A lista dos representantes eleitos pela Assembleia da República em órgãos externos, como o Conselho de Estado, a Provedoria de Justiça e três juízes do Tribunal Constitucional, que deveria ser apresentada nesta segunda-feira, teve um novo adiamento. O presidente da Assembleia da República recebeu um requerimento do grupo parlamentar do PS para que a questão volte a ser abordada na conferência de líderes, que só irá decorrer a 25 de março, pois também a habitual reunião com os representantes das forças com representação parlamentar tinha sido adiada uma semana.A dificuldade em encontrar uma lista consensualizada, nomeadamente entre os três maiores grupos parlamentares (PSD, Chega e PS), tem levado a constantes adiamentos nos últimos meses. A Provedoria de Justiça continua sem titular definitiva desde que Maria Lúcia Amaral foi indigitada ministra da Justiça, na sequência das eleições de 18 de maio de 2025 - tendo saído do Governo sem que fosse substituída no cargo anterior - e a morte de Pinto Balsemão e afastamento da política ativa de Pedro Nuno Santos deixou o Conselho de Estado sem dois membros.Ao longo das negociações, o líder parlamentar social-democrata Hugo Soares defendeu que a bancada do PS tenha direito a apontar um nome para a Provedoria de Justiça, mantendo a prática de o fazer quando o PSD está no poder, apesar de a segunda maior bancada parlamentar ser agora do Chega. Também tem havido entraves dos socialistas à ideia de um jurista indicado pelo partido de André Ventura ser eleito para o Tribunal Constitucional. Por outro lado, existe um verdadeiro imbróglio quanto ao quinto elemento eleito pela Assembleia da República, sendo consensual que o PSD mantenha dois elementos, e que Chega e PS indiquem um nome. Atualmente, o PS tem dois (Carlos César e Pedro Nuno Santos), mas as últimas legislativas levaram a que, mesmo com menor número de eleitores, o Chega tenha eleito mais deputados. No calendário que tinha ficado acordado em conferência de líderes, a votação da lista para os órgãos externos deveria decorrer na sessão plenária de 1 de abril, o que se torna inviável com o adiamento da apresentação da lista para 25 de março.