Quantas pessoas vão poder estar na Festa do Avante? PCP não revela lotação

A organização da Festa do Avante, que se realiza de 3 a 5 de setembro no Seixal, garante que vai seguir as recomendações da Direção-Geral de Saúde, mas não revela qual será a lotação do espaço, que tem capacidade para cerca de 100 mil pessoas.

Quantas pessoas vão poder estar na Festa do Avante? Essa foi a pergunta que os jornalistas repetiram esta terça-feira na conferência de imprensa que decorreu na Quinta da Atalaia, no Seixal, mas para a qual não obtiveram resposta. Alexandre Araújo, que integra o secretariado do Comité Central do PCP, e Madalena Santos, da comissão de espetáculos da Festa do Avante, explicaram todos os pormenores relativos à programação e às regras de saúde pública que serão aplicadas na festa que se realiza nos dias 4, 5 e 6 de setembro mas recusaram-se a dizer quantos bilhetes estão disponíveis para o evento e qual será, afinal, a lotação do espaço.

"Este é um espaço bastante amplo, temos a certeza que não teremos problemas. O espaço da Festa do Avante é suficiente para albergar o número de bilhetes que colocámos à venda", afirmou Alexandre Araújo, garantindo que a organização está a controlar as vendas de bilhetes e que intervirá caso seja necessário. "Ainda não colocámos nenhuma limitação global à presença na festa", disse, acrescentando que a organização está a trabalhar em conjunto com a Direção-Geral da Saúde (DGS) num plano de contingência covid-19.

"Obviamente que serão cumpridas todas as normas definidas pela DGS com o objetivo de garantir que este será um espaço seguro", afirmou, recusando-se no entanto a dizer qual será a lotação total definida pela organização. Revelou apenas que nos anos anteriores, a festa tinha capacidade para cerca de 100 mil pessoas.

Este ano, a organização garante que houve um acréscimo de 10 mil metros quadrados (uma zona que antes estava fechada ao público e que agora vai estar disponível), que faz com que o espaço da festa chegue aos 30 hectares.

Além disso, todos os palcos são agora ao ar livre e o espaço dos anfiteatros foi também alargado, fazendo com que, apesar dos lugares marcados no chão para os espectadores, estes tenham capacidade para mais pessoas, garantem os responsáveis. No entanto, não esclarecem quantas pessoas poderão efetivamente assistir ao espetáculos de Xutos & Pontapés ou de Mão Morta. "Teremos uma capacidade bastante semelhante ou ate superior aos anos anteriores", garante Madalena Santos. Para além dos três palcos para concertos, também o teatro e o cinema serão ar livre e com lugares marcados.

Desinfetante e distanciamento não param a festa

A um mês da abertura da Festa do Avante, os trabalhos decorrem a bom ritmo na Quinta da Atalaia e já são visíveis algumas novidades: pendurados nos troncos de algumas árvores, espalhadas pelo recinto, estão dispensadores de álcool-gel, lavatórios com água e sabão e toalhetes de papel.

As regras sanitárias da Festa do Avante estão publicadas há dias no site oficial e cumprem, como diz Alexandre Araújo, aquelas que foram definidas pela DGS quer para os eventos culturais ao ar livre quer para os espaços de restauração. "Não há regras especiais para a Festa do Avante", sublinha este responsável que garante que este ano haverá uma "redução substancial da área de construção", o que implica uma redução dos espaços de restauração e uma aposta maior nas zonas ao ar livre - mais esplanadas e distanciamento nas mesas, uma "organização pensada de filas para atendimento e pré-pagamento".

Para além do distanciamento e do uso de máscaras, como "já é habitual", há outras regras a cumprir. Nas exposições, tal como em todos auditórios, serão definidos percursos de circulação para evitar retornos e ajuntamentos de pessoas. E haverá vários "assistentes de plateia" para garantir que as normas serão seguidas. Este ano não haverá a habitual corrida e o programa desportivo ainda não está definido.

