolham o “mais bem preparado”

O candidato presidencial Luís Marques Mendes apelou hoje ao voto dos eleitores que vão exercer esse direito antecipadamente, pedindo que escolham aquele que está “mais bem preparado” para o cargo e com a maior experiência governativa.

Num almoço comício em Vila Verde, distrito de Braga, o candidato a Presidente da República assinalou que há eleitores que vão exercer o direito de voto antecipadamente, já no domingo, e pediu-lhes que “vão votar” porque “é um exercício de democracia importante”. 

“Vão votar em convicções, porque estas eleições são mesmo muito importantes” e façam-no “com toda a independência”, pediu, desafiando os eleitores a colocarem algumas questões antes de decidirem o voto.

“Quem é, de todos os candidatos, o que está mais bem preparado para exercer a Presidência da República? Não pensem tanto em partidos ou até em ideologias. Qual é o que está mais bem preparado? Segundo, qual é aquele que tem maior experiência governativa, do poder local, parlamentar, a lidar com os partidos ou a lidar com a Constituição? Esta questão é muito objetiva. Quem é que tem mais experiência? Terceiro, quem é que tem maior capacidade de diálogo e de ter feito pontes, consensos e entendimentos ao longo destes anos? Porque o que o país precisa verdadeiramente é deste diálogo para fazer pontos, convergências e entendimentos”, elencou.

Luís Marques Mendes considerou também ser o candidato que poderá “ter um maior exercício de consciência social”.

“Na Presidência da República tem que estar alguém moderado, tem que estar alguém que defenda a estabilidade, tem que estar alguém que seja ativo e não passivo, mas tem que ser alguém também para quem a justiça e a consciência social é uma questão muito importante”, salientou.

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP repetiu que, caso seja eleito Presidente da República, quer exercer o cargo “com firmeza e com tranquilidade”, e antecipou que não será nem “amigo, nem adversário do Governo”.

“Tenho que ser amigo das boas decisões e dos bons resultados de um Governo. E tenho que ser adversário de um Governo, deste ou de qualquer outro, quando comete falhas, quando comete omissões. É este o papel de um Presidente da República, com bom senso, com equilíbrio e com sentido Estado”, defendeu.

Luís Marques Mendes considerou que é “um grande gosto ter o apoio do PSD”, defendendo que “não há democracia sem partidos”, mas disse que o seu objetivo é “fazer esta caminhada, e depois a Presidência”, com “isenção, com imparcialidade e com independência”.

O candidato a Presidente da República disse ainda que "não há sondagem nenhuma em Portugal" que o "desanime", porque está "aqui para vencer" e sente "cada vez mais entusiasmo nas ruas".

Antes, discursou também José Gomes Mendes, ex-deputado socialista e antigo secretário de Estado em governos de António Costa entre 2015 e 2020, que considerou Luís Marques Mendes “a pessoa mais bem preparada para assumir a Presidência da República”, por ser o candidato “mais transparente, com maior experiência política, mais imparcial e aquele que apresenta maior sentido de Estado para assumir este cargo”.

O antigo governante, que integra a comissão de honra da candidatura de Marques Mendes, referiu-se também a uma sondagem que “chegou hoje ao espaço público” e que “coloca nas duas primeiras posições André Ventura e Luís Marques Mendes”, enquanto João Cotrim Figueiredo “aparece na quinta posição”.

“Não andamos a pedir que ninguém desista. Nós o que pedimos ao eleitorado, aos portugueses, é que não desperdicem votos e que coloquem votos no candidato que tem condições para passar e para ganhar esta eleição, Luís Marques Mendes”, apelou.

Lusa

José Luís Carneiro acusa Cotrim de impreparação e Ventura de romper com Constituição

O secretário-geral do PS acusou João Cotrim Figueiredo de “não estar preparado” para ser chefe de Estado e André Ventura de querer “romper com a Constituição”, considerando António José Seguro a “garantia de um Presidente para todos”.

Num almoço da candidatura de António José Seguro na Póvoa do Lanhoso, Braga - que reúne 700 pessoas na maior mobilização da campanha de Seguro –, José Luís Carneiro subiu ao púlpito com críticas a dois dos opositores do candidato apoiado pelo PS.

“António José Seguro é essa garantia de um Presidente para todos. Há mesmo um candidato que afirma que não quer ser o candidato de todo os portugueses. O que é que está a fazer nesta candidatura alguém que quer romper com a Constituição”, criticou, numa referência a André Ventura, sem dizer o nome do líder do Chega e candidato presidencial.

O líder do PS apontou depois a mira ao candidato apoiado pela IL, João Cotrim Figueiredo, acusando-o de ter pretendido colocar o Governo “sob tutela política do Presidente da República” quando disse que apoiaria o executivo “sob condições”.

“Ou seja, de uma penada atingiu e feriu o principio da separação de poderes fundamental na nossa Constituição e em relação ao qual mostra que não está preparado para o desempenho dessa função política”, acusou

Sobre este tema, Montenegro estranhou o silêncio do primeiro-ministro, Luís Montenegro, questionado como é que “não reage a uma afronta destas”.

