Joacine nega conflitos. Rui Tavares diz que todos os partidos os têm

À entrada da Assembleia do Livre, onde se vai decidir a aplicação ou não de uma "sanção disciplinar" a deputada do partido, Joacine afirmou não existir "conflito absolutamente nenhum"

A rota de colisão entre a deputada do Livre, Joacine Katar Moreira, e o fundador do partido Rui Tavares é notada até na avaliação que ambos fazem da polémica que tem oposto Joacine e a direção (Grupo de Contacto). "Não existe conflito absolutamente nenhum. Há uma relação de diálogo e entendimento e é sobre isso que iremos falar", afirmou Joacine numa curta declaração antes da Assembleia que se realiza este domingo, na sede do Livre, para debater uma eventual ação disciplinar.

Já Rui Tavares admitiu, à entrada da Assembleia, em Lisboa, que "todos os partidos têm conflitos", sendo "a maneira como os sabem resolver" aquilo que os distingue. "É nisso que o Livre vai, estou certo, distinguir-se. Porque não há nada que seja mais importante para toda a gente que fundou o partido e lhe deu anos de vida - num partido que esteve durante muitos anos sem dinheiro e sem representação parlamentar (...) - do que ter o partido anti-populismo de que Portugal precisa, o partido da esquerda verde europeia de que Portugal precisa".

No passado dia 27 de novembro, o Conselho de Jurisdição do partido propôs que houvesse uma "atuação disciplinar, se for caso disso", após a análise, por parte da Comissão de Ética e Arbitragem, do "conflito entre o Grupo de Contacto e a deputada do Livre e o seu Gabinete". Esta Comissão ficou responsável por elaborar um parecer que esclareça "à luz dos factos em causa, as dúvidas existentes quanto à forma de estabelecer o adequado relacionamento entre os órgãos do partido e os seus eleitos para cargos políticos". O advogado Ricardo Sá Fernandes, que tem sido adepto, dentro do Livre, de uma atitude de conciliação entre as partes em confronto, é o relator.

O caso que opõe a direção à deputada foi desencadeado por causa de um voto de Joacine relacionado com a Palestina. A deputada absteve-se num voto apresentado pelo PCP (e aprovado) que condenava Israel por ataques a Gaza. Historicamente, o Livre sempre foi um partido pró-palestiniano e, segundo a direção do Livre, a deputada deveria ter votado a favor do voto proposto pelo PCP.

Esta situação, depois esclarecida pela própria, acabou por desencadear uma série de episódios, desde a demissão de fundadores, a incidentes com jornalistas, até o Livre perder o prazo para apresentar a sua proposta da Lei da Nacionalidade, uma das bandeiras do partido. Na semana passada, tanto Joacine, como o seu também mediático assessor parlamentar, apagaram as respetivas contas no Twitter.

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