Moção de censura foi rejeitada e só teve votos favoráveis do Chega
Moção de censura foi rejeitada, só com votos favoráveis do Chega
Tal como se esperava, os 60 deputados do Chega foram os únicos a votar a favor da moção de censura que o seu partido apresentou e foi rejeitada pela maioria dos deputados. No momento em que o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, anunciou o resultado da votação, todos os deputados da bancada proponente se levantaram, repetindo a palavra "demissão" em uníssono durante mais de um minuto.
A moção teve 104 votos contra, das bancadas do PSD, do CDS-PP, da Iniciativa Liberal, do Livre e do PAN, bem como 62 abstenções, entre os deputados do PS, PCP, Bloco de Esquerda e Juntos pelo Povo.
André Ventura diz que teve o propósito de "mostrar o caminho da decência" a Luís Montenegro
O líder do Chega, André Ventura, encerra o debate da moção de censura a dizer que esta teve o propósito de "mostrar o caminho da decência" a Luís Montenegro, o que em sua opinião passaria pelo afastamento do ministro da Administração Interna, Luís Neves.
Nas críticas aos restantes partidos da oposição, Ventura centrou-se na Iniciativa Liberal, que tal como o Livre votará contra, dizendo que o antigo líder Rui Rocha talvez não esteja presente no momento em que discursa por não concordar com essa orientação de voto.
Também mencionou a "brigada da ética do PSD", recordando apelos de figuras como Duarte Pacheco, Fernando Negrão e Rui Rio para que o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária deixe de ser ministro.
Igualmente crítico se mostrou para o PS, recordando que os socialistas se juntaram ao seu partido na rejeição da moção de confiança apresentada por Luis Montenegro no inicio do ano passado. "Que saudades de Pedro Nuno Santos", repetiu Ventura, com o antigo secretário-geral a manter-se impávido na última fila da bancada socialista.
Anunciando que o Chega vai apresentar projetos de lei na próxima semana para descida de impostos sobre combustíveis e para o IVA Zero na alimentação, Ventura perguntou-se se "temos um Governo assim tão bom, que não mereça uma moção de censura". E concluiu que aqueles que a inviabilizarem serão "cúmplices e muletas" deste Governo.
"O primeiro-ministro teve três horas para dizer o que se passava com Luís Neves", disse André Ventura, garantindo que fez "todas as perguntas". Dirigindo-se a Paulo Rangel, disse que "brincar à democracia é proteger um ministro que não aceita escrutínio".
Em mais uma recorrente citação de Sá Carneiro, o líder do Chega admitiu que demitir Luis Neves tem riscos, acrescentando: "Mas a política sem riscos é uma chatice, mas sem ética é uma vergonha".
Rangel encerra pelo Governo com críticas à oposição: "Portugal tem de dizer chega ao Chega e dizer basta ao PS"
O ministro do Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, encerra o debate da moção de censura pelo Governo, dizendo que Portugal tem de "dizer chega ao Chega e dizer basta ao PS". Mas dirige-se sobretudo ao partido de André Ventura: "Não é um partido de Governo, é um partido de campanha."
Para Rangel, "os tempos não estão para brincadeiras", o que o leva a criticar quem poderia lançar Portugal numa crise política "diante da situação internacional desafiante e imprevisível".
Sobre os elogios do Chega à recente vitória eleitoral da Alternativa para a Alemanha, Rangel diz que o partido deve decidir se está a favor da Europa e da NATO ou, pelo contrário, "da Rússia de Putin".
Para o PS, Rangel guarda a "pesada herança dos oito anos de governação socialista" e diz que esse partido "quer fazer esquecer que a sua atual direção esteve ao leme". Referindo a entrada de 800 mil migrantes em quatro anos, com más consequências, o ministro dos Negócios Estrangeiros também apontou a Carneiro a extinção do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras. "Se não foi o pai, foi o pai adotivo, porque abraçou a extinção e a executou sem reservas", disse.