“Esta é a candidatura que dá garantias da defesa da nossa Constituição”, disse, com a Constituição na mão, considerando que todos os democratas “olham para António José Seguro como a única esperança na defesa dos valores constitucionais”.

Catarina Martins apela ao voto “em quem faz este país”

Catarina Martins apelou hoje ao voto “em quem faz este país” nas eleições presidenciais, referindo-se à sua própria candidatura, e criticou os opositores à direita, afirmando que, sem esquerda, a campanha seria de “selvajaria e lama”.

“Amanhã e no próximo domingo esqueçam os candidatos do costume. Votem pela esperança de quem trabalha, votem por quem faz este país”, afirmou a candidata apoiada pelo BE num discurso durante um almoço na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa.

Perante cerca de 400 pessoas, no maior evento da campanha até ao momento, Catarina Martins definiu-se como a candidata que levará a força a Belém e que mostrará ao país “as lutas que os candidatos do costume querem esconder”.

“É esse o futuro que eu quero representar”, disse, deixando críticas aos candidatos da direita.

Fazendo um balanço da primeira semana de campanha, que arrancou no dia 04 de janeiro, Catarina Martins considerou que sem a esquerda, teria sido de “selvajaria e lama” e que temas como o trabalho, a saúde, e a habitação entraram no debate político à sua boleia.

“Nestas eleições, a força da esquerda com coragem – coragem para decidir, como nos ensinou (Maria de Lurdes) Pintassilgo – será determinante na primeira volta e em todas as voltas que o mundo der. Em todas as voltas que o mundo der, cada voto conta. E agora conta votar”, sublinhou.

Antecipando o que seria o seu papel enquanto chefe de Estado, Catarina Martins defendeu também que Portugal precisa de uma Presidente da República que “faça as contas a quem paga a fatura das decisões do Governo”.

“A renda e o preço da casa não podem ser impossíveis para quem trabalha e trabalhou toda uma vida neste país. A conta do supermercado não pode ser um assalto. A conta da luz não pode ser tão alta que se passe frio em casa neste janeiro”, exemplificou, afirmando que “é tempo de acertar as contas”.

No primeiro almoço-comício da campanha, e em véspera de voto antecipado, que se realiza no domingo e para o qual estão inscritos cerca de 218 mil eleitores, Catarina Martins recebeu o apoio de perto de 400 pessoas que encheram a cantina do Técnico.

Durante mais de uma hora, as funcionárias da cantina não tiveram mãos a medir e serviram refeições ininterruptamente.

Cerca das 13:30, ainda com dezenas de pessoas na fila, a candidata entrou no espaço ao som de “Seven Nation Army”, aplausos e gritos por “Catarina Martins”, ao ritmo da música dos "The White Stripes”.

Entre os convidados, contou com o apoio de históricos do Bloco como o seu antecessor na liderança do partido, Francisco Louçã, e o historiador Fernando Rosas.

Estiveram também presentes o atual coordenador do BE, José Manuel Pureza, a ex-líder Mariana Mortágua e a candidata apoiada pelo partido nas eleições presidenciais de 2016 e 2021, Marisa Matias.

Lusa

Cotrim Figueiredo aposta almoço com Jorge Pinto em como não volta à liderança da IL

Os candidatos presidenciais Cotrim Figueiredo e Jorge Pinto cruzaram-se hoje na Praça da Fruta, nas Caldas da Rainha, e apostaram não sobre quem será o próximo Presidente mas sobre se Cotrim volta à liderança da IL.

“Vamos apostar um almoço num restaurante à minha escolha em como não volto à liderança da IL?”, perguntou Cotrim Figueiredo a Jorge Pinto, depois deste último dizer que o seu objetivo é regressar à liderança daquele partido, cargo que deixou em 2022 e que, atualmente, é ocupado por Mariana Leitão.

Não convencido, Jorge Pinto, candidato apoiado pelo Livre, reafirmou que Cotrim Figueiredo não tarda a assumir os comandos da IL.

“Se em dois anos não for presidente da IL, pagas o almoço”, teimou Cotrim Figueiredo.

Jorge Pinto, que começou a visita ao mercado mais tarde do que aquele seu adversário, contou que, se perder a aposta, algo que duvida, o almoço será em Amarante, cidade de onde é natural.

Na curta conversa, Jorge Pinto alertou ainda Cotrim Figueiredo de que, bem perto dali, havia um posto dos CTT caso ele quisesse enviar uma carta, numa alusão à missiva enviada por Cotrim ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, manifestando-lhe a garantia de que seria o “aliado mais fiável” do Governo.

“Enviei por email, sou mais velho do que tu, mas não sou antiquado”, respondeu Cotrim Figueiredo, em tom de brincadeira.

Antes da despedida e dos desejos de sorte, Jorge Pinto voltou a insistir: “Não confundas as eleições Cotrim, estas são para as presidenciais, não para as da IL”.

Rindo, Cotrim Figueiredo respondeu com uma questão: “E tu, vais até ao fim?”.

