Carlos Moedas evitou ir a debate de atualidade, potestativo, requerido pelo Livre, no qual o partido apresentava, em sede de Assembleia Municipal, críticas à ética do edil lisboeta. Os deputados do PSD nessa mesma Assembleia votaram favoravelmente ao recurso que colocaram, tal como o Chega que, apesar de não estar na coligação de Moedas na Câmara Municipal, voltou a votar ao lado dos sociais-democratas. Assim, Moedas não dará as explicações pedidas em debate e que levaram até a que o grupo do PSD se insurgisse com a condução dos trabalhos da Assembleia Municipal.Não deixa de ser notado, porém, que os grupos municipais do CDS-PP e da Iniciativa Liberal votaram contra esse recurso, ambos coligados na vereação e comando da Câmara Municipal de Lisboa. O DN teve acesso a uma nota explicativa do CDS-PP. O partido diz compreender "os fundamentos invocados pelo PSD, designadamente no que respeita ao caráter impróprio da formulação escolhida pelo Livre", vincando que "a discussão do plano próprio da fiscalização política" passa "para um terreno de apreciação moral e pessoal que não dignifica o funcionamento da Assembleia Municipal". No entanto, o partido posiciona-se ao dizer que, "perante um desvio desta natureza, a resposta adequada não é impedir o debate, mas travá-lo no plano político, em plenário, expondo o excesso, desmontando a acusação e recusando, à vista de todos, a tentativa de transformar esta Assembleia num tribunal de intenções." Como tal, o CDS-PP defendia que Moedas fosse a plenário para dar as justificações que o Livre exigia. Pelo que o DN apurou, seria confrontado com as nomeações de Mafalda Livermore, entretanto exonerada dos Serviços Sociais, com a situação da vereadora Joana Baptista, que o Executivo mantém em funções apesar da polémica judicial envolvendo os almoços em Oeiras, e também Laplaine Guimarães, que liderava a Secretaria-Geral até 23 de março e que foi um dos quatro detidos na Operação Lúmen. Além das alterações nos espaços culturais da cidade, como Rita Rato, comunista que deixou de dirigir o Museu do Aljube, e Francisco Frazão, que foi afastado do Teatro do Bairro Alto."Nada do que foi invocado sustenta, de forma séria, uma acusação de falha ética pessoal do presidente da Câmara. No máximo, estamos perante matérias suscetíveis de discordância política, de crítica ou de pedido de esclarecimento. Gostaríamos de ter confrontado o Livre com isto, exigindo-lhe que prestasse contas pela sua proposta", acresce num comunicado explicativo do CDS-PP, defendendo a atuação do presidente da Câmara. O PS absteve-se. PCP, Bloco e Livre votaram contra o recurso apresentado, exigindo as explicações de Moedas. .Lisboa. Deputados municipais do Livre pedem debate para avaliar ética da gestão de Carlos Moedas