Aquisição de 13,7% do capital da REN "aumenta a capacidade do Estado para influenciar a partir de dentro", defende ministra
A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, defendeu esta quarta-feira (9 de setembro), em audição no Parlamento, a aquisição de 13,7% do capital das Redes Energéticas Nacionais.
A ministra destacou a medida, vincando que o Governo "teve a coragem de tomar uma decisão, alegando "que outros gostariam de ter conseguido." "Foi a notícia que mais gostei de dar aos portugueses", afirmou, inclusivamente, aos deputados.
A Iniciativa Liberal foi dos partidos mais interventivos no debate, inquirindo a ministra sobre o peso desses 13,7% no capital para uma decisão estratégica da REN. "É mais uma ferramenta", comentou, quanto à intervenção no setor e nos investimentos. "Vai permitir que se aumente a capacidade do Estado para influenciar a partir de dentro", destacou, referindo a necessidade de trabalhar "em ter maiores fontes de energia renovável a preços baixos" e de como essa aposta tem de ser "importante no pensamento da economia portuguesa."
Detalhou ainda que o regresso do Estado à REN, com a compra de 13,7% do capital, foi intenção primária de Luís Montenegro, ainda em 2024, e que a visita à China em 2025 foi determinante. "Negociou-se com atores de grande capacidade", confirmando conversas com o Governo chinês antes da compra da posição detida pelo empresário espanhol dono da Zara.
Maria da Graça Carvalho avaliou a participação do Estado na REN como sendo uma "questão de soberania e segurança nacional". Deixou uma crítica implícita a privatizações anteriores, lembrando que Portugal "é exceção na Europa" porque tinha operadores da eletricidade e do gás "totalmente privados."
Luís Montenegro, primeiro-ministro, tinha salientado há três semanas a "oportunidade", mencionando que pode dar benefícios económicos futuros, além de "chegar mais facilmente a casa das pessoas e poder vir a reduzir o custo da eletricidade."
A integração da REN no Fundo Soberano Nacional foi a primeira medida prática desse mesmo fundo, que tem ouvido críticas acérrimas da Iniciativa Liberal. PS questionou a intenção da decisão e a operacionalização da estratégia. Livre, PCP e Bloco de Esquerda tinham essa meta estabelecida em programas eleitorais.

