Os candidatos presidenciais André Ventura, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo responderam esta terça-feira, 6 de janeiro, às acusações de que foram alvo por parte de Cavaco Silva que, num artigo de opinião no Observador, disse ter ficado chocado com a forma como o nome de Francisco Sá Carneiro tem sido invocado por estes candidatos. Ventura defendeu que Francisco Sá Carneiro não é “património exclusivo” do PSD “nem de Cavaco Silva”. “Acho que Sá Carneiro foi provavelmente o melhor político português das últimas décadas. E acho que, se Sá Carneiro não é de ninguém, também não é património exclusivo do PSD, nem de Cavaco Silva”, afirmou o candidato que também é líder do Chega, antes de uma ação de campanha no Pinhal Novo.André Ventura defendeu que Cavaco Silva “está errado” e disse estar convencido de que se Sá Carneiro fosse vivo “sentir-se-ia muito mais próximo do Chega, dos valores do Chega, da forma de fazer política do Chega, do que do próprio PSD”. E, nesse sentido, sustentou esta tese afirmando que o fundador social-democrata era “um homem de correr riscos” e de “dizer as coisas quando era preciso dizer”.Afirmando que Sá Carneiro é o seu "modelo político", Ventura negou querer apropriar-se da sua figura mas considerou que "não há o direito, do outro lado" de se dizer que "não se pode falar de Sá Carneiro porque era do PSD".André Ventura considerou que Marques Mendes, candidato apoiado por Cavaco Silva, anda "a querer atirar fumaça, é só fumaça, para não discutirmos as eleições presidenciais", a propósito das eventuais dificuldades que o candidato apoiado pelo PSD disse haver em fazer aprovar o próximo Orçamento do Estado. "É o típico exemplo de quando um candidato começa a perder o controlo das coisas, começa a disparatar e dizer coisas sem sentido. Passaram esta campanha toda a dizer ‘o André Ventura só fala de temas das legislativas, só fala de temas do parlamento e não pode ser que estamos em presidenciais’. Mas mal começam a descer nas sondagens, trazem o parlamento e os orçamentos para a campanha presidencial”, argumentou.Gouveia e Melo fala em candidato assustadoPor sua vez, Gouveia e Melo disse que “não concorre” com Cavaco Silva, lembrando o que disse em Viseu, junto à estátua de Sá Carneiro: "Ninguém se pode apropriar de nenhum símbolo. Foi exatamente isso que eu disse.”Neste contexto, recusou falar de Cavaco Silva e do passado: "Quero falar do presente e do futuro. Pensar nas soluções do mundo que era há 20 anos não faz sentido. Eu não concorro contra o senhor ex-Presidente Cavaco Silva, concorro por um futuro.”Ainda assim, o almirante lembrou que “o lugar da presidência não é um lugar partidário" e que se for eleito não irá fazer trabalho partidário . A propósito disso mesmo atira-se a Marques Mendes, candidato apoiado por Cavaco: "Se anda um candidato assustado, a trazer tudo e mais alguma coisa para cima da mesa, não sou eu de certeza.”Uma reação mais calma esteve João Cotrim de Figueiredo que disse não querer do que é tolerável para Cavaco Silva, preferindo lembrar "a forte carga reformista que tiveram os seus consulados, sobretudo como primeiro-ministro, e a forma como Portugal se desenvolveu nessa altura". "Prefiro guardar a memória desse tempo, que está mais na minha candidatura do que noutras", frisou, garantindo que as pessoas que estiveram na política com Sá Carneiro "discordam" da frase de Cavaco Silva, segundo a qual Cotrim está nos antípodas das ideias do fundador do PSD.Gouveia e Melo ao ataque a SeguroO almirante, que tenta disputar eleitorado de Marques Mendes e Seguro fez, em Alijó, uma crítica ao socialista. “No passado, não defendeu a própria área, os interesses das pessoas que votaram nele. Foi para além da troika e não tinha necessidade disso”, considerou, concordando com um argumento que Catarina Martins tem usado com recorrência. A bloquista, que tal como o DN noticiou, não vai renunciar até 18 de janeiro, tal como a restante esquerda, insurgiu-se com a aposta de Seguro no voto útil. “A primeira volta é de convicção, em que se dá força ao projeto em que se acredita. As sondagens não são votos, não há ninguém que tenha votos ainda. Pede o voto para quê? Para poder, no dia seguinte, voltar a orgulhar-se de apoiar ou viabilizar cortes?”, atacou. Seguro vê nas farpas da ex-coordenadora do Bloco e de Gouveia e Melo um reflexo de que “há uma tendência favorável” e que sente “o movimento crescente nas ruas.”Catarina Martins aponta a Jorge Pinto tambémCatarina Martins, em Torres Novas, respondeu ao primeiro ataque direto de Jorge Pinto, que na segunda-feira tinha criticado falta de prontidão da geringonça de esquerda no Parlamento para avançar com a regionalização. “Só pode avançar com um referendo e o atual presidente [Marcelo Rebelo de Sousa] deixou claro no início do seu mandato que não considerava existir condições para que ele acontecesse”, respondeu, negando a possibilidade que Jorge Pinto levantara de poder ser aprovado via parlamento, na altura quando a esquerda tinha maioria. A Venezuela e a intervenção militar dos EUA ficou para segundo plano ontem. Só André Pestana colou Ventura a Trump. “Está todo assanhado”, apontou. .Cavaco Silva "chocado" pela "tentativa de apropriação" do nome de Sá Carneiro por candidatos presidenciais.Presidenciais: Catarina Martins responde com voto por "convicção" ao apelo de Seguro ao voto útil