José Luís Carneiro faz apelo a Montenegro: "Tome as decisões que se impõem"
Os três minutos finais reservados para o PS servem para o secretário-geral José Luís Carneiro subir à tribuna para exigir ao primeiro-ministro que "tome as decisões que se impõem" para que a crise "não se alastre", num apelo ao afastamento de Luís Neves.
Acusando o Chega de ajudar o Governo a escapar ao escrutínio do Governo da AD, Carneiro defendeu que apenas 29% da redução de receita de IRS se deve a decisões do último executivo socialista.
Sobre a abstenção à moção de censura, com que os deputados socialistas "impedem uma crise política", Carneiro diz que o Governo tem uma oportunidade para dizer o que vai fazer quanto "às falhas graves" na Saúde ou na Habitação. A esse propósito, acusa o Executivo de ter feito "disparar em flecha" o preço dos arrendamentos com a definição de 2300 euros como renda moderada.
"Vai continuar refém do Chega e da sua vontade de sobreviver?", perguntou o secretário-geral do PS no final da sua intervenção.
Rui Tavares defende voto contra do Livre: "Não me junto a nenhuma matilha, seja de hienas ou de mabecos"
"Eu não ponho as mãos no fogo por Luís Neves nem por nenhum ministro deste Governo", começou por dizer Rui Tavares, justificando essa posição pela atuação de Luís Montenegro no caso Spinumviva. Ainda assim, acrescentou que também não se junta a "nenhuma matilha, seja de hienas ou de mabecos", defendendo que "o único crime que Luís Neves cometeu" foi contrariar o Chega no que toca à relação direta entre o aumento da imigração e o aumento da criminalidade.
Marcos Perestrello refere "relação sadomasoquista" entre o PSD e o Chega
O deputado socialista Marcos Perestrello pegou nas referência ao "Portugal feliz", feitas na intervenção inicial de Luís Montenegro, para evocar a rábula do "Senhor Contente e Senhor Feliz", protagonizada há quase meio século por Nicolau Breyner e Herman José.
Depois disso, Perestrello dirigiu-se à bancada do PSD, confessando-se preocupado pelas vezes sucessivas em que esse partido fez acordos com o Chega, preparando-se para o fazer uma quinta vez, neste caso na revisão constitucional.
"É o masoquismo político do PSD que alimenta o sadismo do Chega", disse o deputado socialista, confessando-se "preocupado" com a "irresponsabilidade" social-democrata, sobretudo quando considera pôr em causa o texto fundamental.
Mário Amorim Lopes acusa PS de ser "um lobo nas palavras e um carneiro nas ações"
O líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, defendeu que o PS "é um lobo nas palavras e um carneiro nas ações", referindo-se ao facto de os socialistas irem abster-se na votação da moção de censura apesar de criticarem o "oportunismo do Chega".
"José Luís Carneiro veio ensaiar aquela tática muito conhecida do 'vocês segurem-me, se não vou a eles'", disse Amorim Lopes.
Mariana Vieira da Silva ataca "incapacidade política" do Governo
A deputada socialista Mariana Vieira da Silva acusa o Governo de se aproveitar da extrema-direita para que não se falhe dos seus "falhanços" na Saúde, na Educação ou na Habitação. E defende que, mais do que uma estratégia de comunicação, está em causa a "incapacidade política" demonstrada pelo Executivo de Luís Montenegro.
Rui Paulo Sousa admite derrota da moção: "Pode não ser hoje que este Governo cai"
O deputado do Chega Rui Paulo Sousa dirige-se ao primeiro-ministro, depois de se referir ao aumento de indicadores de criminalidade, concluindo que "pode não ser hoje que este Governo cai, mas está a prazo".
É uma admissão clara do que irá acontecer na votação - o Chega será o único a votar favoravelmente, com abstenções do PS, PCP, Bloco de Esquerda e Juntos pelo Povo -, o que não impede Rui Paulo Sousa de desafiar Luís Montenegro a "deixar governar quem ama Portugal".
