Paulo Raimundo
Paulo RaimundoFoto: Reinaldo Rodrigues

Óbito de Carlos Brito: Raimundo diz que PCP lembrou dirigente de “forma sóbria” e pondo divergências de lado

Líder do PCP saudou a iniciativa do Presidente da Assembleia da República de apresentar um voto de pesar, afirmando que essa é uma iniciativa importante e que se “justifica plenamente”.
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O secretário-geral do PCP defendeu esta terça-feira (12 de maio) que o seu partido recordou o antigo dirigente Carlos Brito “de forma sóbria”, “colocando para segundo plano razões fundas de discordância” que estiveram na origem da saída do antigo líder parlamentar comunista.

Esta posição foi assumida por Paulo Raimundo em declarações aos jornalistas à margem da manifestação de enfermeiros, em Lisboa, depois de ser questionado sobre as críticas dirigidas ao PCP pela mensagem divulgada a propósito da morte, na passada quinta-feira, do seu antigo dirigente Carlos Brito.

Raimundo disse que o partido, no momento da morte de Carlos Brito, quis salientar o seu legado na luta antifascista, na Revolução dos Cravos e no PCP, onde, sublinhou, teve “grandes responsabilidades”

Paulo Raimundo argumentou também que o PCP procurou valorizar Carlos Brito “de forma sóbria” e “colocando para segundo plano razões fundas de discordância” que levaram à sua saída do partido há mais de 20 anos.

O líder do PCP saudou ainda a iniciativa do Presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, de apresentar um voto de pesar por Carlos Brito, afirmando que essa é uma iniciativa importante e que se “justifica plenamente”.

“Aqueles que nos tentaram acusar (...) ou não leram bem o que nós escrevemos, ou então queriam que nós tivéssemos escrito outra coisa que não escrevemos”", concluiu.

O histórico dirigente do PCP faleceu no passado dia 07 de maio aos 93 anos.

No dia da sua morte, através de uma breve nota enviada “a pedido de vários órgãos de comunicação social”, o PCP recordou o percurso antifascista e a "contribuição na Revolução de Abril" de Carlos Brito, apesar das "conhecidas diferenças e distanciamento político".

"Sem prejuízo das conhecidas diferenças e distanciamento político, registamos em Carlos Brito o seu percurso antifascista e a sua contribuição na Revolução de Abril, nomeadamente no plano parlamentar", lia-se na nota.

Carlos Brito nasceu em Moçambique em 1933 e foi militante do PCP durante 48 anos, como funcionário, membro do Comité Central, líder parlamentar, diretor do jornal “Avante!” e candidato à Presidência da República.

Esteve entre os dirigentes que reclamaram um congresso extraordinário após a derrota eleitoral do PCP nas autárquicas de 2001. No seguimento da luta interna que opôs os chamados “renovadores” aos defensores da ortodoxia do partido, Carlos Brito foi suspenso do PCP em 2002 por 10 meses.

A sanção disciplinar foi decidida pelo Secretariado do partido, entre várias expulsões de críticos da direção, entre os quais Edgar Correia, já falecido, e Carlos Luís Figueira, que viriam a formalizar alguns anos depois a associação política Renovação Comunista.

Desde 1996 que Carlos Brito evidenciou vontade de se afastar de cargos dirigentes, primeiro ao recusar integrar a Comissão Política em 1996 e depois saindo da direção do “Avante!”, em 1998.

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Histórico do PCP, Carlos Brito morre aos 93 anos
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Figura do dia: Carlos Brito e o PCP
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