“Claro que vou, isso é certíssimo, e não confundo eleições”, retorquiu.

Prosseguindo com a visita, o antigo líder da IL foi “obrigado” a fazer várias paragens, tais as solicitações para cumprimentar, tirar fotografias, gravar vídeos para avós e autografar o seu livro “Porque sou Liberal”.

Entre compras de maçãs e frutos secos, Cotrim Figueiredo foi ouvindo “certezas” de que vai passar à segunda volta e, depois de lá estar, ganhar.

“Nota-se que a campanha está a crescer, mas preciso das vossas cruzes no boletim de voto, não se esqueçam”, lembrou.

Pedido que Cotrim Figueiredo foi repetindo com quem se cruzava e andava às compras, insistindo que está a fazer pela sorte, mas precisa mesmo é dos votos.

E para conquistar mais um voto, o antigo líder da IL explicou a Fernanda Garrido as diferenças entre si e Marques Mendes, candidatos entre os quais a mulher se confessou indecisa.

“Se quer uma coisa arejada e energética vote em mim, já se quer uma coisa tradicional e dos partidos do costume tem o Marques Mendes”, justificou.

Quem não teve de convencer foi Anabela que, perante a sua presença, lhe garantiu que decidiu “desde a primeira hora” de que seria a sua escolha para Presidente da República.

“É o candidato que tem mais perfil para Presidente da República”, atirou Anabela, acrescentando que é o único que compreende os problemas reais das pessoas.

“Eu também acho, mas não é unânime”, reagiu.

Lusa

Gouveia e Melo critica “casamentos de conveniência” no PS e lembra Seguro contra Costa

O candidato presidencial Gouveia e Melo criticou hoje “casamentos de conveniência” no PS, num discurso em que lembrou que o seu adversário António José Seguro falou sobre “interesses escondidos” no seu partido.

“Sou um homem ideologicamente ao centro, mas não sou do centrão dos interesses”, declarou Gouveia e Melo logo no início da intervenção que proferiu num almoço de apoiantes da sua candidatura, em Famalicão, no distrito de Braga, depois do discurso do seu mandatário nacional, o ex-presidente do PSD Rui Rio.

A seguir, atacou António José Seguro, embora sem o mencionar, por ter pedido, na sexta-feira, em Gavião, uma oportunidade para servir num alto cargo da nação.

“Curiosamente, há uns tempos, ele dizia que eu era um experimentalista. O que me cansa na política é o verdadeiro cinismo - e os portugueses estão cansados deste cinismo”, declarou, antes de se referir às eleições primárias no PS, em 2014, disputadas entre Seguro e o atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, que este último venceu.

“Não venham agora, com ar pungente, pedir uma oportunidade, porque estiveram 30 anos na política, tiveram as suas oportunidades, não conseguiram vencer nessa altura e agora, com grande descaramento, voltam a pedir uma oportunidade”, disse.

Mas o almirante foi ainda mais longe nas suas referências à luta interna que se travou no PS em 2014.

“O que é mais cínico, neste centrão dos interesses, é que houve candidatos que no passado atacaram os seus próprios partidos, falando em interesses escondidos. E essas pessoas que foram atacadas estão agora unidas num casamento de conveniência a ajudarem o candidato. Não percebo isto”, rematou o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, após uma alusão crítica aos chamados “costistas” que foram apoiar Seguro.

No seu discurso, Gouveia e Melo voltou a prometer exigência em relação aos governos se for eleito Presidente da República, atacando também aqui alguns dos seus adversários, sobretudo Marques Mendes e, de novo, o antigo secretário-geral do PS.

“Quando o Governo ou a governação faz demagogia e não está realmente a resolver os problemas, eu não me ponho do lado dessa governação só porque sou do partido da governação. Ou não me ponho ao lado dessa governação, oferecendo pactos para o futuro, para ver se tenho mais votos”, afirmou.

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada salientou, a seguir, que também não se irá colocar ao lado de uma governação por omissão.

Ou seja, “porque, basicamente, não digo nada e sou um indivíduo tipo sabão – sabão que não se consegue agarrar”, completou.

Perante os seus apoiantes, Gouveia e Melo tentou assegurar que será diferente no exercício das funções de chefe de Estado. E, confrontado com problemas, apontará que “há um problema verdadeiramente de liderança, de gestão e de organização”.

Depois, atacou o funcionamento dos partidos de Governo em relação à administração pública, insurgindo-se contra a partidarização de alguns lugares essencialmente de ordem técnica. Deixou-lhes então o seguinte apelo: “Não andem a despedir mais pessoas, deviam antes ter contratado profissionais em vez pessoal com cartão partidário”.

“Os dois principais partidos do sistema [PSD e PS] fizeram isso. Ninguém está isento. Aliás, quando muda o partido no Governo, quando muda o poder, há uma série lugares que são mudados na administração pública”, assinalou.

Neste contexto, pediu o fim da “partidarização” da administração pública.