Social-democrata Francisco Sousa Vieira acusa Ventura de querer "dinamitar a República"
Numa das últimas intervenções do grupo parlamentar do PSD, Francisco Sousa Vieira defende que "o Chega quer a queda deste Governo porque está a governar bem" e a saída do ministro da Administração Interna "porque está a fortalecer a segurança das fronteiras".
Referindo-se à moção de censura como "pantomina política", o deputado social-democrata acusa Ventura de tentar "dinamitar a República", com eleições sucessivas, e conclui: "Quanto melhor estiver a economia, o Serviço Nacional de Saúde e a escola pública, pior estará o Chega."
Mais tarde, em resposta a uma intervenção do deputado do Chega Rui Cardoso, Francisco Sousa Vieira refere-se ao "suposto assalto" nas instalações do grupo parlamentar do partido de André Ventura.
Eurico Brilhante Dias diz que Ventura fez "moção de confiança ao PS e ao seu secretário-geral"
O líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, defendeu que André Ventura "conseguiu transformar a moção de censura numa moção de confiança ao PS e ao seu secretário-geral", apontando "profunda ausência de alternativas" do Chega.
Eurico Brilhante Dias recuou até ao chumbo do Pacote Laboral, dizendo que Ventura cedeu à pressão das redes sociais para voltar atrás na orientação de voto.
Filipe Sousa defende comissão parlamentar de inquérito
O deputado único do Juntos pelo Povo, Filipe Sousa, que anunciou que se irá abster, defendeu que a comissão parlamentar de inquérito aos mandatos de Luís Neves enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária "é a melhor solução para tirar todas as conclusões" sobre as condições do ministro da Administração Interna para continuar no Governo.
Por seu lado, a deputada única do PAN, Inês de Sousa Real, que irá votar contra a moção de censura, que qualificou de "espectáculo mediático", defendeu que "não se apaga um incêndio atirando gasolina para cima do mesmo". Mas sem deixar de referir ter "sérias dúvidas" quanto à atuação de Luís Neves.
Já a co-porta-voz do Livre, Isabel Mendes Lopes, desafiou o primeiro-ministro a "rasgar o acordo de revisão constitucional que o PSD tem em suspenso com o Chega". Único partido da esquerda que assumiu o voto contra a moção de censura, disse que "é obrigação de todos os democratas não alinhar na degradação das instituições".
Apesar de também ir votar contra, o líder parlamentar da Iniciativa Liberal, Mário Amorim Lopes, lançou um desafio muito claro ao ministro da Administração Interna: "Levante-se, demita-se. É a única atitude nobre que lhe resta."
Montenegro responde ao Chega com desempenho da economia portuguesa
"Nós temos um país ao lado que é governado por um governo socialista, e aqui parece que estamos a ser governados por um governo mais socialista do que o de Pedro Sanchez", atirou ao primeiro-ministro o deputado do Chega Rui Afonso, lembrando que a "receita do Estado com ISP está no valor mais alto".
Num momento protagonizado explusivamente pelo Chega, também Rita Matias atacou o primeiro-minitro, observadon que "tem sido mesmo constrangedor tentar demarcar-se destas polémicas" em torno do ministro da Administração Interna, reforçando a ideia com o facto de Luís Montenegro estar "atrelado ao poço sem fundo de escândalos de Luís Neves".
"Será normal que o órgão de polícia criminal" designado para investigar fraudes económicas "seja afastado dum processo que levou à queda dum Governo?", perguntou a deputada do Chega, aludindo à operação Influencer.
"Se a PJ também tivesse sido afastada da investigação da Spinumviva, o senhor continuaria a ser primeiro-ministro?", insitiu Rita Matias, antes de perguntar retoricamente: "O que une o primeiro-ministro ao ministro da Administração Interna?"
"Não me diga que também frequenta as lojas do Clube Académico do Fundão", ironizou, recordando a resposta que Luís Neves tinha dado esta manhã na audição regimental na Comissão dos Assuntos Constitucionais, garantindo que não pertencia à Maçonaria.
Luís Montenegro não respondeu a polémica e limitou-se a a defender que Portugal "teve o melhor desempenho na criação de emprego no primeiro semestre deste ano".
