Dead Combo anunciam fim da banda em 2020. "Decidimos acabar, mas acabar em grande"

Tó Trips e Pedro Gonçalves anunciaram o fim dos Dead Combo. A despedida vai ser em cima do palco com uma digressão, um "passeio" pela história da dupla, que começa no final deste ano e termina em 2020.

"Não é um final triste, há muita coisa para ser celebrada", dizem os Dead Combo. A dupla, composta por Tó Trips e Pedro Gonçalves, anunciou esta terça-feira o fim da banda em 2020.

"Se o nosso encontro (Tó/Pedro) foi uma descoberta, uma grande amizade, um diálogo musical, um universo que se foi adensando e clarificando; se todos estes anos foram uma grande festa nas nossas vidas, não poderia ser de outra forma o nosso final. Decidimos acabar, mas acabar em grande", anuncia a dupla na rede oficial da banda.

A história desta dupla começou em 2003 quando o grupo foi formado por um convite de Henrique Amaro, da rádio Antena 3, para gravar a faixa Paredes Ambience, incluído no CD de homenagem ao guitarrista português Carlos Paredes. "Quando o acaso decidiu juntar dois corpos escanzelados que mal se conheciam e vibravam por músicas distantes", recordam Tó Trips e Pedro Gonçalves.

Os três primeiros álbuns da banda alcançaram o top 10 do iTunes nos EUA.

Despedida é feita em cima do palco com uma digressão que começa este ano

No ano passado, em abril, os Dead Combo apresentaram Odeon Hotel, sexto álbum de originais, assinado pelo baixista Pedro Gonçalves e pelo guitarrista Tó Trips, gravado em Lisboa ao longo de um ano, com produção do músico norte-americano Alain Johannes. Agora, 16 anos depois surge o anúncio do fim da banda. "Não é um final triste, há muita coisa para ser celebrada", asseguram na publicação que fizeram no Facebook.

A dupla vai terminar nos palcos com uma digressão que começa no final deste ano e que vai terminar em 2020. "De uma forma concreta, acabamos como começámos: os dois.Voltamos aos palcos com uma tour, num passeio pela nossa história", anunciaram.

Pedro Gonçalves e Tó Trips surgiram há 16 anos a criarem composições instrumentais marcadas pelo rock, pelos blues, pela tradição da música portuguesa e com influências que se estendem a África e à América Latina.

Já editaram álbuns como Dead Combo - Quando a alma não é pequena, Lusitânia Playboys, Lisboa mulata e Dead Combo e as cordas da má fama.

Com Lusa

Exclusivos

Premium

Viriato Soromenho Marques

Madrid ou a vergonha de Prometeu

O que está a acontecer na COP 25 de Madrid é muito mais do que parece. Metaforicamente falando, poderíamos dizer que nas últimas quatro décadas confirmámos o que apenas uma elite de argutos observadores, com olhos de águia, havia percebido antes: não precisamos de temer o que vem do espaço. Nenhum asteroide constitui ameaça provável à existência da Terra. Na verdade, a única ameaça existencial à vida (ainda) exuberante no único planeta habitado conhecido do universo somos nós, a espécie humana. A COP 25 reproduz também outra figura da nossa iconografia ocidental. Pela 25.ª vez, Sísifo, desta vez corporizado pela imensa maquinaria da diplomacia ambiental, transportará a sua pedra penitencial até ao alto de mais uma cimeira, para a deixar rolar de novo, numa repetição ritual e aparentemente inútil.

Premium

Maria do Rosário Pedreira

Agendas

Disse Pessoa que "o poeta é um fingidor", mas, curiosamente, é a palavra "ficção", geralmente associada à narrativa em prosa, que tem origem no verbo latino fingire. E, em ficção, quanto mais verdadeiro parecer o faz-de-conta melhor, mesmo que a história esteja longe de ser real. Exímios nisto, alguns escritores conseguem transformar o fingido em algo tão vivo que chegamos a apaixonar-nos por personagens que, para nosso bem, não podem saltar do papel. Falo dos criminosos, vilões e malandros que, regra geral, animam a literatura e os leitores. De facto, haveria Crime e Castigo se o estudante não matasse a onzeneira? Com uma Bovary fiel ao marido, ainda nos lembraríamos de Flaubert? Nabokov ter-se-ia tornado célebre se Humbert Humbert não andasse a babar-se por uma menor? E poderia Stanley Kowalski ser amoroso com Blanche DuBois sem o público abandonar a peça antes do intervalo e a bocejar? Enfim, tratando-se de ficção, é um gozo encontrar um desses bonitões que levam a rapariga para a cama sem a mais pequena intenção de se envolverem com ela, ou até figuras capazes de ferir de morte com o refinamento do seu silêncio, como a mãe da protagonista de Uma Barragem contra o Pacífico quando recebe a visita do pretendente da filha: vê-o chegar com um embrulho descomunal, mas não só o pousa toda a santa tarde numa mesa sem o abrir, como nem sequer se digna perguntar o que é...

Premium

Maria Antónia de Almeida Santos

"O clima das gerações"

Greta Thunberg chegou nesta semana a Lisboa num dia cheio de luz. À chegada, disse: "In order to change everything, we need everyone." Respondemos-lhe, dizendo que Portugal não tem energia nuclear, que 54% da eletricidade consumida no país é proveniente de fontes renováveis e que somos o primeiro país do mundo a assumir o compromisso de alcançar a neutralidade de carbono em 2050. Sabemos - tal como ela - que isso não chega e que o atraso na ação climática é global. Mas vamos no caminho certo.