Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.Foto: Carlos Manuel Martins

Parlamento aprova audição ao governador do Banco de Portugal por reforma de Centeno

Requerimento apresentado pelo Chega aprovado por unanimidade pelos partidos presentes na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública: Chega, PSD e PS.
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O governador do Banco de Portugal (BdP), Álvaro Santos Pereira, vai ser ouvido no parlamento devido à aposentação do seu antecessor, Mário Centeno, aos 59 anos, depois da aprovação de um requerimento apresentado pelo Chega.

O requerimento para ouvir Álvaro Santos Pereira foi aprovado por unanimidade pelos partidos presentes esta quarta-feira de manhã na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública – Chega, Partido Social Democrata (PSD) e Partido Socialista (PS).

O requerimento do Chega propõe a audição de Santos Pereira e da administra Helena Adegas, que detém o pelouro do departamento de Pessoas e Estratégia Organizacional.

Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
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O ex-governador Mário Centeno vai sair do BdP através do regime de aposentação ao abrigo do fundo de pensões existente no banco central, após um acordo entre as duas partes.

A saída de Centeno foi noticiada pelo Jornal Eco, na passada sexta-feira, dando conta de que Mário Centeno iria deixar o Banco de Portugal (BdP) como consultor e passar à reforma, a receber pensão completa.

O Correio da Manhã noticiou esta quarta-feira que o BdP vai pagar ao ex-governador uma pensão de reforma de cerca de 10 mil euros brutos por mês, um valor ligeiramente inferior ao montante da pensão a que teria direito se continuasse na instituição, na qual poderia continuar a trabalhar até aos 70 anos, e também inferior ao salário de 15 mil euros brutos que recebia como consultor do conselho de administração do BdP.

Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
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Segundo a informação disponível na página da Sociedade Gestora dos Fundos de Pensões do BdP, existem dois fundos de pensões fechados do banco central, um para os trabalhadores que entraram até março de 2009 e outro constituído em 2010.

O deputado do Chega Eduardo Teixeira considerou que a aposentação de Centeno “merece alguns esclarecimentos”.

“Entendemos que é um assunto que precisa de escrutínio, quais as motivações de quem o propôs”, disse.

Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
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O deputado social-democrata Hugo Carneiro assegurou que o seu partido não tem “nenhum problema com este requerimento” e afastou a vontade expressa pelo Chega de recorrer ao direito potestativo para viabilizar as audições.

O socialista António Mendonça Mendes justificou o voto a favor com o texto do requerimento e acrescentou que “a independência não é ausência de escrutínio.

O fundo para os trabalhadores que entraram até março de 2009, como é o caso de Mário Centeno, "assegura o pagamento de pensões de reforma, de pensões de sobrevivência e de subsídios por morte aos trabalhadores admitidos no Banco de Portugal até 02 de março de 2009 e o pagamento dos encargos do Banco de Portugal com contribuições pós-emprego para o Serviço de Assistência Médico-Social (SAMS) respeitante à totalidade dos trabalhadores".

Mário Centeno foi governador do BdP entre 2020 e 2025, mas tinha já trabalhado na instituição enquanto economista a partir de 2000, foi diretor-adjunto do Departamento de Estudos Económicos de 2004 a 2013 e consultor do Conselho de Administração do BdP entre dezembro de 2013 e novembro de 2015.

Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal.
Mário Centeno: "O meu futuro está em aberto"

Em entrevista ao DN publicada esta quarta-feira, Centeno insistiu que o seu “futuro está em aberto” e frisou que a "aposentação é uma questão administrativa". "Vou continuar a pensar e a trabalhar exatamente como fazia antes. Não há nenhuma alteração. Aliás, a melhor demonstração disso é exatamente estar aqui, nos Estados Unidos, na universidade. Portanto, assim vai continuar”, afirmou, considerando que a reforma está "longe de representar um ganho financeiro".

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