Para além disto, sublinhou Luís Monetenrgo, "hoje o preço que está a ser aplicado nos postos de combustível tem um desconto de 23 cêntimos que foi decidido por este Governo".
Primeiro-ministro volta a defender o "excelente" ministro da Administração Interna
Em resposta às três deputadas, Luís Montenegro defende o "excelente" ministro da Administração Interna e a forma como tem exercido o cargo desde que entrou para o Governo. Admitindo que possam não concordar com as suas escolhas, recorda que lhe cabe selecionar quem são os ministros mais adequados.
Mariana Leitão ataca "faceta oportunista" de José Luís Carneiro devido à abstenção do PS
A líder da Iniciativa Liberal, Mariana Leitão, confirmou que a Iniciativa Liberal irá votar contra a moção de censura, "porque se recusa a arrastar o país para uma crise política cujas vítimas são as famílias e as empresas portuguesas", sem deixar de dizer que a situação é "única e exclusivamente da responsabilidade de Luís Montenegro".
Acusando o primeiro-ministro de "amarrar o seu destino ao destino de Luís Neves", mantendo o ministro da Administração Interna "por teimosia e arrogância", Mariana Leitão criticou o "sentimento de impunidade" do antigo diretor nacional da Polícia Judiciária, que "ou sai pelo próprio pé ou terá de ser forçado a sair".
Perguntando a Montenegro, "porque opta por proteger um homem em vez de proteger a autoridade do cargo que ele ocupa", a líder dos liberais disse que o primeiro-ministro "teve todas as oportunidades" para resolver o problema.
Também atacou a "faceta oportunista" de José Luís Carneiro, que levou o PS a "abster-se ao populismo".
Antes dela, Cristina Rodrigues questionou o "Portugal mais feliz" defendido por Luís Montenegro. "Só se for para os membros do Governo", disse a deputada do Chega, para quem isso não acontece aos portugueses que "vão à bomba de gasolina e deixam lá metade do salário".
Também abordado pela deputada do Chega foi a "desmistificação" da relação entre imigração e criminalidade feita por Luís Neves ainda antes de entrar para o Governo, com Cristina Rodrigues a defender que "todos sabemos" a nacionalidade dos membros do "gangue dos Rolex" e a apontar "mais de 20 violações em Ceuta depois da invasão", terminando a perguntar ao primeiro-ministro a razão de manter confiança num ministro que é alvo de inquéritos de várias entidades, dentro e fora de Portugal.
Por seu lado, a deputada do Bloco de Esquerda Andreia Galvão perguntou quando é que Luís Montenegro irá exonerar o ministro da Administração Interna, referindo-se ao "padrão Spinumviva" que norteia a atuação do seu Governo.
Montenegro reafirma confiança em Luís Neves, que tem mostrado "aptidão" para garantir que Portugal é um dos países mais seguros
O primeiro-ministro respondia ao deputado do Livre Jorge Pinto, que tinha considerado Luís Neves "imprudente", apelando ao ministro da Administração Interna que se questione sobre se "a sua presença no Governo faz mais mal do que bem à defesa das instituições".
"Sobre condições do exercício do cargo de ministro da Administração Interna", Luís Montenegro reafirmou que "correspondem a escolhas do primeiro-ministro".
"O ministro da Administração Interna "tem mostrado aptidão, competência, para poder corresponder ao desafio de sermos um dos países mais seguros do mundo", defendeu o chefe do Governo, que estabeleceu como objetivo da tutela de Luís Neves "combater a criminalidade com maior capacidade operacional".
"Tem coordenado de forma absolutamente exemplar todos os mecanismos de prevenção e combate aos incêndios", continuou Luís Montenegro, antes de responder também às críticas do líder do PCP, Paulo Raimundo, sustentando que "o Governo vai diligenciar que o valor estratégico do país possa ser salvaguardado".
"A descida do IRC torna a economia mais atrativa" para mais investimento, garantiu o primeiro-ministra face às críticas comunistas, defendendo que "é esse investimento que cria mais emprego".
