Cavaco Silva "chocado" pela "tentativa de apropriação" do nome de Sá Carneiro por candidatos presidenciais
Foto: Paulo Spranger

Cavaco Silva "chocado" pela "tentativa de apropriação" do nome de Sá Carneiro por candidatos presidenciais

O antigo Presidente da República considera "intolerável" que André Ventura, Cotrim de Figueiredo e Gouveia e Melo queiram "reescrever" a história para "atacar" Luís Marques Mendes.
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O antigo Presidente da República, Cavaco Silva, diz-se "chocado" pela "tentativa de apropriação" do nome de Francisco Sá Carneiro, fundador do PSD, por "André Ventura, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo".

Três candidatos presidenciais que "estão quase nas antípodas daquilo que Francisco Sá Carneiro defendia", quer seja no plano ético, político, social e económico, defende Cavaco Silva, num artigo de opinião publicado esta terça-feira, 6 de janeiro, no Observador.

Lembra que foi "ministro das Finanças e do Plano do Governo presidido por Francisco Sá Carneiro" e que estudou "os seus textos sobre o exercício do poder democrático em Portugal". "Considero, pois, intolerável que na campanha eleitoral em curso, com o objetivo de atacar o candidato Luís Marques Mendes, se procure reescrever a história de um político de excecional craveira como Francisco Sá Carneiro, que tive o privilégio de acompanhar de perto na sua ação como primeiro-ministro", afirma.

Cavaco Silva recorda que Francisco Sá Carneiro "era um defensor da social-democracia moderna, um humanista, homem de princípios firmes, distante tanto do socialismo de Estado, como de uma sociedade dominada pela sacralização do mercado em nome da eficácia".

De acordo com o antigo chefe de Estado, o fundador do PSD "queria fazer de Portugal uma democracia de tipo ocidental em que vigorasse o primado da dignidade e afirmação da pessoa humana, a solidariedade e a justiça social". "O desenvolvimento equilibrado do país e o combate à pobreza eram dois dos seus grandes propósitos", adianta.

O antigo primeiro-ministro lembra ainda que "em virtude da sua trágica morte há 45 anos, Sá Carneiro, que governou o país durante apenas onze meses, não teve tempo para pôr em prática o seu projeto de desenvolvimento social e de reformas para a modernização do país e para a melhoria das condições de vida dos portugueses".

Cavaco Silva, recorde-se, anunciou, no início de novembro, o seu apoio a Marques Mendes na corrida a Belém. "Pela sua experiência política e pelo seu bom senso e qualificações pessoais, creio que é Luís Marques Mendes quem melhor pode desempenhar essa tarefa”, disse, na altura, também num artigo de opinião publicado no Observador.

Nessa ocasião, o antigo Presidente da República afirmou conhecer bem Marques Mendes, que foi ministro adjunto num dos seus governos, sublinhando que o candidato apoiado pelo PSD tem “experiência política, conhece o funcionamento e as especificidades das instituições” democráticas, “da governação do país e da política externa”.

“E é uma pessoa de bom senso, qualidade muito importante para um Presidente da República”, destacou.

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