Premium "É preciso ter muito estofo" para se ser artista, diz Capicua

No seu novo disco, Madrepérola, a rapper combate o Patriarcado, fala da experiência da maternidade e revela o "lado menos romântico" de se viver da música, sob a constante pressão da crítica e do mercado: "Se te tornas escrava disso, pode ser muito frustrante." Poderá este ser o seu último disco?

Menos de um ano depois de ter sido mãe, Capicua tem um disco novo. O disco e o filho cresceram dentro dela ao mesmo tempo. Enquanto escolhia os beats, escrevia as rimas e gravava as canções, já havia um bebé a provocar-lhe enjoos e a dar-lhe pontapés na barriga. É, por isso, impossível falar de um sem falar de outro. "Não acho que nos tornemos mães quando nos põem a criança no colo, vamos todos os dias acordando mais mães do que no dia anterior e eu ainda estou nesse processo."

Nesse sentido, explica, este Madrepérola ainda não é o disco da mãe Capicua. "Este disco, mais do que marcado pela maternidade, foi marcado pela gravidez, pelo parto e pelo puerpério, que são coisas muito diferentes do que é o quotidiano da maternidade", sublinha. Está lá tudo e não é só por causa da imagem da pérola que cresce dentro da ostra. Ouvimos Madrepérola e esbarramos na barriga que cresceu com estrias e sentimos o sofrimento para que haja um nascimento ("como um ovo que estala por dentro", canta em Parto sem Dor), revemo-nos no destino da filha que se transforma em mãe, naquele amor maior que vai crescendo todos os dias e que nos dá uma força que vem sabe-se lá de onde: "Eu rasguei a dor e o medo como papel de embrulho", anuncia ela em Último Mergulho - a última músico do disco a ser escrita, "acrescentada", já depois do nascimento de Romeu.

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