 “Por isso, é que temos um Estado que não está a responder às nossas necessidades. Queremos um Estado eficiente, queremos um Estado eficaz, um Estado que não amordace a economia, que não asfixie a economia, um Estado que ajude a desenvolver Portugal, com competência. Não queremos lugares para distribuir às claques ou às tribos partidárias”, acrescentou.

No seu discurso, o almirante fez igualmente uma referência à atual conjuntura internacional, advertindo para os complexos desafios que Portugal enfrenta e para a necessidade de se escolher bem o próximo chefe de Estado.

“Quem for escolhido para Presidente da República, não pode ser um indeciso, nem pode ser o indivíduo que um dia diz uma coisa e outro dia diz outra, desde que consiga, com demagogia e retórica, enganar o povo português. Portugal precisa verdadeiramente de quem queira saber o país e não pretenda servir-se do país. De todos os candidatos, sou aquele que conhece melhor o Estado Português”, sustentou.

Lusa

Rui Rio critica adversários de Gouveia e Melo desde o comentador ao candidato do "tanto faz"

Rui Rio entrou na campanha no apoio a Gouveia e Melo e deixou críticas aos outros candidatos.
Rui Rio entrou na campanha no apoio a Gouveia e Melo e deixou críticas aos outros candidatos.FOTO: JOSÉ SENA GOULÃO/ LUSA

Rui Rio criticou hoje os adversários de Gouveia e Melo na corrida a Belém, considerando que o melhor Presidente da República não é quem tem jeito para comentador, o mais populista ou o candidato do “tanto faz”.

Numa intervenção num almoço de apoio a Gouveia e Melo em Famalicão, no distrito do Porto, sem se referir a nomes, o ex-presidente do PSD visou André Ventura, João Cotrim de Figueiredo, Luís Marques Mendes e António José Seguro.

Para o mandatário nacional da candidatura de Gouveia e Melo, o melhor chefe de Estado não é aquele que consegue falar mais tempo sem dizer nada: “Aqueles que conseguem falar mais tempo sem dizer nada são excelentes para fazer discurso em casamentos, batizados ou despedidas de solteiro”, gracejou.

E prosseguiu: “Mas o melhor Presidente da República também não é aquele que grita as tiradas mais populistas. Porque o Presidente da República não pode ser um populista, tem de ser um homem sério e um homem responsável. Também não é aquele que faz aumentar as audiências televisivas, porque o Palácio de Belém ainda não é a Casa dos Segredos”.

Rui Rio criticou ainda os candidatos do “tanto faz”, que “tanto faz estarem no Parlamento Europeu como estarem na Presidência da República” ou tanto concorrerem a primeiro-ministro como a Presidente da República, criticando, ainda, os que fazem aumentar as audiências.

“Os que fazem aumentar as audiências podem ser bons para uma carreira de comentador político ou desportivo até, mas não é seguramente para o Presidente da República, que tem de ser sóbrio, tem de ser coerente e tem de ser respeitado”, sublinhou.

Para Rui Rio, Gouveia e Melo é o único candidato que tem a coragem e a independência de levar a cabo reformas no país, nomeadamente, nas áreas da saúde e da justiça.

Lusa

António Filipe recusa ser acusado de impedir a convergência à esquerda

O candidato presidencial António Filipe considerou hoje que não pode ser acusado de impedir a convergência à esquerda e que essa responsabilidade pode ser atribuída a outras candidaturas que apareceram posteriormente.

“Não posso ser acusado de ter qualquer iniciativa no sentido da divisão, no sentido de impedir a unidade, impedir a convergência e, portanto, se essa responsabilidade pode ser assacada, será a candidatura que apareceram posteriormente”, afirmou Antonio Filipe, em Ermesinde, onde visitou o Clube Propaganda da Habitação.

Na sua opinião, “essas candidaturas devem ter o ónus de explicar porque é que não se identificam” com a sua, que já tinha sido apresentada.

O comentário de António Filipe surgiu depois de ter dito que a sua é a “candidatura de esquerda que vale a pena apoiar e com a qual vale a pena convergir” e de ter sido desafiado a apontar as diferenças entre a sua e a candidatura de Catarina Martins.

“Encontra desde logo o momento em que esta candidatura avança. Esta candidatura avança no momento em que não havia candidaturas de esquerda”, afirmou, lembrando que, na altura, tinham sido anunciados Luís Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo e António José Seguro.

O ex-deputado comunista não questiona “a legitimidade de outras candidaturas à esquerda que surgiram entretanto”.

“Obviamente que reconheço a Catarina Martins, que é uma candidatura de esquerda com algumas diferenças em relação à minha candidatura, como é evidente. Ficaram, aliás, claras no debate em que tivemos a oportunidade de participar ambos”, referiu.

Referiu no entanto, que as candidaturas de esquerda que surgiram depois da sua “não contribuíram para a convergência” e frisou que “nem sequer é uma crítica, é um dado objetivo”.

“Quem apareceu posteriormente à minha candidatura e acha que eu não reúno condições para poder ser a candidatura agregadora dos valores da esquerda, tem o ónus de explicar às pessoas, aos eleitores, porque não”, apontou.

O candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV fez um balanço positivo da primeira semana de campanha oficial e revelou estar “motivadíssimo” para os dias que antecedem as eleições presidenciais de 18 de janeiro.

O fim de semana fica marcado por comícios hoje, em Vila Nova e Gaia, e domingo, em Lisboa, com a presença do secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, e a próxima semana será mais dedicada a contactos de rua.

“A campanha tem corrido muito bem (…) Creio que vamos obter um bom resultado” realçou.

Com esta visita em Ermesinde, distrito do Porto, quis chamar a atenção para o trabalho que as coletividades fazem em prol do desporto a nível nacional.

“Porque este movimento junta muitas milhares de pessoas, desde logo os atletas, centenas de milhares de jovens, de crianças e jovens e menos jovens, que a única possibilidade que têm de praticar desporto é através destas coletividades e milhares de dirigentes associativos que não ganham nada com isso”, referiu.

Por isso, defendeu que “é um dever” do Estado português apoiar fortemente as coletividades de cultura, desporto e recreio.

Lusa

Cotrim Figueiredo considera insuficiente pressão de Marcelo sobre Governo em matéria de saúde

O candidato presidencial Cotrim Figueiredo disse hoje não querer ser injusto com Marcelo Rebelo de Sousa, mas considera que a pressão que exerce sobre o Governo em matéria de saúde é insuficiente.

“Com toda a honestidade penso que não, mas também não quero ser injusto porque desconheço, já disse isso várias vezes, a natureza e até o tom dos contactos do senhor Presidente da República com o senhor primeiro-ministro”, afirmou o também eurodeputado, depois de questionado pelos jornalistas sobre se a pressão de Marcelo Rebelo de Sousa sobre o Governo PSD/CDS-PP era a suficiente em matéria de saúde.

No final de uma visita à Praça da Fruta das Caldas da Rainha, no distrito de Leiria, o candidato, apoiado pela Iniciativa Liberal, referiu que o país ficou a saber na sexta-feira à noite que o Presidente da República fala frequentemente sobre o tema com o primeiro-ministro.

O Presidente da República afirmou que já falou com o primeiro-ministro na quinta-feira sobre as mortes ocorridas sem que tenha chegado socorro e considerou que Luís Montenegro está “consciente da importância do problema”.

“Pelos vistos, nós desconhecíamos que estes contactos são, aparentemente, diários ou quase diários com o seu primeiro-ministro sobre os temas da saúde”, insistiu.

Cotrim Figueiredo reconheceu que, institucionalmente, o Presidente da República deve falar destes temas com o primeiro-ministro.

“E só perante um caso de extrema gravidade ou impossibilidade de resolver de outra forma é que essas pressões devem ser tidas fora do âmbito restrito dos contactos privados do Presidente da República com o primeiro-ministro”, apontou o antigo líder da IL, acompanhado da ex-deputada do PSD Liliana Reis.

Em sua opinião, estas questões relacionadas com a saúde devem ser tratadas com Luís Montenegro e não com a ministra.

“E a composição do Governo ao primeiro-ministro compete. Portanto, seria uma confusão se o Presidente da República começasse a ter em relação ao ministro A ou ministro B contactos diretos”, vincou.

Lusa

Mendes compreende críticas na saúde mas diz que PR não tem de avaliar ministros

 O candidato presidencial Marques Mendes disse hoje compreender as críticas “perfeitamente legítimas” que tem ouvido sobre saúde, mas defendeu que o problema só se resolve com mudanças estruturais, considerando que um chefe de Estado não tem de avaliar ministros.

No final de um contacto com a população em Viana do Castelo, Marques Mendes foi questionado pelos jornalistas sobre as críticas que tem ouvido na rua a Ana Paula Martins, pouco depois de ter ouvido uma senhora dizer que a ministra da Saúde “não presta e tem de ir para a rua”.

“Eu compreendo as críticas das pessoas, as pessoas dirigiram-se a mim com preocupações mais do que legítimas (…) Enquanto não forem introduzidas algumas mudanças estruturais na organização e na gestão do Serviço Nacional de Saúde, eu acho que, infelizmente, vários destes problemas vão manter-se”, disse.

Questionado se não é mais duro com a ministra Ana Paula Martins porque a ministra é de um governo do PSD, o candidato apoiado por este partido e pelo CDS-PP respondeu negativamente.

“Não, por uma razão muito simples. Defini há muitos meses que um Presidente da República não tem que avaliar um ministro nem pedir a demissão de um ministro. Isso não é tarefa do Presidente da República”, afirmou.

Mendes considerou que a maior exigência que pode colocar ao Governo é exigir medidas estruturais, que até detalhou, e que defendeu como “inevitáveis”.

Já à pergunta se os problemas na saúde o podem prejudicar nesta campanha, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP disse julgar que não.

“Em qualquer circunstância as coisas são como são. Não vou fugir a elas, nem mentir. Agora, para mim o importante não é isso, as pessoas vêm falar comigo e desabafam”, disse.