Paulo Núncio prevê que o "camarada Ventura" ultrapassará o PCP no número de moções de censura
O líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, defendeu que os portugueses não ganhariam nada caso fosse aprovada a moção de censura que faria cair "um Governo que não está sequer a meio do mandato".
Na opinião do centrista, "os portugueses teriam tudo a perder, por muito que custe a André Ventura a realidade dos factos", visto que o rendimento médio das família subiu 14% nos últimos dois anos e o risco de pobreza "finalmente diminuiu".
Referindo-se ao aumento do rating da República Portuguesa para A+, perdido em dezembro de 2010, quando o país "já está mergulhado no desastre" da governação de José Sócrates, Núncio criticou o "oportunismo político" daquele a quem chamou "camarada Ventura", antecipando que o líder do Chega acabará por ultrapassar o recorde de moções de censura atualmente detido ao PCP. Os comunistas apresentaram até agora 11, enquanto o Chega vai na quarta.
Paulo Raimundo diz que "propaganda do Governo esbarra na realidade"
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, dirigiu-se ao primeiro-ministro, dizendo-lhe que "a propaganda do Governo esbarra na realidade", com salários e pensões "comidos pelo brutal aumento do custo de vida".
Sobre o suplemento que Montenegro prometeu aos pensionistas, o líder comunista disse que "os reformados não precisam só de comprar alimentos em dezembro".
Quanto ao Chega, Raimundo disse que o primeiro-ministro "pode ficar descansado" com o partido que lhe viabilizaria o Orçamento do Estado para 2027 "se o PS não lhe desse a mão".
Montenegro acusa PS de estratégia de diálogo com o Chega
O primeiro-ministro rebateu as críticas lançadas pelo líder do PS, José Luís Carneiro, sobre a atuação do Governo.
Luís Montenegro começou por dizer que compreende que José Luís Carnejrio se mantenha fiel "aos princípios de diálogo político", tendo em conta que o PS querer evitar uma crise política, que considerou, "é contrária aos interesses dos portugueses".
No entanto, sustentou o primeiro-ministro, "o senhor deputado atirou ao lado" quando afirmou que "o Governo falhou nos salários".
"15% de aumento líquido em dois anos?", questinou de forma retórica Montenegro, lembrando que "somos a economia europeia que mais cresceu no segundo trimestre".
Sobre a legitimidade que Carneiro de "fazer esses juízos críticos do Governo", Luís Montenegro acabou por acusar o líder do PS de se perder "na via mais populista" ao dizer "que está tudo mal".
"Sobre a predisposição do Governo de falar com todas as bancadas", Continuou Luís Montenegro, não é algo "exclusivo do Governo", atirou.
"O senhor já fez isso sobre aumentos de pensões" e "aumentos de portagens", lembrando posições socialistas que convergiram com as do Chega.
Impasse na interpelação à mesa
Tal como já tinha anunciado antes das férias parlametares, o presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, está a seguir uma interpretação muito mais restritiva do que deve ser uma interpelação à mesa. A primeira "vítima" é o líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, seguindo-se o líder parlamentar do PS Eurico Brilhante Dias, que tem mais sucesso e recebe dois minutos para dizer ao congénere do PSD, Hugo Soares, que "não podemos usar a falsidade e a mentira".
Eurico Brilhante Dias considera "grave" que Hugo Soares se tenha referido a José Luís Carneiro como "o pai da morte do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras", enquanto ministro da Administração Interna de António Costa. E mantém que os portugueses estão a pagar mais impostos nos combustíveis.
Por seu lado, Hugo Soares responde que Carneiro "foi o pai da extinção do SEF", recordando declarações do agora secretário-geral do PS. E reitera que este mentiu aos portugueses, desafiando os deputados a demonstrar que nos últimos dois anos tenham sido aumentados impostos.
Hugo Soares considera "curioso" que André Ventura não fique indigando com a vandalização do gabinete do Chega
Depois de um lapso – chamou "moção de confiança" à moção de censura – o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares afirmou que André Ventura avançou com esta moção de censura, "que se transforma no final do dia numa moção de confiança ao Governo".
