Na primeira vez  que Paulo Raimundo esteve na 'Festa  do Avante!' foi a música que o atraiu. Em 2026, nos 50 anos da Festa, cumpre a sua quarta participação como secretário-geral do PCP.
Na primeira vez que Paulo Raimundo esteve na 'Festa do Avante!' foi a música que o atraiu. Em 2026, nos 50 anos da Festa, cumpre a sua quarta participação como secretário-geral do PCP. FOTO: Reinaldo Rodrigues

Raimundo acusa Governo de “assalto em curso” à Segurança Social e desafia país a uma alternativa de rutura

No discurso que encerra o comício da 50.ª Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP não se referiu uma única vez à moção de censura contra o Governo, debatida na terça-feira, e criticou aqueles que "promovem o ódio e a violência" e que "procuram impor a agenda xenófoba e racista".
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No dia em que faz 50 anos, enquanto celebra o mesmo número de anos que passaram desde a primeira Festa do Avante!, o secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, afirmou que os comunistas aqui estão "a fazer frente à besta da guerra e ao sistema capitalista que a promove e dela se alimenta".

Apesar de não ter deixado uma única palavra sobre a moção de censura contra o Governo, avançada pelo Chega a propósito das polémicas em torno do ministro da Administração Interna, Luís Neves, Paulo Raimundo considerou que "o problema que enfrentamos não advém de incompetência, da chico-espertice ou de casos que envolvem ministros, cujas explicações deixam muito a desejar. O problema é mesmo a política de Governo que merece censura".

A luta prometida contra o capitalismo, assumida por Paulo Raimundo, passou por críticas aos "grupos económicos a quem o Governo serve", para os quais, observou, "o País nunca esteve tão bem".

"Pudera, os seus lucros e riqueza crescem como nunca e contam com um Governo que faz de cada problema estrutural um pretexto para a transferência de recursos públicos para os seus cofres", lançou o líder comunista, acusando ainda o Governo de ser um "mestre da propaganda e da ilusão", justificando o epíteto como o facto de o dizerem "as vítimas das intempéries a quem os apoios ou chegaram tarde ou, sete meses depois, ainda estão por chegar".

Recuperando uma crítica que o PCP tem vincado na fase final da anterior sessão legislativa, Paulo Raimundo lançou farpas a "um Governo que jura a pés juntos que não o fará mas, caso tenha espaço para isso, tudo vai fazer para que o capital ponha a mão no dinheiro dos trabalhadores e assaltar a Segurança Social".

"Que ninguém se iluda, só não avançarão se os trabalhadores, os reformados e a juventude derem, como estão a dar, um forte sinal de rejeição face a este assalto que está em marcha", apelou o secretário-geral do PCP, enquanto falava num "Governo que pela voz do primeiro-ministro, numa negociata ainda por explicar, afirma que com a entrada do Estado no capital da REN os preços da eletricidade vão baixar".

"Se é assim, porque razão o Estado, que hoje detém 8% da Galp, não faz baixar os combustíveis e o gás de botija?", questionou de forma retórica, lembrando que "todos pagamos, e amanhã ainda mais, pagam os pequenos e médios empresários, os agricultores, os pescadores".

Com estas ideias cimentadas, Paulo Raimundo desafiou "todos os que não se resignam" a apoiar "este projeto de ruptura e mudança, patriótico e de esquerda".

"Há força e há forças para resistir e vencer", afirmou, enquanto apelou: "Provoquem o sobressalto, lutem pelas vossas vidas."

No plano internacional, com palavras para a resistência do povo venezuelano e do povo sarauí, o líder comunista rejeitou "as pressões dos que tentam proibir e criminalizar a solidariedade", enquanto deixou uma palavra de condenação contra aqueles que considerou serem "os porta-vozes do horror", em defesa da Palestina, "pelo seu povo e pelo seu Estado soberano e independente".

Paulo Raimundo denunciou a política dos EUA, da NATO e da União Europeia, acusando‑os de alimentar conflitos, desde o Leste Europeu ao Médio Oriente. Reafirmou a solidariedade do PCP à Palestina, ao povo sarauí e à Venezuela, e dedicou uma parte significativa da intervenção ao bloqueio imposto a Cuba, que classificou como “uma autêntica declaração de guerra”. “Cuba não está só, Cuba vencerá”, afirmou, enquanto os milhares de pessoas que assistiam ao comício gritavam: "Cuba vencerá."

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