Marques Mendes defendeu que o essencial no SNS “é mudar o seu modelo de organização e de gestão” e reiterou o pedido de mudanças na lei que define o regime de nomeação dos gestores no Serviço Nacional de Saúde, que permitam encontrar um sistema remuneratório para “captar os melhores e não irem para o privado.”

“Terceira medida: ter maior autonomia para os hospitais. Quarta medida: ter um regime mais flexível de contratação pública, porque senão entre o momento das necessidades e o momento da contratação é uma eternidade”, afirmou.

O candidato frisou que estas quatro orientações estratégicas “não são banalidades”, mas mudanças estruturais que acredita que serão concretizadas se for eleito, lembrando que ainda há dias pediu urgência no diploma que prevê a criação de urgências regionais e foi ouvido.

“Quando a mensagem tem sentido, é ouvida. Estas medidas que aqui apontei, no domínio da saúde, vão ter que ser concretizadas. Desta forma ou de outra, mais no mês seguinte, ou mais daqui a uns meses. São inevitáveis”, disse, considerando que se se mudar apenas a forma não continuar a existir queixas sobre o funcionamento do SNS.

Lusa

Rui Rio e Isaltino Morais apareceram ao lado de Gouveia e Melo na campanha pelo norte do país.
Presidenciais. Urnas abrem este domingo às 8h00 para 218 mil eleitores votarem em antecipação

Jorge Pinto apela ao voto da direita e do PAN

 O candidato presidencial Jorge Pinto apelou hoje ao voto dos eleitores de direita e do PAN para recompensar quem faz campanha de forma "séria e informada" e disse ter “muita certeza” de que terá um "bom resultado”.

Em declarações aos jornalistas após uma visita à Praça da Fruta, nas Caldas da Rainha, o candidato apoiado pelo Livre, questionado sobre o que seria um bom resultado no dia 18, afirmou ambicionar uma “expressão política que justificasse e que mostrasse que a candidatura foi aquilo que as pessoas dizem na rua que foi, uma candidatura que se distinguiu e marcou agenda nos debates”.

“Eu vim mesmo para mudar a maneira de fazer política em Portugal e para falar daquilo que são os reais problemas do país e dos portugueses. E isso vai-se fazer também no dia 18 e é por isso que eu tenho muita certeza que vou ter um bom resultado”, disse, embora sem definir uma meta eleitoral concreta.

O candidato deixou o apelo não só aos eleitores esquerda, mas também aos de direita e do PAN, para votarem em si se querem “recompensar quem fez campanha nestas eleições de uma maneira séria, de uma maneira informada, falando diretamente aos portugueses e colocando em cima da mesa os seus reais problemas”.

Jorge Pinto pediu aos eleitores que dêem força a uma “nova esquerda, desempoeirada, que não tem vergonha de o ser e não se assume como estando numa gaveta” e reforçou: “essa esquerda, no dia 18, vai estar no boletim de voto no meu nome e na minha candidatura e é por isso que espero o voto destas pessoas, como espero também o voto de quem já votou no PAN e até à direita”.

Questionado sobre as palavras de António Filipe - que se demarcou das críticas de Rui Tavares a outras candidaturas de esquerda e disse que as presidenciais “não são um concurso de ideias giras” -, Jorge Pinto admitiu não ter ouvido o candidato a Belém apoiado pelo PCP, mas defendeu que tem “propostas giras porque são propostas que servem os portugueses”.

“Se elas são giras, que são bonitas, ou qualquer outro adjetivo positivo, muito bem, agradeço ao António Filipe e aos outros adversários nesta campanha, é sinal que estão a reconhecer o mérito da minha candidatura”, acrescentou.

Jorge Pinto e João Cotrim Figueiredo cruzaram-se durante esta visita à Praça da Fruta e, sobre esse encontro, o candidato apoiado pelo Livre disse que “foi simpático” e salientou que não é por considerar que o liberal “tem ideias que são más para o país” que deixaria de o cumprimentar.

Lusa

Seguro diz que é capaz de dar “murros na mesa” mas recusa "lama"

António José Seguro disse hoje que é capaz de dar "murros na mesa" em defesa das suas convições mas não entra em "campanha de ataques", pedindo o voto para quem tem "o coração no sítio certo".

“Aquilo que eu quero dizer a cada portuguesa e a cada português é que uma pessoa com o coração no sítio certo, com sensibilidade social, tem que estar na segunda volta. E por isso tem que concentrar os votos no Seguro”, disse o candidato presidencial apoiado pelo PS aos jornalistas durante uma visita ao Mercado Municipal de Braga, durante a qual ouviu várias promessas de voto e muitos relatos de descontentamento com problemas na área da saúde, da habitação ou do custo de vida.

Seguro insistiu no apelo para que lhe “deem uma oportunidade” para que possa “mostrar na “Presidência da República” aquilo que diz ser capaz de fazer “para mudar o muito que é necessário fazer neste país”.

“Claro, eu dou vários murros na mesa porque sou muito firme nas minhas convicções. E, naturalmente, vamos ter nos próximos dias também momentos para fazer a diferença entre aquilo que eu proponho ao país e que propõem outros candidatos”, respondeu aos jornalistas quando questionado se era capaz de dar “murros na mesa”.

