Costa anuncia que medidas "vão apertar" por causa da Páscoa

No Programa da Cristina, na SIC, o primeiro-ministro foi sobretudo didático nos apelos à manutenção da disciplina dos portugueses para conter a pandemia de covid-19. Mas anunciou que haverá um aperto nas medidas por causa das férias da Páscoa.

Ao meio dia, hora da maior audiência no Programa da Cristina, na SIC, o primeiro-ministro aproveitou para fazer todos os apelos aos portugueses para que mantenham a "disciplina" com que têm enfrentado a pandemia de covid-19. E apesar de reconhecer a colaboração "extraordinária" da população, anunciou que as medidas de circulação irão ser "mais apertadas" por causa da época de Páscoa. Na televisão antecipou as decisões que irão ser tomadas esta tarde em Conselho de Ministros extraordinário.

"Vamos adotar medidas mais claras para que as pessoas percebam que não podem andar a deslocar-se na Páscoa", assegurou. Lembrou ainda que a ação das autoridades tem sido muito de natureza pedagógica, mas "vamos ter de apertar mais um bocadinho". Sem dizer em que será apertada a malha das deslocações para que os portugueses fiquem em casa no período da Quaresma, fez um apelo aos emigrantes para que não visitem o país nesta altura.

Interpelado por Cristina Ferreira sobre os focos da pandemia, Costa voltou a lembrar que os idosos são os mais vulneráveis e, por isso, aqueles que têm de ser mais protegidos. Uma população para a qual também pré-anunciou que vão ser ser adotadas medidas para evitar que sejam abandonados. "Não é admissível que haja tanta gente a abandonar os lares nesta altura". Ou seja, depreende-se que poderá ser adotada uma medida de requisição civil no sentido de ter pessoal a trabalhar nas unidades que acolhem idosos.

" Vamos adotar medidas mais claras para que as pessoas percebam que não podem andar a deslocar-se na Páscoa"

Sobre a resposta do sistema hospitalar, o primeiro-ministro garantiu que "não chegamos a nenhuma situação de rutura", até porque "temos 88% das pessoas diagnosticadas em tratamento domiciliário". Afirmou que os hospitais de campanha são importante porque se existir um pico é importante ter uma retaguarda numa doença que demora muitos dias a curar.

"Não nos têm faltado ventiladores", garantiu, uma vez mais, embora estejam a ser comprados mais" para dar segurança ao conjunto da população de que é possível aguentar se a situação piorar".

Decisão sobre reabertura das escolas na próxima semana

"Mais perigoso que o vírus é o vírus do pânico",disse. A confiança é fundamental para combater o pânico, assegurou, e lembrou se as escolas reabrirem ainda para o terceiro período - o que será decidido dia 7 de abril - é importante que os país tenham confiança que os filhos estão seguros.

Sem certezas sobre o regresso às aulas, que muito depende da evolução da pandemia, Costa garantiu que está a a ser criada "rede de segurança" na televisão para que os alunos tenham acesso às aulas, em particular os que têm exames, ao mesmo tempo que estão a ser aumentadas as plataformas digitais. "Temos de salvar o ano, com a maior justiça".

"Mais perigoso que o vírus é o vírus do pânico"

Manifestando-se confiante e bem fisicamente, o líder do govenro reconheceu que "estamos a viver um momento único nas nossas vidas", em que "não sabemos se vamos estar assim um mês, dois meses ou três meses". E não sabemos, explico, porque "temos um vírus novo". "Estamos a medir a curva", disse e, com os dados frescos dos últimos dados da Direção-Geral de Saúde desta quarta-feira, que registaram mais de 800 casos de infeção, frisou que "o ritmo esteja a ser mais lento". "O que se deve à disciplina dos portugueses".

Cristina Ferreira interpelou-o ainda sobre as ajudas às empresas e o endividamento que poderão vir a sofrer. António Costa garantiu que foram tomadas todas as medidas extraordinárias possíveis para as empresas e muitas a fundo perdido. Para os trabalhadores independentes lembra que já tinham direito ao subsídio de desemprego desde que 60% do seu rendimento fosse de uma única entidade. E agora mesmo sem um ano de descontos poderão requerê-lo.

Costal lembrou que há um site "covid19estamoson.gov.pt" onde os cidadãos podem obter todas as informações sobre os apoios. Explicou os motivos de encerramento das atividades como restaurantes e cafés.

"O objetivo é que possamos viver estes dois ou três meses com a menor perturbação, não podemos morrer da cura também", sublinhou. E advertiu: "Quando reabrirmos vamos ter de reabrir devagarinho porque o vírus continua entre nós".

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