António José Seguro será o próximo Presidente da República se a segunda volta das presidenciais confirmar neste domingo os resultados da sondagem da Aximage para o DN, que aponta 65,4% de intenções de voto para o antigo secretário-geral do PS, após distribuição de indecisos (5,3%), enquanto André Ventura, líder do Chega, fica pelos 30,3%. Outros 3,3% de inquiridos optam por votar em branco e 1,1% dizem que votarão nulo na escolha do sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa.. O trabalho de campo da sondagem da Aximage sobre a segunda volta das eleições presidenciais de 2026, que incluiu 607 entrevistas (com uma taxa de resposta de 71,94%), decorreu entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro, pelo que ainda não refletirá totalmente os efeitos do mau tempo que tem assolado diversas zonas de Portugal, nomeadamente no impacto na abstenção, que neste estudo se cifrou em 23,2%. Mas a margem de erro de 4% retira dúvidas quanto ao estatuto de vencedor de Seguro, pois tem 35,1 pontos percentuais de vantagem em relação ao rival. E permite que Ventura, mesmo derrotado nas urnas, tenha a possibilidade de cumprir um dos maiores objetivos da sua campanha, na qual se quer assumir líder da direita, pois os 30,3% de intenções de voto poderão superar os 31,21% que a AD de Luís Montenegro obteve nas legislativas de 2025. Ainda mais ampla é a vantagem de Seguro nesta sondagem DN/Aximage quando se pergunta qual dos dois candidatos vai ganhar a Presidência da República. António José Seguro aparece muito destacado, com 75% dos inquiridos a verem-no como o próximo inquilino do Palácio de Belém, contra apenas 17% que acreditam no triunfo de André Ventura. Só os que votaram no líder do Chega na primeira volta lhe reconhecem primazia na dinâmica de vitória (52%-40%), ainda que por uma margem muito mais reduzida do aquela que o antigo secretário-geral do PS tem entre os que fizeram de si o mais votado a 18 de janeiro (95%-2%). Curiosamente, os mais descrentes numa surpresa no domingo são os eleitores de Marques Mendes: nenhum dos que foram entrevistados pela Aximage admite que Ventura possa sair vencedor.. A crença na eleição de Seguro é transversal a todos os segmentos, mas é ainda mais elevada entre os inquiridos mais ricos, da Classe A/B (82%) e Classe C1 (84%), e nos mais velhos, entre os 50 e os 64 anos (78%) e com 65 anos ou mais (79%). Em sentido contrário, os melhores resultados para Ventura ocorrem entre os mais pobres, da Classe D (33%), e nos eleitores entre os 35 e os 49 anos (27%), bem como no Sul e Ilhas (23%), onde o socialista tem o resultado menos positivo (65%)..Voto em Cotrim mais dividido.Para a grande vantagem de António José Seguro nesta sondagem DN/Aximage contribui o facto de o mais votado na primeira volta (31,12%) atrair a maioria dos eleitores que então optaram por candidatos que não tiveram votos suficientes para passar à segunda volta. Entre os inquiridos que deram o seu voto a Marques Mendes, 80,4% preferem o socialista e apenas 13,7% daqueles que estiveram com o ex-líder social-democrata, que teve apoio oficial do PSD e do CDS, optarão agora por André Ventura, com 5,4% a indicar que pretendem anular o seu boletim de voto.O voto útil em Seguro e a rejeição de Ventura são mais vincados no eleitorado de Marques Mendes do que naqueles que votaram em Gouveia e Melo ou em Cotrim de Figueiredo. Entre os que preferiam ter o ex-chefe do Estado-Maior da Armada na Presidência da República, 78% votarão agora no antigo secretário-geral do PS e 16,6% no líder do Chega. Já os eleitores do eurodeputado da Iniciativa Liberal dividem-se um pouco mais: 65,2% estarão com Seguro e 19% com Ventura, enquanto 11% optarão pelo voto em branco e 4,8% pelo voto nulo. Por último, os que votaram branco, nulo e noutros candidatos (quase todos de esquerda, incluindo Catarina Martins, António Filipe e Jorge Pinto, apoiados pelo Bloco de Esquerda, PCP e Livre, respetivamente), tendem a preferir o vencedor da primeira volta (79,7%), e embora também haja dispostos a dar o voto a Ventura (8,4%), são menos do que os que dizem ir votar em branco (9,1%). Vantagem para o fundador do Chega, só mesmo nos inquiridos que se abstiveram na primeira volta: 73,4% para Ventura e 26,6% para Seguro.Olhando para o voto dos inquiridos nas legislativas de 2025, Seguro tem 94,3% dos eleitores do PS, 70,6% entre os da AD e 5,6% dos do Chega - bem como 71,2% da Iniciativa Liberal, 88,6% do Livre, 91,1% da CDU e 100% do Bloco de Esquerda, embora a Aximage deixe a advertência de que as percentagens relativas a esses partidos devem ser encaradas a título indicativo, pela escassez de respostas. Enquanto isso, Ventura garante 94,4% do eleitorado do Chega, 21,4% da AD, 5% do PS e ainda 16,4% da Iniciativa Liberal..Seguro herda eleitores jovens.Na análise dos inquiridos pela Aximage que dizem ir votar em António José Seguro ou em André Ventura destaca-se a ausência de qualquer diferença de