Recorde negativo na Madeira: 23% dos jovens deixa escola sem acabar 12.º ano

Taxa de abandono precoce na Madeira é muito superior à média nacional. Retrato demográfico mostra que há 120 idosos por cada 100 jovens no arquipélago.

Apesar dos evidentes progressos registados nos últimos 20 anos em termos de escolaridade, a Madeira continua a ter uma taxa de abandono escolar precoce muito superior média nacional. Em 2016, 23,2% dos jovens madeirenses entre os 18 e os 24 anos tinha deixado de estudar sem completar o ensino secundário - um valor que ultrapassa em muito os 14% de média nacional.

Os dados constam da Pordata, a base de dados estatísticos da Fundação Francisco Manuel dos Santos, que traçou um retrato da Madeira, por ocasião das eleições legislativas regionais, que vão decorrer no próximo domingo.

Apesar deste dado os números mais recentes contrastam, para bastante melhor, com os de há 20 anos. Em 1998, um quarto da população com mais de 15 anos (24,8%) não tinha qualquer nível de escolaridade, uma percentagem que caiu para os 7,4% em 2018. A população com ensino secundário e pós-secundário subiu dos 8,9% para os 20,2% em duas décadas, e com ensino superior aumentou dos 2,6% para os 15,9%.

Na Madeira há 120 idosos por cada 100 jovens

Outro dado que resulta evidente do retrato estatístico elaborado pela Pordata é o do envelhecimento da população. No início do século, em 2001, havia 71,4 pessoas com mais de 65 anos por cada 100 jovens abaixo dos 15. Agora, a pirâmide etária inverteu-se - há 120,6 idosos por cada 100 jovens.

O município mais envelhecido é São Vicente (247 idosos por cada 100 jovens, mais do dobro), seguido por Santana (242 em 100) e Porto Moniz (223 em 100).

Em sentido inverso, o município mais jovem é Santa Cruz (68,9 idosos por cada 100 jovens) e Câmara de Lobos (74,9 em 100). No Funchal, a proporção é de 145,9 idosos por cada centena de jovens.

A esperança média de vida aumentou dos 73,3 anos em 2001 para os 78,2 anos em 2016 (a média nacional estava então nos 80,8 anos).

Em todos os municípios, com exceção de Santana, o número médio de filhos por mulher é inferior ao do todo nacional, sendo que em nenhum município está assegurada a substituição de gerações (que obriga a uma média de 2,1 filhos por mulher). De acordo com os dados da Pordata, em 2018 o número de nascimentos caiu para menos de 20% do número registado em 1960 - nesse ano nasceram 8822 crianças na Madeira, em 2018 foram 1919.

Outra realidade que mudou de forma ainda mais radical foi o peso dos casamentos católicos. Em 1960, 97% das uniões foram celebradas pela Igreja Católica, agora são menos de um terço do total de casamentos.

Sem surpresa, o setor terciário (serviços) emprega grande parte da população ativa (75,5%), enquanto o setor primário (10,6) e secundário (13,9) estão quase equiparados. Os desempregados de longa duração têm um peso considerável nos números do desemprego: 59,7 dos desempregados estão sem trabalho há um ano ou mais.

Um arquipélago virado para o turismo

Em 2017, um em cada cinco alojamentos turísticos do país estava localizado na Madeira, sendo que a proporção de hóspedes é esmagadoramente estrangeira - 80,8% - e as estadas são em média de cinco dias, quase o dobro da média nacional.

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