O líder do Chega, André Ventura, disse nesta segunda-feira (16 de março) que o seu partido irá pedir a divulgação total do acordo feito pelo Banco de Portugal para a reforma "multimilionária" de Mário Centeno. E acusou o atual governador, Álvaro Santos Pereira, de ter proposto a saída do seu antecessor, atual consultor da instituição, "só por lhe fazer sombra".Reafimando que o grupo parlamentar do Chega mantém o requerimento potestativo, e com urgência, para a audição do governador do Banco de Portugal, André Ventura aproveitou uma conferência de imprensa, na sede do partido, para considerar "um pouco estranho, pelo menos", que tenha sido Álvaro Santos Pereira a sugerir que o antecessor se reformasse."Não há nenhuma razão plausível para esta reforma multimilionária", disse o líder do Chega, perguntando se os restantes consultores do Banco de Portugal terão acesso ao mesmo tipo de acordo que o antigo ministro das Finanças de António Costa. Sobre Centeno, Ventura ralçou que tem "apenas 59 anos e aparentemente com as suas capacidades intactas".Apesar de a reforma ser paga através do fundo de pensões do Banco de Portugal, o líder do Chega reiterou que se trata de "uma absoluta imoralidade" e de uma decisão "em que não se vislumbra qualquer vantagem para o país". "Diga-se o que se disser, continua a parecer duvidoso e um uso muito abusivo dos recursos públicos", rematou.A conferência de imprensa, realizada na sede nacional do Chega, e sem respostas no final, serviu também para André Ventura responsabilizar o PS "pelo impasse embaraçoso" que está a travar a eleição de órgãos externos pela Assembleia da República. Entre outras acusações, André Ventura disse que os socialistas estão a recusar que o seu partido indique um juiz para o Tribunal Constitucional, e a recusar participar numa lista conjunta para os cinco representantes dos deputados no Conselho de Estado.Pelo contrário, Ventura elogiou a liderança do PSD e do grupo parlamentar social-democrata. E, sobre o Chega, garantiu que esteve "sempre de boa-fé nos esforços para construir alternativas que não paralisassem as instituições", entre as quais também se encontra a Provedoria de Justiça e o Conselho de Estado..Assembleia da República adia lista para órgãos externos mais uma vez