género. O antigo líder do PS tem 65,5% de intenções de voto entre os homens e 65,3% entre as mulheres, enquanto o fundador do Chega atinge 30,2% no eleitorado masculino e 30,3% no feminino.Mas existe uma novidade nesta sondagem que contraria o que tem sido a clara tendência, não só para Seguro, mas também para o PS e outros candidatos apoiados pelo partido. O grupo etário em que o favorito para ser o próximo Presidente da República conta com maior nível de apoio é o dos mais jovens, entre os 18 e os 34 anos, aparentando “herdar” a excelente posição que João Cotrim de Figueiredo tinha no segmento, enquanto André Ventura tem aí a percentagem mais reduzida, com apenas 23,1%, disparando para 39,3% nos inquiridos entre 35 e 49 anos. E o líder do Chega acaba por ter uma posição ligeiramente mais favorável entre os mais velhos (de 65 anos ou mais), com 25,4% de intenções de voto, enquanto o antigo secretário-geral do PS tem 68,9% nesse grupo etário.A transferência de eleitorado de outros candidatos presidenciais, concentrando votos no centro-direita, também contribuirá para que Seguro cimente ainda mais a vantagem na Classe A/B, onde alcança o máximo de intenções de voto. Os seus 75,8%, contra apenas 18,7% que indicam votar em André Ventura, só se aproximam dos 70,7% que tem na Classe C1, também muito à frente dos 26,7% do seu rival. Já o maior equilíbrio entre os candidatos que se apresentam na segunda volta sucede na Classe C2, com os 52,4% de Seguro muito pouco à frente dos 42,8% de Ventura, enquanto os eleitores mais pobres, da Classe D, dão uma vantagem um pouco maior ao socialista: 55,5%, contra 38,7% que irão votar no líder do Chega.Ao longo do território nacional, as zonas em que a segunda volta será menos desequilibrada, segundo a sondagem DN/Aximage, são o Sul e Ilhas e a Área Metropolitana de Lisboa. Na primeira dessas regiões, Seguro tem 60,4% de intenções de votos e Ventura atinge os 35,2% - o que também reflete o facto de, na primeira volta, ter sido o mais votado no distrito de Faro e na Região Autónoma da Madeira -, enquanto nos populosos concelhos em torno da capital Seguro obtém 60,8% e Ventura 34,4%. Muito mais vincada é a vantagem do socialista no Norte, com 72%, enquanto o líder do Chega não vai além de 25,4%..Cenário pouco se alterou.O duelo entre António José Seguro e André Ventura tinha sido antecipado na sondagem DN/Aximage anterior, relativa à primeira volta das presidenciais, em que o socialista surgia com 49% de intenções de voto e o líder do Chega com 29%, antes da distribuição de indecisos.Entre os cenários de segunda volta então previstos, aquele que foi confirmado a 18 de janeiro era o mais vantajoso para o socialista, visto que teria maiores dificuldades se enfrentasse Gouveia e Melo ou Marques Mendes. Ainda assim, Seguro tinha uma vantagem de 18 pontos sobre o almirante que coordenou a taskforce para a vacinação contra a covid-19 (43%-25%) e de 15 pontos no que toca ao conselheiro de Estado e ex-líder do PSD (41%-26%).E também André Ventura encontrava o adversário mais complicado no candidato que se afastou da política ativa, após perder a liderança do PS para António Costa. Apesar de os inquiridos pela Aximage também apontarem cenários negativos para as suas ambições presidenciais em confrontos diretos com Gouveia e Melo ou Marques Mendes, a diferença seria mais curta, com desvantagens de 15 pontos (43%-28%) e de 13 pontos (43%-30%), respetivamente..Sondagem DN/Aximage: Chuva de apoios a Seguro tem importância limitada.Sondagem DN/Aximage. Debate único entre Seguro e Ventura mereceu atenção e teve vencedor claro.Ficha técnica.Objetivo do Estudo: Sondagem de opinião realizada pela Aximage - Comunicação e Imagem Lda. para o DN sobre a segunda volta das eleições presidenciais.Universo: Indivíduos maiores de 18 anos eleitores e residentes em Portugal.Amostra: Amostragem por quotas, obtida a partir de uma matriz cruzando sexo, idade e região (NUTSII), a partir do universo conhecido, reequilibrada por género (2), grupo etário (4) e região (4). A amostra consiste em 607 entrevistas CAWI. 293 homens e 314 mulheres; 135 entre os 18 e os 34 anos, 159 entre os 35 e os 49 anos, 159 entre os 50 e os 64 anos e 154 para os 65 e mais anos; Norte 220, Centro 127, Sul e Ilhas 92, Área Metropolitana de Lisboa 168.Técnica: Aplicação online - CAWI (Computer Assisted Web Interviewing) - de um questionário estruturado a um painel de indivíduos que preenchem as quotas pré-determinadas. O trabalho de campo decorreu entre 29 de janeiro e 2 de fevereiro de 2026. Taxa de resposta: 71,94%.Margem de erro: O erro máximo de amostragem deste estudo, para um intervalo de confiança de 95%, é de + ou - 4,0%.Responsabilidade do estudo: Aximage - Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio..Alfredo Barroso e José Ribeiro e Castro: "Não usaríamos o TikTok para semear ‘fake news’” .Presidenciais 2026. Seguro vem reforçar peso da esquerda, Ventura seria caso inédito