A Federação Portuguesa pela Vida, entidade que organizou a Marcha pela Vida neste sábado, pretende que o arremesso de um cocktail Molotov contra participantes no evento contra o aborto e a eutanásia, seja "tratado pelas autoridades como o ato de terrorismo que é", considerando "urgente que sejam investigados todos os que a ele estiveram ligados".A PSP deteve o autor do ataque, que teve lugar no final da tarde de sábado, junto às escadarias da Assembleia da República, e o homem de 39 anos irá ser presente a juiz nesta segunda-feira. Também foram identificados outros três homens, que a força policial disse estarem ligados a um grupo de conotação anarquista.Segundo um comunicado, a que o DN teve acesso, a Federação Portuguesa pela Vida irá pedir uma audiência ao ministro da Administração Interna, Luís Neves, que neste domingo condenou o "ataque falhado" à Marcha pela Vida. E também ao procurador-geral da República, Amadeu Guerra, acrescentando que se irá constituir como assistente no processo judicial decorrente do ataque.A entidade organizadora da Marcha pela Vida defende ainda que, "caso se venha a provar a ligação entre os atacantes e alguma organização política, esta seja declarada organização terrorista", nos termos da Lei de Combate ao Terrorismo. E apela a que "todos aqueles que, especialmente no exercício de poderes públicos, têm usado nos últimos anos um tom de ódio contra o movimento pró-vida - acusando-nos de inúmeras iniquidades - coloquem a mão na consciência e compreendam as consequências do seu discurso".No comunicado, a Federação Portuguesa pela Vida descreve movimentações de um grupo de pessoas que se aproximaram do palco da manifestação, "com uma atitude provocadora". Uma hora mais tarde, um deles tirou, de uma caixa que carregavam, o dispositivo incendiário que arremessou para o local onde estavam concentrados participantes do protesto contra o aborto e a eutanásia."Perante os dados apurados - um ato planeado por um grupo de pessoas que, por razões políticas, procuram atacar alvos que causem impacto - não nos restam dúvidas de que estejamos diante de um ato terrorista", declara a entidade, acrescentando que "não tivesse a ignição falhado e estaríamos hoje a falar da morte de crianças e bebés".Ainda segundo a Federação Portuguesa pela Vida, "o falhanço do atentado não pode escamotear que uma organização política planeou e procurou executar um ataque com um engenho incendiário contra um evento público repleto de famílias, jovens e crianças".Em declarações ao DN, publicadas na edição desta segunda-feira, o fundador do Observatóro de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, José Manuel Anes, declarou igualmente que o ataque contra a Marcha pela Vida poderá ser encarado como um ato de terrorismo..Ataque contra Marcha pela Vida pode levar a acusação de terrorismo.Luís Neves reage a ataque contra Marcha pela Vida: "Não toleramos qualquer forma de extremismo violento"