Sobre a indinação demonstrada pelo líder do Chega sobre a utilização de um carro, por parte de Luís Neves, que tinha sido apreendido a um criminoso, Hugo Soares considerou que o que o "choca", mas acima de tudo que o que o "deixa curioso", é a "circunstância" em que André Ventura não se tem mostrado indignado pelo "ataque a um órgão de soberania, o seu gabinete".
Carneiro diz que Ventura merece que Montenegro lhe dê "prémio de deputado do mês"
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, responde às acusações de André Ventura de estar "agarrado a Luís Neves", dizendo que "o PS não tem medo".
Quanto à moção de censura, anuncia que não a irá viabilizar para defender os portugueses de uma crise política, defendendo que André Ventura merece que Luís Montenegro lhe dê "o prémio de deputado do mês" por desviar a atenção do escrutínio necessário na Saúde, na Habitação e na Educação.
Também não deixa de acusar o Governo "de se entregar nos braços do Chega", na aprovação de legislação ou na revisão da Constituição.
Montenegro anuncia redução de IRS e atribuição de suplemento extraordinário aos pensionistas
O primeiro-ministro guarda para o final da intervenção anúncios de uma redução da taxa de IRS até ao sexto escalão, com impacto nos salários de dezembro e subsídios de Natal, e um suplemento extraordinário aos pensionistas, também no mês de dezembro.
Montenegro diz que as medidas irão beneficiar dois milhões de pensionistas e dois milhões de agregados familiares, para "construir um Portugal mais feliz".
Montenegro diz que "vivemos em realidades diferentes"
O primeiro-ministro Luís Montenegro desvaloriza a iniciativa do Chega, dizendo aos deputados do principal partido da oposição que "vivemos em realidades diferentes". E enumera dados acerca da sua governação, "enquanto alguns se entretêm com moções", incluindo a ausência de aumentos de impostos ou o "maior crescimento de emprego na Europa".
Montenegro também refere o "grande desafio da digitalização dos exames", passando ao lado dos problemas que geraram neste verão, investimentos na saúde e a escolha do novo aeroporto.
"Enquanto alguns vivem de insinuações", refere o primeiro-ministro, realçando feitos do Ministério da Administração Interna no policiamento, no controlo de fronteiras nos aeroportos ou no combate aos incêndios.
Numa alusão a polémicas ligadas a Luís Neves, Montenegro recebe aplausos da bancada do PSD ao dizer que "alguns andam atrelados a tanques de insinuações".
E promete "continuar a privilegiar o aumento dos rendimentos", com aumento de salários e contenção de impostos, dizendo que "ao contrário do que dizem os mais distraídos ou intelectualmente desonestos" o Estado não estar a ganhar dinheiro com o preço dos combustíveis.
Entre ataques a Carneiro e Montenegro, Ventura pede "por amor de Deus" a saída de Neves
André Ventura recorre a Pedro Nuno Santos, recordando que afastou um candidato autárquico por suspeitas de violência doméstica, para se dirigir a José Luís Carneiro. "O senhor deputado só não pede a demissão de Luís Neves se estiver tão agarrado a Luís Neves quanto o primeiro-ministro", diz o líder do Chega.
E, de seguida, pergunta a Luís Montenegro "porque é que mantém Luís Neves", dizendo que a área ardida aumentou - alegação que gera burburinho nas bancadas -, o SIRESP é mal gerido, os "crimes com arma branca aumentaram e o número de violações é o maior da década".
Ventura termina, pedindo "em nome de Deus", a saída do ministro da Administração Interna.
Ventura arranca debate: "Os portugueses têm a certeza de que o PS está capturado por Luís Neves"
O líder do Chega, André Ventura, arranca a intervenção inicial com ataques ao "novo xerife da República", a ideia de que "o que nos trouxe aqui foi uma degradação sem precedentes das instituições democráticas", mas também um dedo apontado ao outro dos principais partidos da oposição, que garantiria o seu sucesso da moção de censura apresentada pelo seu grupo parlamentar.