O catering dos artistas e técnicos, habitualmente em regime de self-service, será este ano servido em modo "pegue e leve". E haverá, obviamente, um cuidado extra com a limpeza e desinfeção de todos os espaços, sejam camarins, instalações sanitárias e outros. "Orgulhamo-nos muito, na nossa festa, de fazer as mudanças de palco com grande rapidez, em 5 a 7 minutos, mas este ano iremos demorar um pouco mais porque teremos de cumprir os protocolos de higienização do espaço", explicou Madalena Santos, acrescentando que esses intervalos serão aproveitados para passar nos ecrãs dos palcos alguns vídeos feitos propositadamente para este evento.

Quanto às restrições na venda de álcool, Alexandre Araújo garante que, como em tudo o resto, serão cumpridas as regras que estiverem em vigor nos dias 4, 5 e 6 de setembro.

As portas abrem mais cedo (às 16.00) e serão privilegiados os pagamentos com cartão.

"Críticas têm objetivos políticos"

Desde que anunciou a sua intenção de realizar a Festa do Avante, o PCP tem sido alvo de bastantes críticas, vindas dos outros partidos políticos mas não só. No entanto, Alexandre Araújo tem a certeza que, mais do que uma verdadeira preocupação com a saúde pública, "essas críticas têm objetivos políticos". Este responsável sublinha a importância do evento neste momento complicado quer enquanto "grande realização político-cultural" quer como "espaço de solidariedade e convívio".

E quanto às críticas, diz que o PCP responde com a qualidade da programação e a garantia de que todas as regras serão cumpridas: "Tenho a certeza que a grande capacidade de organização do PCP aliada ao civismo e responsabilidade de todos vão fazer com que esta festa decorra em condições de segurança".

Mesmo perante o cenário de um agravamento da pandemia de covid-19, o PCP acredita que não será necessário cancelar a festa. "Temos que viver com as condições que temos. Tomamos as medidas que forem adequadas na defesa da saúde pública e na defesa também do Serviço Nacional de Saúde, e acreditamos que tomando essas medidas conseguiremos continuar a realizar as nossas atividades".

Um programa virado para Portugal

Também Madalena Santos sublinha que "foi muito importante a Festa do Avante ter dado este passo em frente, este sinal de que temos de continuar. É fundamental apoiar os profissionais do espetáculo".

Este ano, o programa da festa dá prioridade aos músicos e artistas portugueses, dando também espaço a artistas estrangeiros que residem em Portugal e aos artistas dos países de língua oficial portuguesa. Ao contrário do que é habitual, desta vez a abertura não será com o programa de música clássica (com que se iriam celebrar os 250 anos de Beethoven) mas haverá uma homenagem a Amália Rodrigues no seu centenário, com a participação de Cidália Moreira, Ana Sofia Varela e Luís Caeiro.

Entre os artistas que vão subir ao palco há, como sempre, nomes muito distintos, de Dino D'Santiago a Aldina Duarte, passando por Capicua, Lena D'Água, Camané e Mário Laginha, Dead Combo ou Stereossauro. O jazz também estará presente e haverá uma homenagem ao músico e crítico Manuel Jorge Veloso, falecido em novembro do ano passado.

Madalena Santos esteve em todas as festas - na primeira, em 1976, era ainda membro da União de Estudantes de Comunistas. Quando os jornalistas lhe perguntam se esta edição foi a mais difícil de organizar, ri-se: "A comissão de espetáculos fez seis programas diferentes desde que começou a trabalhar, em janeiro. O primeiro ainda tinha a participação das orquestras clássicas e de muitos músicos estrangeiros. Mas não há problema, porque em 2021 haverá outra festa e eles poderão vir", diz, sem desanimar. "Isto está no ADN dos comunistas. Se não houvesse problemas não teríamos de discutir coletivamente para encontrarmos soluções e fazermos futuro. Cada ano é diferente. As dificuldades ultrapassam-se, seja na Festa do Avante ou na nossa vida."

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