O candidato presidencial voltou a afastar-se de uma campanha de ataques: “na lama, não contem comigo”.

“Eu não faço ataques dessa natureza. Eu faço uma campanha pela positiva. Aquilo que eu disse é que a minha candidatura não foi impulsionada por empresários, não decorreu de nenhum acordo com nenhum partido, absolutamente nada”, disse, recuperando uma ideia defendida do púlpito do comício da noite da véspera, em Coimbra.

Aproveitando para reafirmar que é “uma pessoa livre, sem amarras” e que será “um Presidente da República de todos os portugueses”, Seguro usou como exemplo algumas dos apoios que foi ouvindo ao longo desta visita de mais de uma hora.

“Aliás, foi testemunha de que ainda há pouco várias pessoas, que são de quadrantes políticos completamente diferentes e que dizem: eu vou votar no senhor”, enfatizou.

O antigo líder do PS considerou que o país está a “deixar imensas pessoas no sofrimento, que se sentem abandonadas, que se sentem desprotegidas”.

“Eu confio que cada portuguesa e cada português, no seu juízo, no seu bom senso, fará uma escolha acertada. O país, neste momento, precisa de ter o quê? Precisa de ter um Presidente que tenha experiência, que seja credível, que seja capaz de escutar, que seja capaz de mobilizar os portugueses em torno de uma política que crie soluções para resolver os problemas das pessoas”, respondeu, quando questionado sobre se não tema que os votos do descontentamento vão para outas candidaturas.

Lusa

Rui Rio e Isaltino Morais apareceram ao lado de Gouveia e Melo na campanha pelo norte do país.
"É inaceitável vivermos num país, no ano de 2026, em que morrem pessoas por falta de socorro", diz Seguro

“Vão-se enganar todos redondamente”, prevê Mendes sobre resultados eleitorais

O candidato presidencial Luís Marques Mendes previu hoje que todas as sondagens e análises se vão “enganar redondamente” quanto aos resultados no dia 18 de janeiro, uma afirmação que disse ser baseada não apenas em convicção.

No final de um contacto com a população em Viana do Castelo, Marques Mendes foi questionado pelos jornalistas sobre a aparente dificuldade em fixar os votos dos sociais-democratas, depois de ter encontrado um eleitor que lhe disse ser do PSD mas estar inclinado em votar no candidato João Cotrim Figueiredo, apoiado pela IL.

“Acho que vocês se vão enganar todos nisso, mas esperemos pelo dia 18, acho que se vão enganar todos redondamente, todos redondamente, mas eu respeito as vossas opiniões, mas depois fiquem com isso para depois contrastar no dia 18”, afirmou.

Questionado se fazia essa afirmação por ter outros números do que têm sido apontados pelo barómetro diário de alguns órgãos de comunicação social que o têm colocado em quinto lugar -, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP respondeu: “Não é só convicção”.

Marques Mendes foi ainda questionado sobre as palavras do antigo líder do PSD Pedro Santana Lopes, que na sexta-feira disse que a Presidência da República ficaria bem entregue ao socialista António José Seguro, escusando-se a fazer grandes comentários.

“Não tenho nada a comentar, cada um tem o direito à sua opinião, não emito opinião sobre isso. Cada pessoa tem o direito a emitir nestas ocasiões eleitorais a sua opinião”, afirmou.

Questionado se a sua campanha não irá passar pela Figueira da Foz, onde Santana é autarca, disse não saber se está programado.

Lusa

De feira em feira, Gouveia e Melo é o candidato que vai por o país "para a frente"

De feira em feira, Gouveia e Melo é olhado como o candidato que vai por o país a “andar para a frente”, com as pessoas a pedirem-lhe que faça alguma coisa por Portugal, mas nem todos manifestam simpatia.

“Vai ter o meu voto, é preciso por disciplina [no país] e ser exigente com o Governo. Precisamos de gente forte”, disse hoje um homem na casa dos 60 anos ao almirante, na Feira da Senhora da Hora, em Matosinhos, no distrito do Porto, onde iniciou o sétimo dia oficial de campanha para as eleições de 18 de janeiro.

Apesar de conquistar a simpatia da maioria das pessoas, nem todas ficam convencidas, como é o caso de uma mulher de cerca de 50 anos que elogiou Gouveia e Melo, mas também lhe fez um reparo: “Gosto da sua atitude. Mas, olho no olho, acho que não olha verdadeiramente para as pessoas”.

Numa das feiras semanais de Matosinhos, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada é procurado por quem ali passa para o cumprimentar, ganhar um beijinho ou uma fotografia, e gabado pelas mulheres: “Até gostava que ele ganhasse. Por acaso é mais bonito aqui do que na televisão”, atira uma senhora de cerca de 60 anos.

Durante a visita, um vendedor traz à baila o apreço do almirante pelo Mário Soares: “Gosto muito de si, mas não gosto que tivesse defendido Mário Soares”, questionando logo de seguida a utilidade da fundação ligada ao antigo Presidente da República, com o candidato a defender prontamente a liberdade de opinião.

