Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, admitiu esta terça-feira, 14 de abril, a existência de uma análise técnica aos projetos de lei sobre a lei da identidade de género e comprometeu-se a enviar o documento ao parlamento até ao final do dia.Em resposta a perguntas da deputada socialista Isabel Moreira, a ministra Margarida Balseiro Lopes negou que o Governo tivesse pedido um estudo sobre o impacto dos projetos de lei do PSD, CDS e Chega, mas admitiu que a Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) fez uma análise aos projetos.“Sempre que há uma iniciativa legislativa a dar entrada na Assembleia da República, há um procedimento formal e automático que é de pedir às entidades competentes para poder analisar tecnicamente para que o Governo esteja munido na análise técnica necessária para o acompanhamento do processo legislativo”, explicou.Acrescentou, no decorrer da audição regimental na Comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, que isso também aconteceu relativamente aos projetos de lei para revogar ou alterar a lei 38/2018, sobre a autodeterminação da identidade de género, e que foram aprovados na generalidade na Assembleia da República.Margarida Balseiro Lopes admitiu ter pedido à CIG uma análise técnica, mas negou que o Governo tenha escondido o documento, argumentando que “documentos e pareceres ligados a processos seletivos do Governo são, por regra, reservados e não integram o conceito de documentos administrativos de acesso aberto”.“Há uma separação de poderes entre aquele que é o poder legislativo e o poder administrativo e não há uma regra geral que obrigue os serviços da administração pública a fazer pareceres para todos os processos da Assembleia da República”, sustentou, admitindo, no entanto, que haja “uma lógica de cooperação institucional”.Nesse sentido, assumiu o compromisso de “ainda durante o dia de hoje, fazer chegar à Comissão [de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias] a análise técnica que a CIG enviou para o gabinete”.Alguns partidos com assento parlamentar chegaram a pedir a audição, com urgência, da ministra Balseiro Lopes por nunca ter sido divulgado a análise da CIG.Os projetos de lei aprovados para discussão na especialidade em 20 de março são da responsabilidade do PSD, Chega e CDS, e visam revogar ou alterar a Lei n.º 38/2018, que consagra a autodeterminação da identidade e expressão de género.O PSD propôs a revogação da legislação de 2018 e o regresso ao regime de 2011, reintroduzindo a obrigatoriedade de validação médica para a mudança de nome e género no registo civil.O Chega pretende alterar os procedimentos de alteração de nome e género, invocando a “proteção das crianças e jovens”, enquanto o CDS-PP defende a proibição de bloqueadores da puberdade e de terapias hormonais em menores de 18 anos, no âmbito do tratamento da disforia de género. .Direita não quer mudança de sexo para menores.PSD com disciplina de voto no projeto do partido sobre mudança de género no registo civil