"Os portugueses têm a certeza de que o PS está capturado por Luís Neves", disse Ventura, aplaudido pela sua bancada, seguindo para uma descrição dos casos que envolvem o ministro da Administração Interna, nomeadamente enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. E pergunta porque é que essa polícia "foi a correr" recuperar o atrelado que tinha sido entregue à Construbarcelos, realçando que essa empresa não tem contratos públicos com outras entidades.
Falando de "um conluio inadmissível" entre membros do Governo, juntando Rita Júdice e Luís Neves, Ventura pergunta ao ministro da Administração Interna "como é que tem a falta de vergonha para ainda aí estar sentado", voltando a ser aplaudido de pé pelos deputados do Chega. Enquanto isso, o primeiro-ministro mantém-se, impávido e sereno, sem esboçar qualquer reação.
Chega vai abrir e fechar a sessão
José Pedro Aguiar-Branco anuncia que o grupo parlamentar terá direito à intervenção de abertura e de encerramento, com o Governo a intervir imediatamente a seguir e antes, respetivamente. No final será votada a moção de censura.
Aguiar-Branco refere-se a moção de censura como "pré-época da próxima sessão legislativa"
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, refere-se à sessão plenária desta terça-feira como a "pré-época da próxima sessão legislativa". Enquanto pede para que os deputados tomem os lugares e façam silêncio, entra na Sala de Sessões o ministro da Administração Interna, Luís Neves, que esteve até há poucos minutos numa audição regimental que durou mais de três horas.
Luís Montenegro é o primeiro na tribuna do Governo
O primeiro-ministro Luís Montenegro é o primeiro membro do Governo a tomar o seu lugar, seguido pela ministra do Ambiente e Energia, Graça Carvalho, e pelos restantes ministros.
Quase tudo a postos para o início da sessão
Cerca de metade dos deputados já estão no hemiciclo, enquanto toca a campainha que assinala a chamada para o arranque dos trabalhos. O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco tomoa a palavra pela primeira vez, apelando a todos para tomarem os seus lugares.
Deputados começam a ocupar lugares no hemiciclo
Primeiros deputados a entrar na Sala de Sessões da Assembleia da República foram sociais-democratas. Entre eles, Paulo Moniz, Alexandre Poço, Hugo Carneiro e Gonçalo Capitão, que tem protagonizado debates intensos com a bancada parlamentar do Chega nesta legislatura.
Ministros começam a chegar ao Parlamento
O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, foi naturalmente um dos primeiros membros do Governo na Assembleia da República, muito antes da hora marcada para o arranque da discussão da moção de censura do Chega.
Leia o que foi dito na audição regimental a Luís Neves
Horas antes da sessão plenária convocada para debater e votar a moção de confiança, Luís Neves foi à Comissão dos Assuntos Constitucionais, para uma audição regimental que rapidamente abrangeu a sua atuação enquanto diretor nacional da Polícia Judiciária. Pode ler aqui o liveblog.
PS e PCP vão optar pela abstenção
Os deputados do PS e do PCP irão abster-se na votação da moção de censura ao Governo apresentada pelo Chega, tal como já tinha sido anunciado pelo Juntos pelo Povo e pelo Bloco de Esquerda, enquanto o Livre anunciou que votará contra, juntando-se à Iniciativa Liberal e ao PAN.
Ventura quer pressionar Montenegro e o resto da oposição
A moção de censura do Chega deverá ser aprovada apenas pelo grupo parlamentar que a apresenta, mas André Ventura conta pressionar o primeiro-ministro e os restantes partidos da oposição, dos quais diz esperar "consistência e coerência" quanto à permanência de Luís Neves no Ministério da Administração Interna.
Moção de censura do Chega é a 37.ª, mas só uma teve sucesso
Cavaco Silva foi o único primeiro-ministro que viu cair o seu executivo devido à aprovação de uma moção de censura na Assembleia da República, acabando por conseguir duas maiorias absolutas consecutivas. Apesar de também não serem muito letais, as moções de confiança revelaram-se mais perigosas nas últimas décadas.