Com metade da campanha para as eleições de 18 de janeiro já decorrida, Henrique Gouveia e Melo tem privilegiado o contacto com a população e, desde sábado passado, já marcou presença em cinco feiras, em Lisboa, Alijó (Vila Real), Mirandela (Bragança), Viana do Castelo e Matosinhos (Porto).

Por onde passa, ouve desejos de boa sorte e pedidos para por ordem no país, com muitas pessoas a elogiar a sua prestação enquanto coordenador do processo de vacinação durante a pandemia de covid-19 e a apontá-lo como o futuro Presidente da República de Portugal.

Gouveia e Melo tem incidido a sua campanha eleitoral sobretudo nos distritos do interior do país, justificando essa opção com a necessidade de se bater pela coesão territorial e, também, com a vontade de conhecer o Portugal mais profundo e menos conhecido.

Lusa

Ventura deixa para consciência de Montenegro se o apoia numa segunda volta contra Seguro

O candidato presidencial e líder do Chega remeteu hoje para “a consciência” do presidente do PSD e primeiro-ministro uma decisão sobre um eventual apoio à sua candidatura, num cenário de segunda volta que o oponha a António José Seguro.

“Eu não quero socialistas em lugar nenhum do país. Vai ter a consciência de Montenegro que decidir se numa segunda volta prefere ter alguém que não é do partido dele, mas que conseguiu trabalhar com ele em muitos diplomas fundamentais em prol do país, ou se quer ter um socialista que nós combatemos, que nós tentámos derrotar e que nós tentámos evitar que fosse Governo. Vai ser uma questão de consciência”, defendeu André Ventura.

O candidato às eleições presidenciais de dia 18 falava aos jornalistas no Mercado de Portalegre, antes de uma ação de campanha, altura em que foi questionado sobre se espera um apoio do PSD num cenário de segunda volta que o oponha ao antigo secretário-geral do PS, António José Seguro.

Ventura considerou que “será interessante” saber o que é que o primeiro-ministro e líder do PSD, Luís Montenegro, fará nesse cenário, lembrando que foi com o Chega que o Governo aprovou várias matérias no parlamento, nomeadamente no que toca à lei da nacionalidade, descida de impostos ou habitação.

“Se chegar à segunda volta e apoiar o candidato do Partido Socialista, está a dizer aos eleitores que, na verdade, prefere como cargo máximo da nação e como condutor da nação um socialista. É completamente contrário ao trabalho que tem sido feito no Parlamento e ao caminho que temos feito que é de neutralizar o PS”, sustentou.

O candidato a Belém frisou que estava a responder apenas ao cenário que lhe foi colocado e que não dá o objetivo de passagem à segunda volta como garantido, reconhecendo que não passar a essa fase será negativo.

Lusa

Seguro pede “coragem política” nas prioridades para não faltar dinheiro à saúde

O candidato presidencial António José Seguro pediu hoje “coragem política” para dar prioridade à saúde, inclusive em detrimento de outras áreas, porque "não pode faltar dinheiro” neste setor, estando “desejoso de ter a primeira reunião com o primeiro-ministro".

“Pode faltar dinheiro para muita coisa no nosso país. Não pode faltar dinheiro para cuidar da saúde dos portugueses. Essa é uma prioridade e a coragem política de que eu falo é dizer se esta é a prioridade, porventura, outras áreas, não são prioridade. O país não pode ter 100 prioridades”, defendeu Seguro, em declarações aos jornalistas durante uma visita ao Mercado Municipal de Braga.

Dando como exemplo os relatos que ouviu de problemas no acesso à saúde durante esta ação de campanha, o candidato presidencial apoiado pelo PS defendeu que “neste momento a prioridade é a saúde”, escusando-se a esclarecer quais as áreas das quais o Governo poderia abdicar para investir na saúde.

“Estou desejoso de ter a primeira reunião com o primeiro-ministro e depois com cada líder partidário para lhes chamar a atenção da necessidade que cada um tem que dar o seu contributo para melhorarmos o acesso dos portugueses à saúde com cuidados a tempo e horas”, disse.

Para Seguro, “é inaceitável” que em Portugal, em 2026, “morram pessoas por falta de socorro, que telefonam para as emergências e que as ambulâncias não chegam a tempo e horas”.

“Ou pessoas que ficam horas e horas e horas e horas nas urgências. Ou que ficam nos corredores dos hospitais em macas. Isto é uma coisa que acontece recorrentemente parece que a certa altura é o deixar andar. Ora, isto não pode acontecer”, condenou.

Lusa

Rui Rio e Isaltino Morais apareceram ao lado de Gouveia e Melo na campanha pelo norte do país.
Sondagens, saúde e apoios marcam dia de campanha para as Presidenciais

Campanha vai entrar na última semana

A campanha eleitoral para as presidenciais vai entrar na última semana, com os vários candidatos a fazerem os últimos esforços para angariar os votos suficientes para, no dia 18 de janeiro, conseguirem estar na segunda volta.

Será ao que tudo indica uma semana com muita atividade e muito quente.

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